Guia Tático Copa do Mundo 2014 – Grupo B: É uma pena só passarem dois

Chile, Espanha e Holanda farão duelos mágicos no Mundial. 

A Espanha chega ao mundial como favorita, junto a Brasil e Alemanha, graças ao título conquistado na última Copa. Nas Eliminatórias Europeias para a Copa do Mundo de 2014, os comandados de Vicente Del Bosque se classificaram com 20 pontos, 6 vitórias e 2 empates no grupo I, com aproveitamento de 83.3%. 
Além do estilo de jogo coletivo que prioriza o toque de bola, a Espanha tem um principal destaque. Ele é Iniesta, já que seu campaneiro no Barça e na seleção Xavi não fez uma boa temporada, o camisa seis vem com a responsabilidade de conduzir La Roja. A presença de Diego Costa também pode acrescentar muito ao elenco, o futuro atacante do Chelsea deve fazer a diferença lá na frente. Xabi Alonso, Casillas e Sergio Ramos chegam muito bem após uma temporada brilhante no Real Madrid, além de David Silva que foi destaque no City campeão Inglês e pode arrumar uma vaga no onze inicial.
O 4-2-3-1 deve ter Diego Costa a frente e Xavi no centro das articulações. 

Taticamente, não deve fugir de um 4-3-3 ou um 4-2-3-1, que pode vir a ser uma das variações do primeiro esquema, ou um dos diversos posicionamentos dependendo da situação de jogo. Com Diego Costa, o 4-2-3-1 pode ter David Silva e Iniesta abertos fazendo as diagonais e ajudando Xavi a armar, já que o meia de 34 anos já não tem o mesmo pique para armar e marcar.

Sem Diego Costa, Fábregas de “falso nove” abrindo espaços na defesa para as infiltrações em diagonal dos ponteiros é a segunda opção de Vicente Del Bosque. Mas, além disso, a atual campeã mundial deve executar a marcação intensa no campo de ataque, e a contundência para transformar a posse de bola em gols, para assim, almejar o segundo título mundial.
Fàbregas pode ser a referência de um 4-3-3 que ainda pode ter Pedro aberto e Xavi vindo de trás. 

 

A atual vice campeã do mundo vem ao Brasil com uma nova geração de jogadores, buscando espaço e sendo testados pela primeira vez com a laranja mecânica em um grande torneio. 

Logo após o fracasso na Euro, Marjiwk deu lugar a um velho conhecido, Louis Van Gaal, que assumiu em setembro de 2012 e, ao contrario da sua primeira participação na seleção, conseguiu levar a Holanda a Copa. A campanha sólida nas eliminatórias teve nove vitórias e um empate, 34 gols marcados e apenas cinco sofridos. A Holanda chega a sua 10ª Copa do Mundo, tendo três vices campeonatos: 1974, 1978 e 2010. 
O 4-2-3-1 foi a base das eliminatórias, mas perdeu Strootman e Van der Vart e com isso a boa saída de bola. Isso pode acarretar mudanças táticas.
Taticamente Van Gaal variou bastante o time, mas encontrou no 4-2-3-1 a melhor maneira de aproveitar seus talentos. No gol ainda existe uma incógnita, Cillessen é o favorito para a posição, porém Vorm e Veermer participaram bastante durante as eliminatórias. A linha de quatro deve ter Janmaat e Blind do Feyenoord nas laterais, no miolo de zaga Bruno Martins, outra revelação do futebol Holandês, deve ter Vlaar a seu lado. Na volância Classie ou De Jong tinham a companhia de Strootman, que se lesionou. Depois tiveram Van Der Vart, que também se lesionou. Com isso, os dois devem ser os titulares. Na linha de três, Lens, Robben e Sneijder parece um trio bem definido. No comando de ataque, Robin Van Persie chega com sua experiência para a referencia. 
Porém as lesões e os adversários podem fazer Van Gaal pensar em um 3-4-1-2 com a entrada de De Virj e a saída de Lens. Com Robben mais próximo a Van Persie e com uma linha de cinco na defesa. É uma possibilidade, já usada em amistosos.
A Holanda está no difícil grupo B e tem como concorrentes a Espanha, com quem protagonizou a final da Copa passada, e o Chile um time muito bem montado que deve dar trabalho. Além da Austrália que deve ser o fiel da balança.

Mais conservador, esse pode ser o 3-4-1-2 da Holanda.
Chile era muito pobre futebolisticamente na primeira metade das eliminatórias da Conmebol. O seu técnico, Claudio Borghi, não conseguia repetir o mesmo sucesso de Marcelo Bielsa, o seu antecessor. 
O ídolo do Colo Colo foi demitido no dia 14 de Novembro de 2012, após três derrotas consecutivas – Equador, Argentina e Colômbia. Em situação complicada nas eliminatórias, a federação chilena contratou Jorge Samapoli, um bielsista que tinha acabado de conquistar o seu terceiro titulo chileno. O técnico cumpriu o objetivo – venceu 5 dos 7 últimos jogos das eliminatórias – e classificou o Chile de maneira até tranquila. 
Nos amistosos em que comandou, conseguiu vencer (ou dar dor de cabeça) a seleções como Brasil, Alemanha, Inglaterra e Espanha. Sempre usando formações como o 3-4-3, 4-3-3 e até um 3-5-2. Tudo que bom bielsisa gosta. Os treinadores dessas respectivas seleções ficaram assustados com a marcação pressão e o encaixe individual feito quase perfeitamente. 
O Chile chega para Copa com status de uma equipe que joga bonito e que não se abdica de atacar. Como diz no comercial, “o Chile mete miedo”.
No 4-3-1-2, Marcelo Díaz possui enorme liberdade para se movimentar, pois possui uma enorme qualidade nos seus passes e grande visão de jogo. Os maiores alvos dos passes de Díaz são Arthuro Vidal e Isla.
O 4-3-1-2 do Chile pode ter um grande apoio de Aranguiz e Vidal, além da boa proteção e saída de Diaz.


Já no 3-4-3, que tem a maior liberdade é o Vidal, o jogador da juventino, ás vezes, aparece fazendo o papel de falso 9 trocando de posição com Jorge Valdivia. Eduardo Vargas e Alexis Sanchez também são importantes nesse estilo, os dois pontas sempre aparecem dando amplitude de jogo para equipe e ainda conta com os dois alas que aparecem muito ofensivamente. 

Como foi dito, Sampaoli gosta de usar marcação pressão no campo do adversário e o encaixe individual. 
O ponto fraco do Chile e sua dupla de zaga que é praticamente toda improvisada – só Marco Gonzalez é zagueiro de oficio – e ainda é muito lenta. O outro problema é a baixa estatura do Medel que acaba permitido que os adversários marcassem gols de cabeça com certa facilidade – Por exemplo, no amistoso contra a Espanha, Soldado subiu sozinho para marcar o seu gol. 
A defesa alta também pode complicar, visto que no ultimo amistoso contra o Egito, a equipe sentiu grandes dificuldades contra o uma seleção que joga em velocidade. Com esse panorama o Chile quer se meter no meio de Holanda e Espanha e conseguir uma vaga para enfrentar, quem sabe, o Brasil nas oitavas.

O 3-4-1-2/3-4-3 do Chile pode ser um dos esquemas usados, muita rotação a frente é o destaque.
Renovação, eis a palavra de ordem para a seleção australiana que vem ao Brasil para disputar seu terceiro mundial consecutivo. Um processo inevitável e mal conduzido, que culminou com a troca de comando – e de peças importantes as vésperas do mundial. Ange Postecoglou assumiu o comando em Novembro de 2013, após a federação demitir o alemão Holger Osieck – em função das goleadas sofridas frente a Brasil e França em recentes amistosos. Postecoglou de 48 anos foi o escolhido graças a seu relevante trabalho de formação de jovens atletas na Austrália – foi o técnico da seleção sub-20 entre 2000 e 2007 – além de boas passagens pelo Brisbane Roar e Melbourne Victory. Mantendo o esquema 4-4-1-1, Ange Postecoglou começou a talhar uma intensa renovação de cara ao Mundial, como pôde ser visto no último amistoso frente aos equatorianos. 


A campanha nas eliminatórias foi titubeante. Foram 4 vitorias, 1 empate e 3 derrotas, terminando em segundo lugar com 13 pontos – 4 a menos que o Japão. O alemão Holger Osieck – assistente técnico de Franz Beckenbauer no tricampeonato em 1990 – decidiu apostar na base veterana que levou os Socceroos aos mundiais de 2006 e 2010 – Schwarzer, Wilkshire, Bresciano, Holman e Cahill fizeram parte da geração dourada do futebol australiano. Taticamente, Osieck optou pelo sistema 4-4-1-1 com duas linhas compactas, esperando os rivais a 3/4 do campo e transição rápida com os extremos, Robbie Kruse e Tommy Oar. A bola parada foi outra arma letal, graças ao faro goleador de Tim Cahill e a alta estatura do time. 

O goleiro Mark Schwarzer, atualmente reserva do Chelsea, deu sua ultima contribuição na meta australiana, liderando a defesa nas eliminatórias apesar aos 41 anos de idade. Eis que, após as goleadas sofridas em amistosos contra França e Brasil – ambas por 6 a 0 – o veterano arqueiro desistiu da ideia de jogar seus terceiro mundial. Matthew Ryan do Brugge e Mitchell Langerak do Borussia Dortmund disputam a vaga de titular para a estreia contra o Chile. 
Nas eliminatórias, a ineficaz linha defensiva contou com os veteranos Luke Wilkshire(32 anos, atualmente no Dínamo de Moscou) na lateral direita, Matt Mckay(32 anos) na lateral esquerda, além dos zagueiros Luca Neill( 35 anos, capitão e símbolo da geração dourada do futebol australiano) e Sasa Ognenovski(34 anos). Com a chegada de Ange Postecoglou, a defesa foi totalmente modificada. No amistoso contra o Equador (derrota por 4 a 3 na ultima data FIFA) a defesa foi formada pelos laterais Ivan Franjic (26 anos, atua no Brisbane Roar) e Jason Davidson(22 anos, atua no Heracles Almelo da Holanda). No miolo de zaga, Postecoglou apostou na jovem dupla, Matthew Spiranovic do Western Sydney e Curtis Good do Dundee United da Escócia. 
A segunda linha australiana contou nas eliminatórias com os volantes Mark Brescian (34 anos, atualmente no Al Gharafa do Qatar) e Mark Milligan(28 anos, Melbourne Victory) além dos ponteiros Tommy Oar do Utrecht e Robbie Kruse do Bayer Leverkusen. No ultimo amistoso frente ao Equador, Postecoglou optou por Mike Jedinak do Cystal Palace no lugar do veterano Mark Bresciano. A grave lesão no joelho de Robbie Kruse – válvula de escape e um dos melhores e mais regulares jogadores da campanha nas eliminatórias – fez com que Postecoglou apostasse no jovem Mathew Leckie (23 anos, atua no FSV Frankfurt) como extremo direito do meio de campo.

Logo a frente das duas linhas de quatro, Brett Holman( 30 anos, vai para sua segunda Copa do Mundo, atualmente no Al-Nasr dos Emirados Árabes) foi o responsável pela transição dos contra-ataques. No ultimo amistoso, Postecoglou testou o jovem Tom Rogic na função de enlace(21 anos, ex- Celtic, atualmente no Melbourne Victory). A grande esperança e símbolo da geração dourada da Austrália atende pelo nome de Tim Cahill. Aos 34 anos, o centroavante australiano vai para o seu terceiro e ultimo mundial, após novamente garantir os Socceroos nas eliminatórias como artilheiro da equipe. 
A renovação tardia e a troca de comando podem ter sepultado de vez a pequena chance dos Socceroos no duríssimo Grupo B. A Austrália precisa arrancar 4 pontos contra Chile, Espanha e Holanda, apostando na defesa solida, nos contra-ataques/ bola parada e contundência de Tim Cahill. Tarefa difícil.
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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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