A obediência tática foi a maior aliada de Ancelotti no primeiro título a frente do Madrid

“Quando temos quatro meias, temos mais possibilidades de controlar a bola. Por isto jogamos no 4-4-2”. A frase de Carlo Ancelotti, após o jogo, resume bem o que foi o Real Madrid na vitória sobre o apático Barcelona, que deu o primeiro título de sua era na Espanha. Controle de bola, marcação firme e contra-ataques em velocidade foram a marca nesta noite em Valência.

Sem Cristiano Ronaldo, Ancelotti mostrou ter aprendido as lições deixadas por Simeone na classificação do Atlético sobre o Barça. Linhas curtas, compactas e rápidas na transição. Para não deixar Messi jogar como jogou no Bernabéu há menos de um mês, foi a estratégia perfeita. 

O italiano abriu Isco e Di María, adiantando Bale pela esquerda com Benzema ao seu lado. Sem a bola duas linhas de quatro, com ela Dí Maria avançava no flanco de Alba e pegava uma defesa exposta, foi assim aos dez minutos, quando Isco retomou a bola, acionou Bale que achou Benzema, em um toque o francês colocou o argentino em condições de cruzar da direita para a esquerda e bater no contra pé de Pinto, um a zero Real.

Completamente dominado o Barça não conseguia envolver, não tinha produção ofensiva e nem profundidade de seus pontas que voltaram a ser, erradamente, Iniesta pela esquerda e Neymar pela direita. Neymar já mostrou o que pode partindo do flanco e Iniesta já mostrou o que pode vindo de trás com a bola. Porém Martino segue a insistir em um modelo de jogo que favorece Cesc Fàbregas que outra vez foi um dos piores do Barça. As linhas de Ancelotti não deixaram Messi flutuar e fazer o que dele se espera. 

O Barcelona foi envolvido nos primeiro 45 minutos e não teve reação, sobrou sorte contra um Real que pecou demais nas finalizações e que podia ter ido para o vestiário com três ou quatro gols tranquilamente.

Martino desfez o erro com 60′ minutos de atraso, com Pedro na vaga de Fàbregas, Neymar voltou a esquerda e Iniesta ao meio. Cada um na sua e o Barça sem incisividade, sem objetividade e dominado pelo Real. O time de Ancelotti quis a bola e gostou de trocar passes, errando apenas 22 dos 264 e finalizando 18 vezes com 8 acertos – 3 a mais que o Barcelona. 

O Barça apostou em cruzamentos e errou muitos: 20 dos 27, porém um dos 7 que acertou terminou na cabeçada de Bartra, que empatou o duelo. O time de Madri não mudou a atitude, seguiu firme e concentrado, em nenhum momento se perdeu na proposta de jogo. Quando os catalães tentaram subir a marcação, o Real conteve o impeto.

Nas escapadas em contra-ataque o time seguia sendo perigoso e quando vencia já havia tido a chance de ampliar, mas tinha que ser no sofrimento. Foi dos pés do contestado Bale, que havia feito dois clássicos ruins, que saiu a vitória e o titulo da Copa do Rei. Arrancada sobre Bartra, característica do galês, deixando a cria do Barça para trás e tocando por baixo de Pinto para colocar o Real a frente. Em uma jogada de velocidade e objetividade, Bale poderia ter caído, mas acreditou no lance.

Com Alexis o Barça enfileirou jogadores a frente da área de Casillas e teve a bola do empate com Neymar, mas o brasileiro acertou a trave e o título ficou em Madri.

Foi o primeiro da era Ancelotti, que regressou ao 4-4-2 que tentou implantar no começo da temporada e não deu certo justamente pelo posicionamento de Isco e Ronaldo. Agora sem o melhor do mundo, a distribuição tática deu certo, porém sem o espirito, sem a garra e, principalmente, sem a obediência de seus jogadores, além de estrela de Bale e Dí Maria e o jogo gigante que fizeram Pepe e Ramos, o Real não levantaria a Copa. 

Real compacto no 4-4-2 que saia com Dí Maria e buscava o contra-ataque em velocidade contra o Barça no 4-3-3 preso a marcação, com Iniesta e Fàbregas confusos e Neymar a direita.  
 
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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

2 comentários em “A obediência tática foi a maior aliada de Ancelotti no primeiro título a frente do Madrid

  • 17 de abril de 2014 em 07:26
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    Quando o CR7 retornar ao time, quem deverá sair para que a equipe madrilenha tenha essa consistência?

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  • 17 de abril de 2014 em 13:27
    Permalink

    Acredito que Isco. Dí Maria deve voltar a esquerda e Bale a direita, com Ronaldo mais próximo a Benzema.

    Abraço.

    Resposta

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