Pilhado e desatento, o Cruzeiro encaminha a eliminação na Libertadores

O Cruzeiro cometeu um pecado fatal e muito recorrentes em times brasileiros que disputam a Libertadores: esquecer a qualidade técnica e confundir vigor com truculência. Como muitos outros, os comandados de Marcelo Oliveira caíram fácil no jogo dos uruguaios que não queriam deixar a bola rolar, parando o jogo e catimbando a toda hora

Os mineiros até começaram bem, mantendo sua base no 4-2-3-1, que tinha como novidade Julio Baptista a frente da segunda linha de meio campo. Com pressão e boas alternativas a partir incisividade de Dagoberto e Everton Ribeiro, que rodavam pelo meio, no jogo vertical que faz, o atual campeão nacional chegava bem.

 

Do outro lado um Defensor espalhado. Jogando no mesmo 4-2-3-1, ofereceu diversas chances ao Cruzeiro, justamente por não compactar a segunda linha de meio campo. O que fazia com que as entradas e Dago-Everton pelo centro ficassem mais fáceis de acontecer. Com menos gente no centro, o time uruguaio dava campo e espaço ao Cruzeiro, para chegar no mano a mano, onde teve boas chances mas não as concluiu em gol.

        Times no 4-2-3-1 com propostas de fazer o jogo fluir a partir dos pontas. 
Rodrigo Souza na vaga do nervoso e amarelado Dagoberto foi a mudança do Cruzeiro para recompor o meio depois da expulsão de Nilton. Duas linhas de quatro que tinham Everton Ribeiro e Lucas Silva a esquerda e Rodrigo Souza e Goulart a direita, com Julio Baptista a frente. Sem alternativas o Defensor fez o mesmo, soltou duas linha de quatro, recompondo a defesa, com Silva na vaga de Alonso, e avançando Arrascaeta para a referência. O jogo que era quente ficou morno.
 
Na bola enfiada para Julio Baptista partir da flanco, corte no lateral e chute cruzado no canto de Campaña, dois a zero Cruzeiro. O melhor dos cenários, a torcida em festa e o adversário “morto” no jogo. Era o que se esperava… mas quando Arrascaeta recebeu o sistema defensivo do Cruzeiro se atrapalhou, Rodrigo Souza e Dedé saíram errado e Gedoz tocou por baixo de Fábio para diminuir e ligar o alerta no Mineirão:
Dedé da o bote errado, Arrascaeta recebe e lança Gedoz que ganha de R.Souza na corrida e dimuniui, buraco na defesa. (Reprodução: Fox Sports) 
Marcelo Oliveira trocou Goulart por Willian, querendo dar velocidade a um Cruzeiro que havia esfriado junto com o jogo. Não deu muito certo, pois o time teve posse de bola mas não levou perigo. O Defensor arriscava uma saída aqui, outra ali com os ponteiros Gedoz e Gino,  mas nada que levasse perigo a meta de Fábio.
 
Até que em mais uma falha do sistema defensiva, o Cruzeiro sofreu derradeiro golpe. Jogada de Luna – após passe de Arrascaeta – que livre pela esquerda acertou o cruzamento que encontrou o também livre Zeballos para tocar a bola que bateu na trave e morreu no fundo do gol de Fábio, aos quarenta e oito da etapa final:
A sucessão de erros no segundo gol do Defensor: Dedé e novo bote errado além do espaço para a entrada de Zeballos. (Reprodução: Fox Sports)
Desatenção que causou a revolta da torcida e encaminhou a eliminação cruzeirense na primeira fase da Libertadores. Agora o time mineiro que tem quatro pontos precisa vencer a La U, que tem nove pontos, fora de casa e torcer contra o Defensor que agora tem sete. Matemática complicada para quem se complicou.
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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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