Um gigante Atlético pode ter colocado fim a um estilo que insiste em rondar o Barça

Os últimos quatro confrontos – três deles aqui analisados – tiveram o mesmo panorama e o mesmo placar. Barcelona em cima, com pressão e posse de bola e Atlético atrás com linhas compactas e marcação serrada. Então era fácil imaginar que Barcelona e Atlético fariam o jogo de defesa x ataque desde o apito inicial, ainda mais com a vantagem ao lado do time de Simeone. Porém, o objetivo vinha da arquibancada, no lindo mosaico que dizia: “ganar”.

 

A vitória importava sim. E o Atlético mostrou que queria ela desde o começo do jogo. Assim como no Camp Nou, o time soltou as linhas no começo do jogo, teve a bola e pressionou. Porém Koke não repetiu o erro de Villa, que perdeu uma grande chance na ida, e abriu o placar após o cruzamento do camisa nove. 
O cerco de três jogadores do Atlético ao homem da bola. (Reprodução: TV Globo)

Explosão colchonera no começo do embate. E quem pensou que o time diminuíra o ímpeto se enganou. Ainda deu tempo de David Villa colocar duas bolas na trave em 15 minutos impecáveis do time de Simeone, com marcação pressão e linhas bem adiantadas. O Barça perdido e envolvido começou com Neymar a direita e Iniesta pela esquerda, mas logo Martino mudou, trazendo Neymar para a esquerda, Messi para a direita e Fàbregas como falso nove.

 

Com Iniesta armando de trás, o Barça pôs a bola no chão e organizou seu jogo. Tinha a bola, mas não tinha espaços, a marcação era ainda mais firme do que no primeiro jogo. Messi e Fàbregas sumidos, pouco acrescentaram em um primeiro tempo que teve Neymar tão insinuante quanto sozinho. O brasileiro foi bem, mas seus companheiros não estavam na mesma sintonia. Péssima jornada do Barça, coletivamente. 
Quando veio para a esquerda, Neymar comandou as ações do Barça. Já no Atlético, marcação firme e linhas compactas.

Como já era esperado, o Atlético voltou bem atrás no segundo tempo e o Barça pressionando, mas com um panorama parecido com o do primeiro tempo. Posse de bola inócua, que levou perigo na entrada em diagonal de Neymar, bem travado pelo gigante Courtois, e só. Ao Atlético de Simeone, ficando atrás, era claro que uma imensa pressão adversária com tanto tempo pela frente poderia dar errado.

 

Então o Cholo veio com Diego na vaga de Adrián, enquanto Martino colocou Sanchez na vaga do apagado Fàbregas. O Atlético ganhou campo e foi ao ataque, em uma ou outra escapada o time levava perigo ao gol de Pinto, que tinha uma zaga completamente perdida, com verdadeiras avenidas nas alas – péssimo jogo da dupla Dani Alves-Alba.

 

Martino surpreendeu com a saída de Iniesta – um dos poucos lúcidos com a bola no pé – para a entrada de Pedro. O Barça foi rumo ao “bumba meu boi”, com quatro homens de frente e sem quem pensasse com ela nos pés. O time catalão exagerou no número de centros, foram 30 com apenas cinco acertos, quando o maior jogador de frente tinha 1,75m (Neymar) e a dupla de zaga do Atlético (Miranda e Godín) tinha 1,85 e 1,87m.

 

Com Cristian Rodriguez junto a Diego frente à segunda linha quatro, o Atlético escapou e levou perigo, por mais de uma vez quase matou o jogo. Mas nem precisou disso, mesmo com a gigante pressão do desesperado Barça, segurou o resultado e chegou a semifinal da Champions 40 anos depois.

Ao Barça resta juntar os cacos, e rápido, pois na próxima quarta já tem clássico contra o Real Madrid pela final da Copa do Rei. Porém, já é hora de pensar em um novo estilo de jogo. Guardiola saiu do clube catalão, mas ele insiste em não sair do estilo que ele implantou.

 

Quanto ao Atlético de Simeone, este vai brigar pelo título. 
Barça com muita gente na área, desespero e pouca qualidade. Já o Atlético fechado e compacto. De olho no contra-ataque. 

 

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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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