Real Madrid 3×0 Atlético – Quando a intensidade acaba com a obediência tática

Os colchoneros estavam engasgados na garganta dos madridistas. As duas últimas derrotas dentro do Bernabéu para o rival aumentaram o clima e a pressão sobre os comandados de Ancelotti e sobre o próprio técnico também. Vencer o Atlético era uma questão de honra, vencer bem significaria uma proximidade maior da decisão.

O duelo tático começou antes mesmo do apito inicial. Ancelotti manteve a estrutura do Real, só que o 4-3-3 tinha mudanças na primeira e na última linha. Arbeloa e Coentrão, mais defensivos, ganharam as vagas de Marcelo e Carvajal mais ofensivos. Na frente Jesé ganhou, pela direita, o lugar do contundido Bale.

No Atlético, Simeone tinha os desfalques de Villa, Filipe Luís e Tiago. Afim de uma oportunidade para o recém-chegado Diego, o técnico armou um 4-4-1-1 com Koke alinhado a Gabi, e Raúl García aberto junto a Arda. Diego a frente desta segunda linha fazendo do o cerco a Xabi Alonso e Diego Costa mais a frente.

Os primeiro movimentos do Derbi mostraram o nervosismo, a marcação cerrada do Atlético contra as linhas adiantadas do Real e o aparente domínio madridista. Domínio que se transformou em gol na bola de Pepe desviada por Insúa, um a zero. A tensão tomou conta do duelo e logo o arbitro precisou intervir com os cartões. Foram 33 faltas e cinco cartões amarelos no total.

Mesmo com o duelo travado em faltas, o Real era melhor. Mais intenso e perigoso no jogo, principalmente com Dí Maria que tinha bastante espaço as costas de Gabi. Modric, seu companheiro de meio campo, não teve tanta liberdade assim, já que Koke o acompanhou bem. Porém o Atlético não conseguia tomar as rédeas do jogo, não passava do meio campo e tinha dificuldade para conter o ímpeto do Real, Cristiano e Modric fizeram Courtois trabalhar antes do fim do primeiro tempo.
 
Os 71% de posse de bola davam dimensão da pressão que o Real exercia. Cada vez mais empurrando o Atlético de Simeone, que parecia perdido, contra a parede. Modric e Ronaldo voltaram a levar perigo ao goleiro Belga do Atlético. Foram algumas das 20 finalizações do Real contra oito do Atlético. Na bola perfeita de Di Maria para Jesé, diagonal e toque por baixo de Courtois para ampliar.
 
Simeone tentou intervir, com Cristian Rodriguez e Adrian nas vagas de Diego e Arda Turan. Deixando mais claro a proposta de um 4-4-2. Fechando mais as linhas e encontrando um Real variante, intenso e poderoso no jogo. Di Maria seguia com espaços as costas de Gabi, que tinha companhia de Cristian para marca-ló, e ora o argentino aparecia sozinho por ali, quando Cristiano mudava de lado ou frequentava o centro.
 
Quando Modric, que aparecia bem no jogo, salvou a cabeçada em cima da linha a noite parecia sorrir para o Real, mas foi no ataque seguinte que ela se mostrou madridista. Chute de Dí Maria desviado em Miranda e enganando Courtois para fazer três a zero.
 
A intensidade madridista foi providencial para quebrar a ótima marcação colchonera.
Facebook Comments

Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *