A estratégia de Guardiola e o poder de fogo do Barcelona

Pep Guardiola pensa futebol de um jeito bem peculiar. Não é dos que se adapta ao adversário, trabalhando de uma maneira em casa e outra fora – modelo válido também, já que cada técnico tem seu modo de planejar um jogo.  E em poucos meses no City, o time já tem muito de seus traços e personalidade, mas obviamente ainda tem uma margem de crescimento grande. É uma equipe em construção – e da pra dizer até que constante. Contudo, enfrentar um Barcelona, com modelo de jogo enraizado e craques como Messi nunca será fácil. E o gênio catalão já sofreu com isso na última visita ao Camp Nou. 


Mas nem por isso quis fazer qualquer tipo de revisão no trabalho praticado ou ajustar seu time ao jogo de Luís Enrique. Manteve a essência que busca dar ao Manchester City e que com naturais percalços vem dando certo. Em Barcelona, a escolha foi por uma defesa com linha de quatro, tendo Gundogan e Fernandinho para qualificar a saída, além de De Bruyne na referência no lugar de Sérgio Aguero, artilheiro da temporada com 11 gols em 10 jogos. 
Entendeu que a mobilidade do belga agregaria mais na construção, além da pressão a saída do Barcelona, que foi possível ver desde os primeiros minutos. Avançar as linhas tem como objetivo roubar a bola o mais próximo da meta adversária possível. Mas quando isso não acontece, a pressão também pode obrigar o rival a rifar e devolver a bola para iniciar uma nova construção. Ter a bola por mais tempo da mais chances de marcar. O que pode acontecer ou não, porque de lógico esse esporte tem pouca coisa. Mas são conceitos e os times de Guardiola são cheios deles. A maior missão é a de sempre buscar a bola e a partir dela jogar. 
Pressão do City na saída do Barcelona – Reprodução: Globoesporte.com
Mesmo encurralado, o Barça não rifou a bola como o City queria, tão menos a perdeu facilitando a transição ofensiva. Soube jogar porque já passou pelas mãos de Guardiola e também tem esse projeto, essa ideia de futebol assimilada. Ter tantos homens à frente fazia com que o time inglês tivesse sua defesa exposta, como no gol de Messi após o escorregão de Fernandinho – volante que faz grande temporada -, que mudou um pouco o panorama quando a disputa era franca. 
Com Mascherano na lateral como principal novidade, Luís Enrique também não renegou o estilo de seu time. Fluente troca de passes, com velocidade e verticalidade no terço final com o tridente matador. Só que nesta tônica de pressão dos ingleses, que seguiu após o tento de Messi, os espaços para o MSN eram muitos, como quando Suarez quase ampliou no fim da primeira etapa. Duas finalizações certas para o Barça em três tentativas contra três acertos do time de Pep em sete tentativas. Além das pressões, o time também tentou construir com posse, a partir do passe, da movimentação e da velocidade pelos lados e homens que vinham de trás. Assim, Gundogan quase empatou o jogo. 
Saída do City, Barça trabalhando em 2 linhas de 4.  – Reprodução: Globoesporte.com
Se o primeiro tempo não havia sido tão perigoso e até certo momento os ingleses tinham controlado o Barça, não tinha o porquê de mexer na estratégia. O City voltou subindo as linhas, pressionando a saída e dificultando a transição do Barça. Mas, novamente, a defesa ficou exposta, o trio com espaço e uma falha individual condenou os citizens. Saída errada de Bravo, o goleiro contratado por jogar melhor com os pés do que Hart, que terminou em sua expulsão por defender o chute de Suarez com a mão fora da área.
Transição ofensiva do Barcelona – Reprodução: Globoesporte.com
No mesmo momento que sentiu Zabaleta. Cabalero entrou no lugar de Nolito e o lateral foi sacado por Clichy. Otamendi foi para a direita, o sistema se desorganizou e Messi passeou com o espaço de um jogador a mais. Recital do argentino que marcou o segundo na saída errada de Gundogan e aproveitou o espaço para infiltrar como centroavante e completar o cruzamento de Suarez no terceiro. Com uma fila genial ainda sofreu o pênalti e teve a chance de marcar o 90º gol dele em jogos de Champions. Foi solidário, viu Neymar perder e depois marcar um bonito gol abrindo a defesa já entregue do City.
Vale ressaltar que mesmo com um a menos, o time de Guardiola manteve o padrão, a ideia, o conceito. Tentando de alguma forma subir as linhas e apertar a saída, claro que sem a mesma intensidade. Valentia que deu algumas chances de frente ao goleiro Ter Stegen, mas que custou uma goleada atrás. 10 finalizações com cinco acertos, contra 12 do Barça e oito a meta de Bravo e depois Cabalero.
Panorama final, com os dois times com um jogador a menos – Reprodução: Tactical Pad. 
Os catalães dominam o grupo, por mais que o início arrasador de temporada do City e o inconstante dos espanhóis com três tropeços em oito jogos não deixasse essa impressão. Agora é o time de Guardiola que já não vence há quatro partidas, juntando Champions e Campeonato Inglês. Nada que vá fazer o técnico mudar o que pensa sobre o futebol e os times que monta. Pep é estratégia, goste dela ou não, como foi no Camp Nou. Mas o Barcelona também é e soma isso ao poder de fogo do MSN.
Dados estatísticos: UEFA.com 

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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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