O abismo de confiança entre Santos e São Paulo

Ricardo Gomes planificou o jogo do São Paulo no clássico contra o Santos de acordo com a realidade de seu time. A realidade de uma equipe inferior a seu adversário, que tentava resgatar a confiança e se afastar da parte perigosa da tabela. 

Na escalação, Robson foi a grande surpresa na vaga de Kelvin. Com a ineficiência do ponteiro que caiu demais de rendimento em relação ao inicio da temporada, o comandante apostou em um homem aberto, que trabalharia da ponta para o centro nas costas dos volantes, como Cueva, indisponível de início, faria. 

Do outro lado, Carlinhos era o extremo que tinha a missão de chegar ao fundo e buscar Chavez em algum centro. Padrões da era Bauza. Porém, além dessas alternativas e algumas chegadas de Buffarini, com a bola, o São Paulo precisava de homens que se projetassem de trás. Nem Hudson, tão menos Thiago Mendes ou Wesley – esses de bom arremate – fizeram esse papel. 
São Paulo no 4-1-4-1 no Pacaembu – Reprodução: Premiere 
No Santos, poucas mudanças em relação ao padrão que Dorival Junior implantou ao time há mais de um ano. Jean Mota na vaga de Victor Bueno deu outra dinâmica a linha de três, pois é menos incisivo e trabalha mais a armação ao lado de Lucas Lima, com a chegada de Thiago Maia. Do outro lado, Copete é o jogador que pisa a área, ataca o espaço e vai em direção ao gol. Não à toa, foi o dono das duas finalizações certas do peixe, uma que vazou o goleiro Denis.
Santos postado no 4-2-3-1, com Jean Mota e Copete compactando a segunda linha – Reprodução: Premiere. 

Mas antes de abrir o placar e até mesmo depois disso, o Santos teve uma grande dificuldade para jogar no Pacaembu. Porque o plano de Ricardo Gomes era fechar os espaços do time da Vila, preenchendo bem o meio fechando as linhas de passe e vez ou outra até subindo a marcação para negar possibilidade de transição desde o início do campo. Faltou intensidade ao Santos.  
O São Paulo até certo ponto foi efetivo na ideia e a sacada do comandante inteligente. Mas, quando tinha a bola era muito pouco efetivo. Fosse pelos problemas para criar, pela falta de repertório ou até mesmo de confiança, elementos chave no futebol. O tricolor errou 10 das 15 finalizações – muitas delas já no abafa -, errou também 25 dos 32 cruzamentos, além de 27 dos 32 lançamentos. Baixo aproveitamento com os 52% de posse de bola.
São Paulo avançando as linhas para pressionar a saída do Santos – Reprodução: Premiere.
A lesão de Carlinhos fez Ricardo apostar em Kelvin, que alternou com Robson a ponta e ajudou na recomposição que mudava o desenho do time em campo. Porque o meia que veio do Paraná centralizava em vários momentos e para o time não ficar descompensado sem bola, Wesley abria e o ponteiro fechava o corredor oposto:

São Paulo variando para duas linhas de marcação – Reprodução: Premiere.

O gol de Copete mostrou outra face conhecida do São Paulo. Um time que desmancha emocionalmente logo depois de ser vazado. Quinze minutos após o tento santista, a entrada de Cueva ascendeu um pouco o time, que naturalmente foi para o abafa. Povoando a equipe do meio para a frente, Jean Carlos ganhou a vaga de Hudson. 
 

Dorival aceitou e encolheu o Santos, Yuri no lugar de Lucas Lima redesenhou o time no 4-1-4-1 com o ex-jogador do Audax entre as linhas. Copete e Jean Mota foram nada reativos com bola e Ricardo Oliveira foi mais útil na bola aérea defensiva. Nos minutos finais, Fabian Noguera ganhou o lugar de Renato para reforçar o time pelo alto. Importante no abafa desordenado e sem confiança do São Paulo.

Pelo que foi o jogo, o tricolor até mereceu um resultado melhor, quem sabe um ponto no Pacaembu totalmente são paulino. Mas a pouca inteligencia para criar do time até ordenado por Ricardo Gomes confirmou o abismo de confiança entre uma equipe que precisou de uma finalização certa em cada tempo para marcar, enquanto outra não suspirou em nenhuma das 15. 

A tabela e principalmente a incompetência dos rivais indica que o São Paulo vai se salvar do rebaixamento, mas só nas rodadas derradeiras. Pro Santos, a vitória sem jogar bem indica o caminho de um time que padrão afinadíssimo, que dificilmente perderá seu posto entre os quatro melhores. 

Dados estatísticos: Footstats.net
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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

3 comentários em “O abismo de confiança entre Santos e São Paulo

  • 14 de outubro de 2016 em 12:39
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    As vezes não consigo entender o que se passa na cabeça de um treineiro.

    A análise começa enfatizando que Tricolor entrou com que tinha de melhor e Kelvin em má fase no banco; Carlinhos jogando no meio? No banco, dois meias, João Schmidt e Jean Carlos. Machuca Carlinhos, quem vai para o jogo? Kelvin!

    Sinceramente, a diretoria tricolor tem o treinador que merece; e nós são paulinos a sofrência desnecessária

    Resposta
  • 14 de outubro de 2016 em 13:25
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    As vezes não consigo entender o que se passa na cabeça de um treineiro.

    A análise começa enfatizando que Tricolor entrou com que tinha de melhor e Kelvin em má fase no banco; Carlinhos jogando no meio? No banco, dois meias, João Schmidt e Jean Carlos. Machuca Carlinhos, quem vai para o jogo? Kelvin!

    Sinceramente, a diretoria tricolor tem o treinador que merece; e nós são paulinos a sofrência desnecessária

    Resposta
  • 14 de outubro de 2016 em 13:25
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    As vezes não consigo entender o que se passa na cabeça de um treineiro.

    A análise começa enfatizando que Tricolor entrou com que tinha de melhor e Kelvin em má fase no banco; Carlinhos jogando no meio? No banco, dois meias, João Schmidt e Jean Carlos. Machuca Carlinhos, quem vai para o jogo? Kelvin!

    Sinceramente, a diretoria tricolor tem o treinador que merece; e nós são paulinos a sofrência desnecessária

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