Ineficiência ofensiva marca bom jogo entre São Paulo e Flamengo

Os primeiros vinte e cinco minutos do jogo no Morumbi, tal como 2/3 da partida, foram de domínio e controle do São Paulo. Ricardo Gomes foi feliz ao contrariar as prévias e desfazer o que havia feito nos últimos jogos. De volta ao 4-1-4-1, o tricolor conseguiu travar meio e laterais do rubro negro, dominando a partir de triangulações que buscavam o fundo para diagonais ou bolas cruzadas na área. 

Wesley, Thiago Mendes e Hudson não foram altamente precisos na transição, tão menos efetivos no terço final. Mas puderam amarar o jogo de Willian Arão e Diego, que ficaram distantes e sem se associar deixaram morrer um pouco da armação carioca. Dos meias do São Paulo, a bola curta para Cueva ou Kelvin, para a partir do lado buscarem soluções para finalizar ou municiar Chavez – foram quatro arremates dos donos da casa no primeiro tempo, porém todos longe da meta de Muralha. Além de 17 cruzamentos com apenas quatro acertos. 
São Paulo se aproximando para trocar passes e fazer as transições meio-ataque. Reprodução: Premiere 
Ter dois homens bem abertos e incisivos para marcar, preocupou Rodinei, Jorge e Zé Ricardo. Os laterais do Flamengo estiveram bem contidos, presos no primeiro tempo. Quase nenhum avanço até o campo do adversário, o que atrapalhou o time carioca na transição ofensiva. Porque se Diego e Arão eram bem vigiados, os laterais poderiam ajudar a colocar o time para frente, como contra o Cruzeiro quando o rubro negro até abusou dos cruzamentos. 

Com os 58% de posse da etapa inicial, os visitantes tiveram todas as dificuldades já citadas, mas conseguiram chegar a meta de Denis. Os responsáveis por essa armação? Everton e Gabriel. Pontas que se multiplicaram para cobrir as ausências ofensivas dos laterais e ajudarem os meias de dentro a girar a bola. Foram apenas 19 erros de passe no primeiro tempo, mas 23 bolas lançadas ao campo do tricolor paulista. 
São Paulo bloqueando centro e lados do campo, Gabriel e Everton aparecendo para jogar no meio campo – Reprodução: Premiere

A volta do intervalo trouxe um novo São Paulo para o jogo. Adiantando suas linhas, marcando e roubando no campo do Flamengo e dificultando ainda mais a saída do time carioca, agora com esse espaço reduzido e não mais a distância entre os jogadores. Outra vez a estratégia com a bola era buscar o fundo e cruzar para Chavez ou quem pudesse chegar de trás. 
São Paulo fechando as linhas de passe do Flamengo – Reprodução: Premiere
Fernandinho e Leandro Damião entraram nas vagas de Gabriel e Guerrero e incendiaram o Flamengo no jogo. A partir da esquerda, o ponta ganhou a companhia de Jorge, que começou a subir, e os visitantes criarem. Na referência, o centro avante quase abriu o placar no centro de Rodinei – evidenciando que os laterais estavam mais soltos. 
O crescimento do time carioca, com direito a avanço dos laterais antes mais contidos, coincidiu com o momento em que Ricardo Gomes soltou um pouco mais o São Paulo. Com Michel no lugar de Thiago, Cueva no centro e o time de volta aos 4-2-3-1. Luiz Araújo por Kelvin foi a última cartada para reativar o tricolor na velocidade. Enquanto Zé Ricardo completou as mudanças na frente ofensiva – lados e referência – com Alan Patrick na vaga de Everton, sempre com um ponta armador e um mais incisivo. Conceito. 
Mais reativo então, o São Paulo teve a chance do jogo com Chavez. Cara a cara com Alex Muralha, com tempo para pensar e concluir, o argentino parou no goleiro rubro negro. A única finalização certa dos mandantes em nove tentativas. Enquanto o Flamengo acertou duas de oito. Mais cruzamentos (31) e desarmes (21) do tricolor. Mais lançamentos (47) e passes certos (370) dos cariocas. 
Panorama final no Morumbi – Reprodução: Tactical Pad
Gols perdidos como os de Leandro Damião e Chavez marcaram o duelo no Morumbi. Ineficiência ofensiva. Tanto dos avantes que perderam chances cristalinas, como de quem criou 17 finalizações de lado a lado que só reproduziram três chances certas. Ainda assim, um bom jogo. Conceitos bem definidos no Flamengo, com alguns erros na execução. Alma para disputar grandes jogos no São Paulo, também com boas praticas de seu treinador. 
Dados estatísticos: footstats.net

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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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