Corinthians lembra Tite e um pobre Flamengo fica longe do título

Ser o melhor campeão da história dos pontos corridos no formato de vinte clubes custou caro ao Corinthians. O desmanche levou seu técnico e a base do time hexa nacional, que para o clássico com o Flamengo só tinha Walter, Uendel, Fagner e Romero como remanescentes da conquista que ainda nem completou um ano. Aconteceu também com o Cruzeiro, que não se encontrou sem Lucas Silva, Ricardo Goulart e Everton Ribeiro, pilares do bi campeonato entre 2013 e 2014. Poderá acontecer com o Palmeiras, virtual campeão nacional há seis rodadas do fim, com seis pontos de vantagem e vários destaques como Mina, Vitor Hugo, Tchê Tchê, Moisés, Dudu e o já vendido Gabriel Jesus, craque da companhia.

Um campeonato bem irregular, problemas extra campo e o quarto comandante da temporada, vindo de uma eliminação acachapante na Copa do Brasil. O Corinthians seria presa fácil, em tese, de um Flamengo melhor ajustado, com base mais qualificada e um Maracanã completamente lotado e positivo a seu favor. 


“Desconsiderando” que o estádio era um fator externo, o Flamengo repetiu as atuações pobres dos jogos contra Cruzeiro, São Paulo, Fluminense e Internacional. Oscilação natural de um time que carrega muitos jogos e viagens, mas que têm sido fatal. Desde os primeiros instantes, o afobado rubro negro apelou para os chuveirinhos. Marcou assim com Guerrero por duas vezes no primeiro tempo, ambas em impedimento. Uma delas validada, no empate quando o Corinthians vencia por um a zero, após o gol que começou no balão de Walter, passou pela casquinha de Romero e terminou no chute de Guilherme. Setores distantes, zagueiros hesitantes e um espaço grande para o time de Oswaldo trabalhar.

Desenho do Flamengo no 4-2-3-1 – Reprodução: Premiere
Com Emerson e Mancuello pelos lados, Zé Ricardo tentou ter mais pés para armar – mantendo a tônica de um ponta incisivo e outro criativo. Mas esses extremos não foram a solução para tirar o time do marasmo que enfrenta no setor criativo. Tão menos Diego e Arão, que bem marcados, outra vez, acrescentaram muito pouco, tanto com, quanto sem a bola.
Corinthians encurtando o espaço do Flamengo com linhas compactas e pressão ao portador da bola – Reprodução: Premiere

Sob os olhares de Tite, o Corinthians resgatou um pouco de sua obra. 4-1-4-1 extremamente compacto, subindo linhas e pressionando o portador da bola, encurtando o espaço e atacando a posse mesmo em seu campo. Não deu espaço para o Flamengo triangular e obrigou o time da casa a cruzar ou lançar. Com os 58% de posse, ergueu 12 bolas na área no primeiro tempo, errou 9. Lançou mais 20, perdendo 13. Péssimo aproveitamento, poucas ideias para abrir a defesa alvinegra. 


Sem criatividade na frente, o Flamengo foi para o intervalo atrás, graças a marcação ruim de seu sistema e os erros pessoais no miolo de zaga. Por dentro, Rodriguinho fez um jogada fantástica e concluiu o passe de Romero, completamente livre, no meio da área flamenguista.

Pressão do Corinthians dificultando a saída do Flamengo – Reprodução: Premiere

Sem poder de triangulação e infiltração, Zé Ricardo voltou do intervalo com Fernandinho no lugar de Mancuello. Evidenciou o chuveirinho em busca do empate. Em um dos 13 escanteios, Arão parou em Walter e Guerrero empatou no rebote. Terceira vez no jogo que peruano balançava as redes por meio de uma bola alçada na área. Diferente de ser um recurso, se tornou a única opção. O que fez o Flamengo crer que viraria a base da bola alta…


Oswaldo foi bem nas mudanças com Marlone no lugar de Marquinhos Gabriel, depois Lucca na vaga de Romero, quando Guilherme, o falso nove que confundia a defesa carioca, já havia sido expulso e o time precisava se fechar com intensidade e ter alguma saída em contra. Até por isso, Rodriguinho abriu a direita e Camacho ganhou o lugar de Giovanni Augusto. Consistência no centro e vigor pelos lados. Foram 41 lançamentos com 11 acertos, alguns deles buscavam Lucca na frente, outros eram para rifar a bola. Já o Flamengo, de 42 lançamentos com 20 erros, buscava a grande área. 

Tônica de chuveirinho, pobreza de construção que se tornou ainda mais evidente com Leandro Damião no lugar de Willian Arão. Diego se posicionou ao lado de Márcio Araújo, mas muitas vezes se embolou com os avantes. Emerson e Fernandinho abriram o campo para receber e levantar. 41 cruzamentos, com 32 erros (!!!!!!!). Curiosamente, a melhor chance veio na jogada individual com tabela e drible. A tal triangulação com Emerson. 9 finalizações erradas em 20, que não permitiram ao Flamengo seguir de perto o Palmeiras, o líder que também é inconstante, mas consegue vencer.

Corinthians compacto e Flamengo lançando a bola na área – Reprodução: Premiere

Seis pontos há seis rodadas do fim marcam a distância do Flamengo para o líder. Panorama quase irreversível pelo que o campeonato mostra a cada disputa. Com Santos e Atlético/MG chegando e o confronto direto com os dois, o time de Zé Ricardo deve se preocupar em assegurar o 2º lugar e a vaga a Libertadores de forma direta. Mas pra isso, terá de ser menos pobre no desempenho em campo. 


No imenso Maracanã, o itinerante Flamengo não sentiu apenas a falta de costume do “novo lar”. Foi pobre coletivamente, mas também se chocou com a força de um Corinthians de resgatou suas raízes campeãs, recorrendo a conceitos de sua melhor era e indicando um caminho depois de 2016 de tantas incertezas.

Dados estatísticos: Footstats.net

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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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