No dia em que o Real teve mais coração que o Atléti, ‘lá décima’ foi conquistada

 
Um time com Cristiano Ronaldo, Bale, Isco, Dí Maria e Modric não espera decidir um jogo no coração e na garra. Até porque, o Real de Ancelotti estava marcado, até a final, pela plasticidade de suas partidas, pela artilharia do trio BBC e pela campanha devastadora, que deixou times como Juventus, Borussia e Bayern de Munique para trás com poucas chances.
 
Já ao Atlético, esse papel cabe muito mais. Um time que tem uma história de luta, com um plantel aguerrido, muito menos valioso que o madridista. E que chegou a final e levou o Espanhol, na alma, na garra e no coração… Só que em Lisboa, esse papel se inverteu.
 
Ancelotti surpreendeu com Khedira quando todos esperavam Illarra. Sem Pepe foi com Varane e com Benzema recuperado formou o BBC. Já Simeone perdeu Arda, que tinha mais chances de jogar, mas ganhou Diego Costa, mais desacreditado.
 
Porém nove minutos de estudos foram suficientes para Diego Costa perceber que não daria. Na vaga dele veio Adrián, mas no desenho nenhuma alteração. O 4-4-2 de Simeone tinha Raúl Garcia pela direita na vaga de Arda. Enquanto o Real passeava entre o 4-3-3 e o 4-4-2, em um jogo que demorou em engrenar. Travado e tenso.
 

Com poucos espaços, apenas os erros individuais poderiam abrir perspectivas de gols. Foi assim com Tiago, que errou o passe e deixou Bale na cara do gol, mas o galês não aproveitou e poucos instantes depois, viu Casillas hesitar um momento e Godín encobri-ló para abrir o placar. Era o cenário perfeito para o Atlético. O time de Ancelotti sentiu o gol e foi para o vestiário em desvantagem.

O Real tinha dificuldades para infiltrar em um Atlético muito mais fechado do que no começo do jogo. Então resolveu colocar Isco e Marcelo para dar ainda mais fluência pelo lado de Dí Maria e Ronaldo, sacando Coentrão e o perdido Khedira. Nesse momento a posse de bola do Real chegou a 59%, mas não se convertia em chance, tudo muito mascado e amarrado.

Cholo recuou ainda mais suas linhas. Com o final do jogo próximo, o Atléti também ia se esgotando fisicamente, já que há uma semana fazia uma partida no limite contra o Barça. Tiago veio trabalhar a frente da zaga, com Gabi e Koke próximos a ele. Nas pontas Sosa, que entrou na vaga de Raúl Garcia, e Adrián tentavam bloquear as ações dos laterais. Lá na frente, isolado, David Villa.

Bale teve boas chances, mas perdeu, Isco levou perigo batendo de fora e o cruzamento de Marcelo passou por todo mundo. Quando o destino parecia dar uma rasteira no Real e em seu jogador mais experiente que falhou, praticamente, na única chegada do Atléti, Sergio Ramos achou o cruzamento de Modric no terceiro andar, para empatar o jogo, aos quarenta e oito do segundo tempo.


O gol foi um golpe imenso no time de Simeone e ali se desestruturava o Atlético. Que ainda conseguiu segurar o primeiro tempo da prorrogação, mas sem pernas, sucumbiu há um Real veloz e incisivo. 

Dí Maria fez uma jogada mágica e parou em Courtois, mas viu Bale virar. Na troca de passes que mais tinha um tom de segurar o jogo do que qualquer coisa, Marcelo percebeu o espaço, progrediu e contou com a falha do goleiro belga após o chute. E Cristiano Ronaldo matou o jogo no pênalti que ele mesmo sofreu para fechar a conta.

O trabalho de Ancelotti foi providencial para Lá Décima, tão sonhada, enfim ser conquistada. O Italiano trouxe a calma e trabalhou cada detalhe neste Real, que sem vaidades chegou longe e teve em Modric, Dí Maria e Ramos seus pilares para um conquista épica. Lá Décima é agora! E foi no coração.

 
Facebook Comments

Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *