Frente ao bom time do Cruzeiro, Palmeiras de Cuca teve mais sorte do que juízo

Os primeiros quinze minutos do jogo em Araraquara foram frenéticos. Cruzeiro e Palmeiras alternaram o domínio avançando suas linhas e atacando o campo do adversário. Os mineiros tentando um jogo mais direto, com 27 lançamentos e 24 erros na primeira parte, enquanto os paulistas tentavam sair com passes, tendo Tchê Tchê e Moisés próximos a Thiago Santos, que “afundava” entre os zagueiros para a saída de três:
Palmeiras saindo pelo chão, com Tchê Tchê e Moisés dando opção para Thiago Santos – Reprodução: Premiere
No terço final, uma movimentação avassaladora de Dudu e Roger Guedes partindo dos lados, com Gabriel Jesus por dentro, na referência. Os laterais também apoiavam, com Moisés e Tchê Tchê, esse mais preso, alternando o suporte como elemento surpresa. Os trinta minutos seguintes da primeira etapa foram do líder do campeonato. 

55% de posse de bola para “os donos da casa”, com 10 a 5 em finalizações. Se faltou ser efetivo do lado palestrino, na raposa poucas bolas apareceram para Rafael Sóbis, Robinho e Rafinha armar. O trio de meias do Cruzeiro também buscou se mexer, mas os encaixes individuais, desta vez bem executados pelo time de Cuca, não permitiram ações com a bola.
Palmeiras encaixando a marcação e negando possibilidade de troca de passes ao Cruzeiro – Reprodução: Premiere.
Mano entendeu a tônica do jogo no plano para o segundo tempo. O Cruzeiro voltou do intervalo ainda mais móvel, trabalhando uma saída em passes, sem tantos lançamentos como na primeira parte, e encontrando espaços nos encaixes de um Palmeiras que não conseguiu sair de trás. Foram 26 lançamentos do time de Cuca no segundo tempo. 

Mas antes de despejar a bola para frente sem tanto sentido, o técnico tentou mudar. Primeiro com Rafael Marques no lugar de Roger Guedes, depois com Cleiton Xavier na vaga de Dudu, quando o domínio já era celeste e Zé Roberto havia salvo um gol de Robinho sobre a linha de Jaílson. A última foi Alecsandro no lugar de Moisés, remodelando o time no 4-2-3-1 e tornado o já extenuado Gabriel Jesus em homem de lado. Tornando seguro dizer que o time perdeu a velocidade e a possibilidade de transição com bola no pé.
Cruzeiro aproveitando os encaixes do Palmeiras com movimentação – Reprodução: Premiere
Outra vez o comandante do Cruzeiro leu bem. Com o Palmeiras cansando e cedendo espaço, apostou em Willian no lugar de Ábila, com uma referência mais móvel e menos definidora. Natural, precisava de “pés que participassem da construção”. 

Conseguiu controlar o jogo e chegar a frente com as melhores possibilidades, sem sofrer na retaguarda. Quando percebeu que o empate estava próximo de ser assegurado, reabasteceu o meio com Ariel Cabral no lugar de Sóbis, montando um momentâneo 4-1-4-1. Compactação para conter um possível abafa dos paulistas.
Cruzeiro posicionado no 4-1-4-1 com as mudanças de Mano – Reprodução: Premiere
Porém, quando Mano percebeu que tinha espaço para vencer o jogo no contra-ataque e que o abafa do Palmeiras não era tão efetivo assim, sacou Robinho e colocou Arrascaeta. Desenhando quase que um losango nos momentos finais, com o uruguaio armando por dentro e Rafinha e Willian como flechas pelos flancos. Assim, o camisa nove balançou a trave de Jaílson na última do Cruzeiro. 

Novamente o Palmeiras não jogou bem, mas desta vez não conseguiu também ser efetivo. Apenas duas finalizações certas das 12, enquanto o Cruzeiro pecou no mesmo sentido com três acertos em 14 tentativas.

As mudanças de Cuca descaracterizaram o time, que perdeu a fluência na saída, a intensa marcação e a velocidade pelos flancos, para ter um meia e um atacante mais fixos e inertes. Dentro do contexto, o empate foi bom para o Cruzeiro que, há quatro pontos do Z4, tem dois confrontos em tese tranquilos pela frente, confirmando a impressão de que não brigará contra o descenso até o fim. 

Jogando mal seguidamente, o Palmeiras teve mais sorte de que juízo em Araraquara. É preciso recuperar o padrão logo. 
Panorama tático do final da partida – Reprodução: Tactical Pad.
Dados estatísticos: footstats.net 
Facebook Comments

Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *