Forte pelos lados, México larga com o pé direito

Miguel Herrera surpreendeu com Chicharito na reserva e Giovanni dos Santos ao lado de Peralta no ataque mexicano, o meia do Villarreal tinha a missão de flutuar entre as linhas para criar as jogadas de perigo. Claro que com apoio de Aguilar e Layún pelos lados e Herrera e Guardado pelo meio, deixando Vazquez mais atrás no 3-5-2 do México que virava 5-3-2 sem a bola. 

Com posse de bola e paciência para infiltrar, os latinos dominaram os camaroneses no primeiro tempo. 62% de posse de bola e o domino total do território mostraram a fragilidade do 4-1-4-1 dos africanos. Song fazia o trabalho de marcação entre as linhas cuidando de Giovanni dos Santos, a marcação frouxa e as avenidas pelos lados do campo fizeram o México criar e até ter dois gols maus anulados ainda no primeiro tempo. Em nova tarde de lances polêmicos e uma arbitragem que segurou demais os cartões. 
Finkel equilibrou o jogo na metade do primeiro tempo e isso só foi possível porque Choupo-Moting e Moukandjo começaram a acompanhar as descidas dos alas mexicanos. Um time mais compacto lá atrás, deixou Eto’o mais isolado à frente e mesmo com as tentativas de Mbia os africanos eram pouco criativos. 
O México foi melhor, sempre pelos lados complicando a vida de Camarões. 
O segundo tempo seguiu o mesmo roteiro, porém com mais chuva e faltas. Foram 23 no total. O destaque foi para o gramado da Arena das Dunas, que segurou o diluvio com uma ótima drenagem e permitiu alguma fluidez ao duelo. Se o número de finalizações havia sido baixo no primeiro tempo, o do segundo subiu: foram 19 no total. 
O mais certeiro deles foi na jogada de Herrera, que tabelou com Peralta e colocou Giovanni na cara do gol, Itandje até salvou a primeira, mas deitado viu Peralta colocar justiça ao placar. O prejudicado México jogava melhor, sempre explorando as fragilidades de Camarões e em uma delas conseguiu seu gol. A troca rápida de passes foi fatal.
Com o gol, Camarões saiu, subiu a marcação e o México aceitou com muita facilidade. Mbia começou a se soltar e tinha espaços às costas de Guardado, com isso Miguel Herrera o sacou e colocou Fabian para reforçar o meio com folego para defender e atacar. 
Já Finkel, que havia colocado Nounkeu na vaga de Djeugoue para fechar o lado direita da defesa, foi pra cima com Webó na vaga de Song. Desarmando as linhas de quatro com um volante no meio delas e remodelando o time em um típico 4-4-2 com velocidade pelos lados e força a frente. Força que não se traduziu em gol. 
O 4-4-2 camaronês não teve ideias para furar o bloqueio mexicano e levou perigo apenas uma vez. 
Nos minutos finais os mexicanos se fecharam com uma linha cinco atrás, que abdicou do ataque e contou com Ocha para salvar a cabeçada de Moukandjo. O México sofreu com a arbitragem, a superou e bateu a fraca seleção de Camarões. O Brasil precisa tomar alguns cuidados como a força pelos lados, mas os mexicanos não devem ser mais duros que os croatas, porém brigaram por uma vaga junto a eles.
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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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