A inteligência de Enderson Moreira pode ser o trunfo do Grêmio para o tri

Enderson Moreira manteve a estrutura tática vitoriosa em Montevidéu para o duelo com o “co-líder”, Atlético Nacional na Arena: 4-1-4-1 exatamente igual ao da vitória sobre o Nacional. Os primeiros minutos mostraram um Grêmio lúcido, que procurava centralizar os lances e dominar o jogo. Se não na posse, ao menos em intensidade, já que a saída colombiana era lenta. 
 
No flagrante tático, Pará e Wendell espetados, Ramiro e Riveiros avançando e se juntando a Zé Roberto e Luan, que saíam das pontas para o centro. (Reprodução: Fox Sports) 
Zé Roberto e Luan, este mais incisivo, trocavam os lados procurando confundir a marcação do Atlético, que ora era espaçada e ora era compacta. Oscilava demais. O ponto alto do time visitante era a movimentação de Cardenas e Cardona, em um assimétrico esquema. Em alguns momentos parecia 4-4-2 em outros 4-2-3-1. Com Mejia e Bernal mais fixos, Cardenas e Cardona trocado posições e circulando pelo centro e esquerda, e do outro lado Berrio, que ora recuava formando a linha de três, ora se via alinhado aos meias, com o avanço deles.

Edinho recuava para fazer a saída de três com Werley e Rhodolfo, liberando Ramiro e Riveiros para chegar ao ataque. O apoio de ambos os laterais dos dois times também foram um desafogo ao centro. Em lançamento de um volante para outro, Luan apareceu por trás, passou a frente e tocou sobre o goleiro para fazer um a zero.
 
Grêmio no 4-1-4-1 que teve intensidade e mandou no jogo mesmo com menos posse de bola. Já o Atlético foi muito variante, mas pouco objetivo.

Enxergando a incisividade de Rubio a direita, Enderson trouxe Riveiros para o lado do campo. Sem desfazer seu tripé de meio campo, mas dando espaço. Aí aconteceu o melhor momento do Nacional no jogo, que teve volume, mas não o concluiu em gol. O lateral Wendell que se estranhava com Cardona, usou o espaço que ele dava, para achar mais espaço as costas de Bocanegra e cruzou para Ramiro aumentar o placar na Arena.

Com Trrellez na vaga de Uribe e Diaz na vaga de Berrio o Nacional se soltou, então em um 4-2-3-1 mais visível. Com Valência pela esquerda, Cardenas e Cardona revezando o meio e a ponta. Com mais liberdade para Bernal se aproximar do trio. Mas nada que pudesse mudar algo. Ou tornar o time mais presente na área tricolor. 

Ruiz entrou na vaga de Luan, que já aparecia na referência, deixado Barcos pelo lado, e Dudu que entrou na vaga de Zé Roberto recuando para compactar uma linha. Algo próximo de um 4-4-2 em muitos momentos. E foi partindo do lado que Barcos perdeu um gol incrível e viu, logo depois, Ruiz partir da direita, fazer fila e bater firme no canto para matar o jogo.

No segundo grande teste do Grêmio, nova vitória. O time gaúcho pode até não ter o maior elenco, nem o mais qualificado, mas tem como trunfo um técnico muito inteligente, que com um grupo fechado e centrado no objetivo, pode trazer o tri da América para o Sul.

 
O segundo tempo mostrou um Grêmio mais preocupado com a marcação, recuando Dudu e abrindo Riveiros para fazer duas linhas de quatro. Já o Nacional soltou o time e sofreu na defesa.

 

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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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