Brasil 3×1 Croácia – Quando o talento descomplica

O hino nacional cantado a capela não se juntou a uma pressão fulminante para desestabilizar o adversário e abrir o placar logo no inicio, como na Copa das Confederações. Todo mundo sabia do potencial do time de Niko Kovac, comandado por Luka Modric e Rakitic, enormes talentos do futebol europeu, no meio campo. A Croácia não sentiu o clima e na verdade se sentiu em casa. Fechando os espaços e contando com um jogo proposto a partir de seus dois meias, que tem como características o passe vertical que quebra a defesa e a condução de bola que acelera e desacelera o jogo. 

Foi assim que Rakitic evoluiu as costas de Paulinho e serviu Olic que cruzou e viu a bola desviar em Jelavic e Marcelo até morrer no fundo do gol de Julio César. Foi um susto tremendo e o Brasil sentiu o gol croata. Foram minutos de uma seleção desentendida, sem calma e com Neymar tentando resolver tudo. A execução do 4-2-3-1 de Kovac era nitidamente superior ao conjunto brasileiro, Modric e Rakitic alternavam a subida e sempre pegavam uma defesa desguarnecida, principalmente pelos lados do campo. Para compensar, Felipão recuava Luiz Gustavo como um terceiro zagueiro para ter uma sobra.

Paulinho começou a subir e o Brasil ganhou corpo no ataque. Neymar centralizado chamava a responsabilidade, mas Hulk, Oscar e Paulinho ainda faziam um jogo tímido. Quando Oscar se juntou a Neymar para resolver, o Brasil descomplicou. O meia que saiu do meio para jogar pela ponta ganhou no “pé de ferro” e serviu Neymar que bateu cruzado para empatar o jogo. Senha para o Brasil crescer e ir pra cima, foi hora da Croácia administrar o resultado e arrumar a casa no intervalo. 

A Croácia foi superior taticamente no primeiro tempo, em alguns momentos o Brasil se mostrou travado e muito dependente de Neymar. 

Na etapa final o Brasil encontrou linhas contidas, que esperavam um contra-ataque. Sem espaços e sem poder de infiltração, Felipão chamou Hernanes para o arremate de fora e Bernard para a velocidade em diagonal, sacando Paulinho que foi pouco útil na transição, muito pela imposição do meio croata, e Hulk que bem marcado pouco participou. Oscar achou Fred que se jogou e ganhou o pênalti. Mal marcado e mal batido, Neymar quase parou em Pletikosa que espalmou para a rede. 

Com Brozovic e Rebic nas vagas de Kovacic e Jelavic a Croácia ganhou velocidade e presença no campo ofensivo, Modric e Rakitic voltaram a controlar a posse e os croatas levaram perigo. Em duas finalizações nos últimos cinco minutos Julio César teve que trabalhar.

Felipão sacou Neymar e colocou Ramires, sinalizou o 4-4-1-1 que pareceu um 4-1-4-1 algumas vezes. Oscar partia da ponta para o meio para centralizar as jogadas, Ramires recuava pela esquerda, Bernard pela direita e Hernanes se alinhava a Luiz Gustavo. Fechando as linhas para negar espaços aos criativos croatas.

No último pique, Oscar recebeu no meio de dois, equilibrou a passada e consagrou sua exibição com um chute de bico no cantinho de Pletikosa. De contestado e futuro reserva a melhor em campo na abertura do Mundial, Oscar fez um trabalho tático brilhante e Felipão um emocional fora de serie. Por isso, o talento descomplicou. Mas da pra sofrer menos.

Na reta final Hernanes e Ramires equilibraram o time e Oscar resolveu. 
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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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