Corinthians e Tite: Uma história de altos, baixos e conquistas históricas

Mentor de um novo capitulo tático na história do futebol nacional, Adenor Leonardo Bacchi, o Tite, e a diretoria corintiana acertaram sua não permanência para 2014. O legado do comandante é enorme, construído em três anos, a base de altos e baixos, conquistas históricas e heroicas. Nas alinhas abaixo, vamos contar a história de Corinthians e Tite. Um casamento que ficou na história.

 
O inicio, o retorno: 
 
Após comandar o Corinthians entre 2004 e 2005, Tite recebeu um convite arriscado e tentador. O gaúcho de 49 anos aceitava um time há seis jogos sem vencer, brigando pelo titulo nacional e as vésperas de um clássico contra o maior rival. Devastado por um péssimo comando de Adilson Batista, o alvinegro teria oito jogos para tirar uma diferença de quatro pontos para o Fluminense – então líder e futuro campeão. Tite venceu o Palmeiras na estréia, empatou com Flamengo, venceu Avaí, São Paulo e Cruzeiro, contou com um tropeço do Fluminense e assumiu a liderança há três rodadas do fim. Porém um empate no Barradão retirou a liderança do time do Parque São Jorge. Na penúltima rodada, a vitória sobre o Vasco trouxe esperança de volta. Mas última rodada, já sem depender de si mesmo, o Corinthians voltou a tropeçar, em Goiânia,  e acabou na pré-Libertadores.
 
O 4-3-1-2 da reta de chegada do Brasileirão 2010. Um time que retomou a organização, a solidez e a confiança.
 
2011, os primeiros altos e baixos:
 
Em 2011, Tite se encontrou com a obsessão da torcida corintiana: a Taça Libertadores. Na fase prévia da competição, o encontro com o Tolima foi traumático! No Pacaembu, empate no jogo de ida e na Colômbia derrota e precoce eliminação. Pressão da torcida por mudança no comando e o técnico sofrendo seu primeiro momento difícil frente a equipe do Parque São Jorge. Balançou, mas não caiu. 
 

Tite foi mantido no comando e chegou a final do Paulistão, mas acabou batido pelo Santos de Neymar e Muricy, que também seria Campeão da Libertadores naquele ano. Para o Brasileirão, o Corinthians vinha atrás do título, a boa campanha no estadual e no nacional anterior o credenciava a equipe a tal posto. O início foi sensacional, dez jogos, oito vitórias e dois empates, incluindo um 5 a 0 sobre o São Paulo. Marcação adiantada e sufocante, intensidade e organização eram as marcas dos comandados de Tite. O ritmo caiu, mas a liderança não foi perdida. O time oscilou no inicio do segundo turno, perdeu alguns jogos e algumas posições na tabela, porém recuperou o foco e trabalhou para retomar a ponta. Caminhou cabeça a cabeça com o Vasco até o fim, mas o melhor trabalho dentro da competição foi coroado e o Corinthians voltou a levantar um titulo nacional.

 

A base do Corinthians no 4-2-3-1, com intensidade, marcação pressão e velocidade nas transições e um Paulinho comendo a bola, junto a pontas incisivos e Danilo/Alex no centro das ações organizando com o passe preciso.

2012: O caminho para a idolatria. O maior ano da história corintiana:
 
Mantendo a base campeã do Brasileirão, o Corinthians de Tite chegava a 2012 com um desejo, ou uma obsessão a ser alcançada: o título da Libertadores. A eliminação nas quartas-de-final do Paulistão, as vésperas do confronto decisivo e eliminatório contra o Emelec, com nova falha de Julio César, não deixou dúvidas. Sacar o goleiro que já havia falhado com o técnico era necessário. Cássio chegará para ser herói. Fechando o gol contra os equatorianos fora de casa, o goleiro ajudou a garantir o Corinthians nas quartas-de-final. Já sem o Paulistão, o time podia se concentrar totalmente na competição continental. A grande marca da equipe durante a campanha foi o poder coletivo, além dos conceitos táticos de Tite alinhadíssimos com o necessário para ganhar um título tão grande. 
 
A  cada fase o time tinha um herói, mas o destaque seguia sendo o coletivo, a força dele. Nas quartas-de-final contra o Vasco, Cássio salvou o Corinthians no memorável chute de Diego Souza e Paulinho aos 48′ do segundo tempo colocou o Corinthians nas semifinais quando tudo parecia certo para os pênaltis. Nas semifinais, novo encontro com um brasileiro: o Santos de Neymar, atual campeão das Américas. Na Vila Belmiro, Emerson decidiu na frente e Cássio, novamente, lá atrás. Na volta, Neymar trouxe uma pequena apreensão com um gol que levava a decisão para os pênais, porém Danilo foi o nome da vez e colocou o Corinthians em uma inédita final de Libertadores. 
 

Por incrível que pareca, na grande decisão, o Corinthians era favorito contra o Boca Juniors, multi-campeão da Libertadores. Pelo coletivo, pelo trabalho tático de Tite e por tudo que envolvia. O time cheirava a título. O gol de Romarinho na mistica Bombonera trazendo o empate para o Pacaembu contra a enfraquecida equipe argentina, trouxe ainda mais ainda a certeza de que o titulo viria. No lotado estádio a união perfeita time e torcida foi coroada pelos gols de Emerson, o engasgado grito liberado. A América era, enfim, alvinegra.

 

O 4-2-3-1 era tático e coletivo. Não tinha referência fixa, se movimentava muito, além da intensidade implantado por Tite.
No tão esperado Mundial de Clubes, veio a consagração. Na semifinal uma partida abaixo do nível técnico que o Corinthians estava acostumado a apresentar, com o componente do nervosismo + ansiedade sendo levada em consideração, mas classificação garantida nos pés de Guerrero. Na grande final, contra o poderoso Chelsea, Tite mexeu: abriu Jorge Henrique e Danilo, jogadores mais táticos, e centralizou Emerson para dar velocidade. Na referência Guerrero. A partida tecnicamente não foi brilhante, mas taticamente beirou a perfeição. O novo gol de Guerrero e a partidaça de Cássio, melhor em campo, garantiram a epopeia corintiana no Japão. Tite havia redefinido a história. 
A Corinthians da final do Mundial beirou a perfeição taticamente, com trabalho importante de Danilo e J.Henrique nas pontas. 

2013: O Fim da era e a perda de identidade:
 
Tite e Corinthians chegaram para 2013 “sem grandes objetivos”, pois já haviam ganhado tudo. No Paulistão o time foi mesclado quando os jogos eram próximos dos da Libertadores, quando não, força máxima. Sem forçar muito o Corinthians se classificou em 5º, tirou Ponte Preta e São Paulo no mata-mata e chegou à final contra o Santos. Paralelo a isso, um novo duelo contra o Boca nas oitavas de final da Libertadores, dessa vez com final feliz para os argentinos. A vitória em Buenos Aires e o contestado empate no Pacaembu deram a classificação ao time de Riquelme e Bianchi. No Paulistão o time se impôs frente ao Santos as vésperas da saída de Neymar e levou a taça. 
 
Ainda no primeiro semestre, em meio ao começo do Brasileirão, o Corinthians bateu o São Paulo na final da Recopa, ganhando a segunda taça de 2013. No Brasileirão o time não conseguiu engrenar, e se tornou o rei dos empates. Foram 17. A melhor colocação da equipe foi um 4º lugar na 15ª rodada. O alvinegro foi muito inconstante, sentiu a falta de Paulinho e perdeu o poder de fogo, marcando apenas 8 gols no segundo turno. Defesa foi o ponto positivo, com 22 gols sofridos em 38 jogos. Porém o time de Tite teve o pior ataque também: 27 gols marcados.
4-2-3-1 mantido em 2013, sem Paulinho e sem Jorge Henrique. Com Romarinho e Guilherme e sem a mesma efetividade ofensiva. 
224 jogos depois, Tite resolveu não continuar. O fim do ciclo parece muito mais um até breve, do que um adeus. Adenor ser vai com um imenso legado tático no Corinthians. Foram três anos, 108 vitórias, 73 empates e 43 derrotas; 300 gols marcados e 163 sofridos. Com cinco títulos na bagagem, Tite deixou o Corinthians sem rumo certo. A única certeza é de que o técnico entrou para o hall de ídolos do clube alvinegro. A maneira correta de ser e agir, o trabalho firme e serio ficará, eternamente dentro dos corações corintianos. 
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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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