Com bolas longas e velocidade a Holanda humilha uma Espanha perdida defensivamente

As propostas na Bahia de todos os santos eram bem claras: a Espanha queria a posse, já a Holanda preferia o contra-ataque em profundidade para o trio de ferro Sneijder, Robben e Van Persie decidir.
Del Bosque não veio de 4-3-3 com falso nove. Com Busquets e Alonso a frente da zaga ele procurou aliar marcação firme a toque preciso para chegar ao trio capitaneado por Xavi e que ainda tinha Iniesta e Silva abertos, mas procurando muito o centro das ações. No comando de ataque o vaiado Diego Costa trazia uma nova proposta ofensiva aos espanhóis, com mais verticalidade nas ações.
O 4-2-3-1 da Espanha em fase ofensiva, com apoio de Alba pela esquerda. No primeiro tempo, La Roja foi melhor, dominou, mas falhou no momento H.

Porém a primeira chegada foi holandesa, no estilo de Van Gaal: Robben ficou com a sobra do lançamento e achou em meio a uma defesa aberta um belo espaço para colocar Sneijder na cara do gol, o movimento do meia, porém, não enganou Casillas que ficou em pé para fazer a defesa. Foi só. 

Dai a frente à Espanha dominou. David Silva em uma das suas incursões pelo meio, tocou para Xavi que colocou Diego Costa na cara do gol, o atacante cortou De Virj e deslizou junto ao zagueiro. Pênalti mal marcado e bem batido por Alonso para fazer um a zero. A chance para ampliar o placar veio dos pés de Iniesta, que em um passe mágico achou David Silva, que preferiu a cavadinha ao passe para o lado e perdeu uma chance cristalina. 
Robben e Van Persie tem uma movimentação muito interessante no 3-4-1-2 da Holanda. Na Espanha, Silva flutuo pelo meio e perdeu uma chance mais clara na bola de Iniesta.
O castigo veio um minuto depois. Blind ariscou o lançamento e além de Van Persie, acho uma defesa adiantada e mal posicionada. Peixinho do camisa nove para encobrir Casillas em um belíssimo gol. Senha para a Holanda voltar confiante em um novo lançamento de Blind, Robben fez a diagonal e recebeu antes de Ramos e no tempo certo para cortar Pique e virar o jogo. 
A Espanha sentiu e o domínio do primeiro tempo sumiu. A posse de bola foi abaixando, abaixando até ficar em 58% a 42%. Porém com uma efetividade imensa do selecionado de Van Gaal. No momento em que a Espanha se lançou ao ataque, a Holanda teve o jogo que quis: marcação firme e compacta e contra-ataque em velocidade com Robben. Foi assim na bola que Van Persie colocou na trave.
Na falta cobrada por Sneijder, Van Persie dividiu com Casillas em uma aparente falta, De Virj que não tinha nada com isso empurrou para o fundo do gol. Del Bosque resolveu mexer: sacou Alonso e Diego Costa e colocou Torres e Pedro, tentando mudar algo na dinâmica roja. Em vão. Casillas se atrapalhou com a grama molhada na bola recuada por Ramos e Van Persie se aproveitou, roubou e ampliou o placar. 
O 3-4-1-2 da Holanda tem um formatação interessante que busca o contra-ataque em velocidade para o trio de frente decidir. 
Van Gaal sacou o pregado e amarelado De Guzman e colocou Wijnaldum. Mantendo o 3-4-1-2 que foi aplicado contra a Espanha remodelada no 4-3-3 quando Fàbregas entrou na vaga de Silva. Iniesta e Xavi foram recuados, e o agora meia do Chelsea abriu pela esquerda com Pedro pela direita e Torres a frente. 
Weltman recompôs na defesa no lugar de De Virj e Lens deu velocidade à frente na vaga de Van Persie. A Espanha tentou subir e novamente foi pega no contra-ataque, bola fantástica de Sneijder para Robben ela atravessou o campo e ele foi atrás, em uma velocidade enorme, para dominar, deitar Casillas duas vezes e fechar o caixão da atual campeã. O sexto quase saiu com Wijnaldum e depois com Robben, mas Casillas foi enorme. Evitando um vexame ainda maior.
A vitória holandesa mostra bons valores táticos e técnicos de uma seleção renovada que alia velocidade, marcação compacta e um contra-ataque mortal, que escancarou os problemas defensivos de uma Espanha que terá de correr atrás do prejuízo.
No fim a Espanha tentou se soltar, mas o imprevisível Robben matou o jogo na individualidade. 
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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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