Os três a zero enganam, mas a Colômbia pode ir longe

Sem Falcão Garcia, Pekerman apostou em Ibarbo a esquerda do 4-2-3-1 que começou o duelo contra a Grécia, no Mineirão, mandando no jogo. A dobradinha James Rodriguez-Cuadrado foi o diferencial colombiano nos primeiro minutos, e dos pés deles saiu o primeiro gol: Cuadrado recebeu no flanco e cruzou para James que deixou passar e viu Armero desviar para anotar. 

Foram iniciais minutos de pressão colombiana, que não deixava a Grécia respirar e nem tentar a saída de bola. Holebas e Torosidis estavam pressos lá atrás e Kone não criava. Com isso o trio de frente ficava isolado. Restava a Samaras e Salpigidis, os pontas, recompor um 4-1-4-1. A Grécia foi ajeitando a marcação e achando o jogo aos poucos.

Os colombianos cansaram, tanto pela alta intensidade, quanto pelo forte calor de BH… E recuaram! o contra-ataque não foi a tônica, pois a Grécia mandou no jogo dos vinte minutos até o fim do primeiro tempo. Os laterais começaram a subir, Kone a chegar de trás armando e os atacantes usaram os lados. Em uma das incursões, Samaras fez Ospina trabalhar, em outra boa trama, Kone quase empatou o jogo em mais uma ótima defesa do goleiro colombiano.
O domínio grego esteve aparente nas estatísticas ao fim da etapa inicial: 57% a 43% na posse de bola, 7 a 5 nas finalizações e 3 a 1 para a Ospina em defesas, que trabalhou mais. A Grécia mereceu um empate que não veio.

A Colômbia dominou com velocidade nos primeiro minutos, mas depois recuou e viu a Grécia crescer no jogo.
A etapa final não teve a Grécia em cima em seu começo e mesmo sem pressiona, a Colombia ampliou sua vantagem: na bola cruzada por James, Yepes desviou na primeira trave e Teófilo Gutierrez empurrou para as redes. Fernando Santos resolveu mudar: sacou o apagado Salpigidis e colocou Fetfatzidis para dar velocidade ao flanco direito, em cima de Armero. 
No centro de Kone, Torosidis acreditou e desviou para dentro da área, onde Gekas, livre, cabeceou no travessão. Foi a chance mais clara de uma Grécia que recuperava o protagonismo e se lançava ao ataque com Mitroglou na vaga de Gekas, minutos depois. Samaras foi para a referência com Mitroglou e Fetfatzidis abertos. O crescimento grego fez Pekerman começar a mudar. Primeiro com Mejía, que reforçou a marcação na vaga de Aguilar, e Arias fechou a lado esquerdo no lugar de Armero, já que Fetfatzidis incomodava por ali. 
Enquanto Pekerman mexeu, também, na referência com Jackson por Teo, Fernando Santos trocou o cansado Kone e colocou o veterano Karagounis. Os panoramas táticos não mudaram, porém a Grécia pressionava e a Colômbia se retraia em linhas de quatro, mas que não tinha a puxada pelos lados com Ibarbo ou Cuadrado.

A Grécia foi melhor no segundo tempo, a Colômbia foi mais efetiva: duas chegadas, dois gols. 
Após 52% de posse de bola e 12 finalizações, os gregos viram James Rodriguez aproveitar a única jogada incisiva de Cuadrado e Zuñiga, no segundo tempo, para fazer o terceiro e levantar aos mais de 57 mil torcedores no Mineirão, a grande maioria deles colombianos.
Os três a zero enganam pela elasticidade, a Colômbia foi muito mais inconstante do que pareceu, abdicou dos ataque no segundo tempo e assistiu a pressão da limitada Grécia, que mesmo com todas as dificuldades quase fez do limão uma limonada. Para a sequência da Copa, um jogo mais continuo pode ser a chave do sucesso colombiano.
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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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