Em tempos distintos o Chile mostrou sua velocidade e seus problemas defensivos

A estreia do Chile contra a frágil Austrália pode ser dividida em duas partes. A primeira começa antes do jogo, no emocionante e inesperado hino cantando a capela pelos chilenos que lotaram a Arena Pantanal e empurram um time que começou em cima. Já a outra pode ser contada pelo segundo tempo, onde as fragilidades de zaga chilena foram expostas e o empate quase saiu.
 
Com Vidal voltando de lesão, Sampaoli optou pelo 4-3-1-2 ao 3-4-3 que usa variavelmente. Nessa formatação, Aranguiz dividia as responsabilidades da armação chilena em um começo fulminante, que teve linhas adiantadas e pressão sem a bola, precisando de apenas onze minutos para abrir o placar. Na bola virada de Vidal para Aranguiz, o meia do Inter fez a jogada dentro da área, cruzou e viu Sanchez abrir o placar após o bate rebate. 
 
A intensa movimentação de Sanchez e Vargas abertos, com o apoio dos laterais, confundiu a marcação australiana. Na entrada em velocidade de Sanchez a defesa foi nele e se enganou com a diagonal de Vargas, deixando Valdívia livre. Bola no camisa dez e chute sobre Ryan para fazer o segundo. O inicio dos sonhos era comandado desde de trás, com a saída de Mena e Isla, e o recuo de Diaz para armar junto aos zagueiros.
 
O 4-3-1-2 do Chile foi perfeito nos primeiro minutos, mas cansou com tanta intensidade. 

Mesmo recuando seu 4-2-3-1 em duas linhas, a Austrália estava perdida, envolvida com o jogo. Leckie e Oar não avançavam nos espaços deixados por Isla e Mena. E o time de Postecoglu demorou a perceber que o jogo era pelos lados, com centros para Cahill brigar com a zaga de baixa estatura formada por Jara e Medel. 
 
O forte calor de Cuiabá fez o Chile cansar, o ritmo diminuiu e a Austrália começou a construir seu jogo com paciência. Quando percebeu o caminho foi fatal, Franjic achou Cahill na área e a marcação de Medel não foi o suficiente para evitar que o veterano diminuísse o placar de cabeça. 
 
À volta para o segundo tempo trouxe propostas “invertidas”: a Austrália foi pra cima e o Chile viveu momentos de tensão. O trio Valdivia, Sanchez e Vargas cansou e o meia Vidal sofreu com a falta de ritmo e a recente lesão. Por outro lado, Bresciano começou a aparecer e a Austrália gostou do jogo aéreo. Foram três cruzamentos, em dois Cahill levou perigo, chegando a marcar impedido em um, já no outro Bresciano pegou de primeira e fez Bravo trabalhar. A Austrália finalizou mais: 13 a 11! E cruzou mais bolas também: 18 a 13… Mas não conseguia o empate. 
 
O tempo foi passando e Postecoglou mexendo. Depois de sacar Franjic machucado ele tirou Oar que pouco criou e Bresciano que cansou, Com Troisi e Halloran tentou dar velocidade as ações. E viu um inquieto Sampaoli fechar o time com Gutierrez na vaga de Vidal e Beasejour na de Valdivia. 
 
No fim o Chile armou um 4-3-3 para segurar a bola a frente.

No 4-3-3 o Chile buscou compactar os setores, segurar a bola e diminuir o risco do gol adversário. No fim, Pinilla que entrou na vaga de Vargas parou em Ryan e Beausejour aproveitou o rebote para matar o jogo e colocar o Chile a frente em um dos grupos da morte.
 
Três pontos importantes. Para o duelo contra os espanhóis, Sampaoli precisará organizar a defesa e dosar o nível de pressão para não desgastar seus atletas com facilidade, uma vitória sobre a atual campeã a elimina e coloca o Chile nas oitavas.
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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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