Guia Tático Copa do Mundo 2014 – Grupo A: Os desafios da seleção Brasileira

Conheça os adversários do Brasil na primeira fase

A seleção de Felipão chega a sua 20ª Copa do Mundo com o peso de jogar em casa, mas um pouco atrás em relação às outras seleções no que diz respeito à preparação. Sem eliminatórias e com a mudança de técnico o Brasil se preparou em um ano para a Copa, enquanto Alemanha, Espanha e Argentina têm trabalhos mais contínuos. 

Mano Menezes assumiu a seleção após a Copa de 2010 com a missão de renovar o elenco e aproveitar a nova safra. Nos primeiros jogos o técnico até foi bem, mas na Copa América as atuações ruins e a eliminação precoce nas quartas contra o Paraguai arranharam a imagem de Mano que foi afundada com a perda das Olimpíadas e as derrotas contra Argentina, Alemanha e França, o treinador balançou e caiu.

Felipão assumiu em 2013, logo no primeiro amistoso, derrota. Os empates com Itália, Rússia, Inglaterra e Chile mostram as ideias de Felipão, as vésperas da Copa das Confederações os 3 a 0 na França embalaram a campanha perfeita no torneio: seis vitórias, 14 gols feitos e três sofridos, com direito a 3 a 0 na Espanha em Final no Maracanã. 

 
Taticamente Felipão armou um 4-2-3-1 de pegada e velocidade com Luiz Gustavo e Paulinho no meio, à frente o trio Hulk, Neymar e Oscar têm velocidade e variações, com muita verticalidade. Além das ultrapassagens com muita qualidade de Marcelo e Daniel Alves e a melhor dupla de zaga do mundial, Thiago Silva e David Luiz. Os problemas talvez possam ser Júlio César e Fred, contestados e pouco constantes. Felipão também tem o plano B: Um 4-1-4-1/4-3-3 com Willian na vaga de Hulk, Hernanes na de Oscar e Jô na de Fred, muito usada no segundo tempo dos jogos da seleção. 
Com Croácia, México e Camarões o Brasil não deve ter dificuldades para se classificar, inclusive ganhando todos os jogos. O problema da seleção pode ser a ansiedade no mata, tendo em vista que já nas oitavas, Chile, Espanha ou Holanda será o adversário.
A Croácia chega a seu quarto mundial com este inegável sentimento patriótico que a coloca definitivamente como a mais exitosa seleção pertencente à antiga Iugoslávia. Igor Stimac, zagueiro e um dos emblemas da geração que levou a Croácia a semifinal da Copa de 98, assumiu o comando técnico da seleção no inicio das eliminatórias. Stimac, partia com a base deixada por seu ex-companheiro, Slaven Bilic, que armou um forte time na Euro de 2012. 
A Croácia começou sua caminhada nas eliminatórias vencendo a Macedônia por 1 a 0, com gol do atacante Jelavic. Mais do que a esperada vitória, Igor Stimac definia a continuidade do 4-4-2 – modelo britânico – como o esquema imutável da Croácia rumo ao mundial. Na sequência, um empate como visitante perante a talentosa seleção belga. Neste confronto foi possível ver algumas características primordiais da equipe croata: A compactação das duas linhas de quatro, a marcação defensiva em bloco médio baixo, a valorização da posse de bola, a busca pelas jogadas pelos flancos – além da clara dependência goleadora de Mario Mandzukic. 
A Croácia terminou o grupo 1 na segunda colocação, atrás da Bélgica e a frente da Escócia, País de Gales, Macedônia e Sérvia. Foram 10 jogos, com 5 vitorias, 2 empates, com 12 gols marcados e 9 sofridos.A Croácia perderia a invencibilidade apenas na sétima rodada ao perder para a Escócia por 1 a 0. Na sequencia, um empate em 1 a 1 no clássico dos balcãs frente a Servia, seguida por uma derrota em Zagreb por 2 a 1 para os belgas – que empurrou a Croácia para a repescagem. Na ultima rodada, outra derrota frente aos escoceses determinou o fim do ciclo de Stimac . 
Niko Kovac, capitão croata no mundial de 2006, assumiu o time na véspera do confronto contra a Islândia pela repescagem. No jogo de ida, decidiu manter o 4-4-2, mas aplicou algumas modificações: Daniel Pranjic assumiu o posto de Strinic na lateral-esquerda, ao passo que Ivan Rakitic foi deslocado para a posição de volante pela direita ao lado de Modric; pelos lados do campo Perisic e Ivo Ilicevic fechavam a segunda linha de 4 com Eduardo da Silva ao lado de Mandzukic no comando do ataque. A Croácia foi superior, criou inúmeras chances de gol, controlou o jogo mesmo sem poder tirar o zero do placar. Para a decisão em Zagreb, Niko Kovac decidiu armar a Croácia no 4-2-3-1, com Mateo Kovacic escalado como armador e Ivica Olic sacrificando-se como extremo direito na linha de armadores. Assim, Mario Mandzukic – que anotaria o primeiro gol e seria expulso – ficava isolado na frente. Mesmo com 10 jogadores, a Croácia garantiu a classificação com um gol de Darijo Srna, após linda jogada coletiva pelo flanco direito. Classificação merecida, de um time organizado, que sabe especular com suas duas linhas compactadas, além de ter uma posse de bola criteriosa e a individualidade de jogadores com larga experiência internacional. Para o desafio contra o Brasil na estreia do Mundial Kovac deve ficar com o compacto 4-4-2.

A seleção de Camarões já não monta grandes times como num passado não muito distante, porém, ainda conta com bons jogadores em seu plantel, dentre os quais cabe citar Samuel Eto’o, Alexander Song, Pierre Webó e Assou-Ekotto. O time africano é comandado pelo treinador alemão Volker Finkel. Estará no grupo do Brasil e provavelmente deve lutar pela segunda vaga na fase final, num grupo que ainda conta com México e Croácia. 
Um dos esquemas mais adotados por Volker Finkel é o 4-3-1-2 com formato de losango no meio-campo. Com a posse de bola, a equipe conta com a projeção dos “carrilleros” ao ataque, apoio alternado entre os laterais, movimentação de Makoun pela intermediária e aproximação com os atacantes mais à frente, Eto’o circulando a partir do flanco esquerdo e buscando a faixa central para participar da construção de jogadas e tentar trocas de passes e aproximações pelo meio, enquanto que Webó fica mais fixo para receber passes e enfiadas de bola entre os zagueiros adversários. 
Na saída de bola, o primeiro-volante Matip geralmente se aproxima dos zagueiros e cria uma linha de passe na faixa central, enquanto que os laterais avançam pelos lados e dão opção para a abertura de jogada. É comum o recuo dos “carrilleros” para auxiliar Matip e quando o adversário intensifica a pressão, o time roda a bola de um lado pro outro no campo de defesa e os zagueiros tentam encontrar uma boa opção de passe mais à frente. Sem a posse de bola, Camarões tem o costume de subir suas linhas, adiantando da linha de defesa até proximidades do grande círculo central, colocando em torno de 4, 5 ou até 6 jogadores dentro do campo inimigo e combatendo a saída dos laterais adversários com o “carrillero” do setor da bola ou com um dos atacantes. Na fase de defesa organizada, caracteriza-se pelo recuo dos “carrilleros”, alinhando-se com o primeiro-volante Matip e formando um tripé fechado e que mantém proximidade em relação à linha de defesa. Quando o adversário ataca pelos lados, o “carrillero” do lado da bola pode abrir e dar o primeiro combate, e o primeiro-volante Matip também pode flutuar para o lado da jogada. Em jogadas direcionadas para o fundo do campo, o lateral do setor sai para o combate e o do lado oposto fecha no miolo de zaga e sobe para tentar afastar o perigo no segundo pau, em caso de cruzamento para a área. De modo geral, podemos dizer que nesse esquema, 7 jogadores lutam mais diretamente pela recuperação de bola na transição defensiva, enquanto que os outros três (Makoun, Eto’o e Webó) já apresentam preocupações ofensivas. 
O 4-2-3-1 foi o esquema adotado na vitória por 4 a 1 contra a Tunísia. Nesta partida, Camarões garantiu a classificação para a Copa do Mundo. Este esquema caracteriza-se pela intensa movimentação do meio pra frente, num verdadeiro sistema de rotação, com Eto’o e Moukandjo sendo incisivos pelos lados, procurando a diagonal, invertendo de posição e centralizando para auxiliar na armação. Eyong transitava entre as intermediárias e se aproximava bastante do quarteto ofensivo, enquanto que Song era mais participativo na saída de bola, recuando até o campo de defesa e dando opção de passe aos zagueiros. Defensivamente, busca-se marcação adiantada, em bloco médio-alto, com Eyong adiantando o bote e alinhando-se com os três meias por dentro, Webó saindo pro primeiro combate mais à frente, wingers subindo para tentar o bloqueio à saída dos laterais adversários, enquanto que Eyong e Makoun buscam o fechamento das linhas de passe centrais. Nessas ocasiões, Song fica contido entre as linhas de defesa e meio.
O México, atual campeão olímpico, esteve a poucos minutos de ficar de fora da Copa do Mundo. A seleção tricolor teve a chance de ir a repescagem graças ao empate agônico dos Estados Unidos frente ao Panamá na última rodada. Um processo conturbado que resultou na demissão de dois de seus treinadores: José Manuel de La Torre e Victor Vucetich. Na classificação final, o México terminou no quarto lugar do hexagonal final das eliminatórias da Concacaf – atrás de Estados Unidos, Costa Rica e Honduras. 
Miguel Herrera assumiu o comando de La Tri, pouco antes do confronto frente a Nova Zelândia pela repescagem. Atendendo a pedidos da torcida e de boa parte da imprensa azteca, Herrera armou uma seleção sem jogadores que atuavam no exterior. Com 8 jogadores do América e 3 do León, o México atropelou o selecionado da Oceania com duas acachapantes goleadas. O sistema tático escolhido foi o 3-5-2 – que varia para um 5-3-2 com o retrocesso dos alas. Na última data Fifa – 0 a 0 contra a Nigéria – Herrera acabou reincorporando alguma das estrelas que atuam na Europa – Ochoa, Guardado, Javier Aquino e Chicharito Hernandez. 
O goleiro Guillermo Ochoa do Ajaccio da França, vai a seu segundo mundial assumindo o posto, que na repescagem, foi de Moises Muñoz. O trio de zagueiros tem o veterano Rafa Marquez como líbero; Diego Reyes do Porto – campeão olímpico em Londres – e Hector Alfredo Moreno do Espanyol de Barcelona completam a defesa como stoppers. O ala/lateral direito é Paul Aguilar de 28 anos, que atua no América do México, ao passo que o ala/lateral esquerdo é o talentoso Andres Guardado do Bayer Leverkusen. 
O meio campo conta com Juan Carlos Medina do América como o principal responsável pela recuperação da posse de bola. Os talentosos Hector Miguel Herrera – campeão olímpico em Londres – e Luis Montes do León formavam a dupla de armadores do selecionado azteca. Porém Montes se lesionou e Aquino assumirá a vaga no meio campo. A dupla de ataque será formada por Chicharito Hernandez e Oribe Peralta do Santos Laguna – carrasco brasileiro na final olímpica. O jovem e talentoso Alan Pulido do Tigres de Monterrey vem ganhando terreno na briga pela ultima vaga do ataque.
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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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