No maior clássico do mundo, os erros de arbitragem interferiram, mas não valeram mais que o show em campo

Panorama tático do primeiro tempo, times no 4-3-3 com pressão na saída de bola, passes envolventes e intensidade no super clássico. 

Embalado por 31 jogos de invencibilidade e confiante pela liderança da liga mais disputada dos últimos anos, Ancelotti não fez mistério para escalar o Real Madrid: manteve o 4-3-3 em nomes e distribuição. Já Martino, contestado e com um Barça abaixo daquele que dominou o mundo por alguns anos, tinha uma dúvida: quem faria companhia a Iniesta e Messi? Neymar o contestado, Pedro o queridinho da torcida ou Alexis o “goleador”?.

A manutenção de Neymar foi baseada no time que venceu o City e deve ser o titular para os jogos decisivos da temporada. A escolha por um meio campo mais cheio com Fàbregas no lugar de um dos atacantes também evidenciou isso. No Real, Alonso pediu durante a semana uma maior participação de Bale e Ronaldo nos trabalhos defensivos e foi atendido.

Tudo alinhado em um jogo que começou com o Real marcando pressão e o Barça relembrando os melhores momentos: no genial passe de Messi, Iniesta invadiu como ponta e balançou a rede de Diego Lopez,  logo a seis minutos, em um chute seco e cruzado. O único momento de desatenção nas compactas linhas madridistas. O time merengue não se abalou com o gol inaugural e manteve o ímpeto contra um Barça que caiu durante a primeira metade da primeira etapa. Em dois vacilos do lado direito composto por Neymar, Xavi, Daniel Alves e Mascherano, dois centros perfeitos de Dí Maria e duas finalizações fatais de Benzema. Virada do time de Ancelotti em quatro minutos.

Marcação pressão do Real na saída de bola do Barça, quatro jogadores cercam Daniel Alves. (Reprodução: SKY Sports)
Com superioridade no placar o Real recuou, sem abafar o Barça, deu campo a Iniesta e Fàbregas, que lembravam a dinâmica de um 4-2-3-1 com meio circulando por todo meio, cumprindo a função de Xavi, que fez um jogo abaixo em todos os aspectos. Na entrada do apagado Neymar em diagonal o passe de Messi foi preciso, no bate rebate a bola se ofereceu ao atacante, para o empate.
Fàbregas bem adiantado em relação a seus companheiros de meia. A dinâmica lembrou um 4-2-3-1. (Reprodução: SKY Sports)
O segundo tempo trouxe um Barça mais em cima, com bola e pressão, porém quem marcou foi o Real. Quando Undiano Mallenco começou a aparecer, a falta em Cristiano Ronaldo virou pênalti, bem cobrado pelo apagado camisa sete: 3 a 2. O clássico que já era ótimo ficou melhor! Martino anunciava a saída de Neymar quando o brasileiro, também apagado – muito pelo posicionamento, mas mais ainda pela fase – recebeu de Messi e sofreu outro, inexistente, pênalti que levou Sérgio Ramos expulso e colocou nova igualdade no placar com a batida de Messi.
Recomposição defensiva do Real, em alguns momentos só Bale, em outros ele e Cristiano compactavam as linhas. (Reprodução: SKY Sports)

Sem alternativas, Ancelotti abriu Di Maria e Bale deixou Modric e Alonso por dentro, além de Ronaldo isolado. Com o volume de jogo que o Barça imprimia era nítido que o Real sofreria. Martino sacou Neymar por Pedro e quando percebeu que nada sairia de Fàbregas colocou Alexis na vaga do meia. Recuando Iniesta, abrindo Alexis e Pedro e dando nova dinâmica ao jogo.

Os pontas não davam trabalho, então Iniesta saiu da meia para fazer a jogada fatal:  a incursão pela esquerda, agora partindo de trás, teve corte em Carvajal e sanduíche de Alonso no ‘gigante’ meia. Novo pênalti assinalado, novamente bem batido por Messi. Hat-trick do maior artilheiro do grande clássico. Que não estava em uma de suas melhores jornadas por não ser tão insinuante como se espera, mas mesmo assim marcou três gols e deu uma assistência.

No maior clássico do mundo, sobraram qualidades e polêmicas, na melhor liga espanhola dos últimos anos o Atlético tem a liderança, o Real o mesmo número de pontos em segundo e o Barça há um dos líderes. Em uma noite de atitude e futebol, os erros de arbitragem interferiram, mas não podem ser mais exaltados que os dois maiores times da terra.
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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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