A desorganização do Atlético e a oscilação do Flamengo estacionam ambos

É fato, o Atlético/MG tem um dos melhores elencos do Brasil – para muitos inclusive o melhor. Qual time na primeira divisão não gostaria de contar com Cazares, Robinho, Pratto ou Fred, além dos jovens Clayton e Hyuri? Mas, na contra mão do forte elenco vem o trabalho quase zero de Marcelo Oliveira, que demonstra a cada rodada que o time só está onde está graças a qualidade de seus atletas. Coletivamente, este time inexiste. 

E o embate com o Flamengo foi mais uma mostra do fato que “assombra” os mineiros. O abafa inicial, trazido por Cuca e seu “galo doido” na Libertadores 2013, esteve presente. A equipe de vocação ofensiva subiu as linhas, tentou pressionar, sufocar e abrir o placar no começo, para garantir a sintonia com o lotado Mineirão. Quase que um ritual. 

Mas o time de Zé Ricardo respondeu com maturidade coletiva. A opção por Fernandinho e Gabriel abertos, ajudou na recomposição, mas também na saída em velocidade para o contra-ataque. Sem Rafael Carioca, o Galo encontrou alta dificuldade em sair por dentro, o que tornou importante a presença de Fábio Santos, desafogando, mas perdendo sem a proximidade dos meias para tabelar e conseguir infiltrar. 
Flamengo no 4-2-3-1 fechando a saída por dentro – Reprodução: Premiere
Com Cazares e Otero, Robinho foi trabalhar na ponta, como não têm acontecido habitualmente. Terminou a primeira etapa nulo na armação das jogadas e reconstrução após a retomada. Assim como o equatoriano e o venezuelano, distantes, sem possibilidade de transição e tabela para abrir o sistema do Flamengo, que pôde destacar o bom trabalho de Márcio Araújo na proteção a sua zaga. 

Os rubro negros ganharam campo a partir de triangulação e jogo coletivo. Os ponteiros do Atlético até ajudavam sem a bola, preenchendo algum espaço, mas vez ou outra deixavam o sistema de marcações individuais entregue a própria sorte. Com têm sido nos últimos jogos, os cariocas de forte jogo por baixo com passes, passou a frente na casquinha de Guerrero e arremate de Diego. Como nos últimos cinco jogos da equipe na competição. 
Galo se fechando com ajuda dos pontas e Fábio Santos se descolando da linha para perseguir individual, como consequência abrindo espaços – Reprodução: Premiere
Domínio e controle, com picos de 60% de posse e 12 a 4 em finalizações pró Flamengo, fizeram Marcelo Oliveira mudar na volta do intervalo. Luan veio para reativar pelo lado e Robinho centralizou com a saída de Cazares, a missão era de encostar em Fred. 

O Atlético ganhou velocidade para emular um novo abafa, mas tinha pouca profundidade em suas jogadas. Contudo, naturalmente, os espaços surgirão… Porém, de forma surpreendente, a estrategia do Flamengo caminhou em um direção um pouco oposta a que o jogo oferecia. Emerson ganhou o lugar de Gabriel e o time perdeu velocidade nas duas fases do jogo. 

Retraídos, os cariocas assistiram a um bombardeio. Foram 23 cruzamentos errados em 24, 17 lançamentos errados em 26 e mais desorganização em busca do empate. Pratto ganhou o lugar de Donizete, Luan veio trabalhar na linha do meio e o argentino abriu a esquerda do 4-2-3-1. 

Em busca de retenção e alguma resposta, Zé apostou em Alan Patrick por Fernandinho. Perdendo toda velocidade para apostar em cadência e passe que não vieram. Sem reação, viu Robinho empatar de pênalti e Pratto virar na bizarra falha do sistema defensivo. 

Já com Leandro Damião em campo para tentar responder o abafa, os cariocas empataram num espasmo de Diego e Guerrero. Tão surreal quanto a virada do Galo aquela altura do jogo. 

Tudo igual no duelo que marcou a desorganização do Atlético/MG, um time estelar a nível de Brasil, mas que não consegue ter qualquer consistência tática, frente a oscilação do Flamengo, que há dez rodadas parecia forte para a caçada ao líder Palmeiras, mas hoje é um time tempos distintos e muitas mudanças dentro de um mesmo jogo. Ambos seguem estacionados. 
Desespero total, o panorama final no Mineirão – Reprodução: Tactical Pad.
Dados estatísticos: footstats.net. 
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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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