As ações e reações no jogaço de Manchester

O gol de Messi aos 21 minutos de jogo no Etihad, em um veloz e vertical contra-ataque puxado por Neymar, parecia trazer à tona outra vez o grande fantasma de Pep Guardiola em mais um confronto com o Barcelona. Fruto do espaço após a pressão citizen. Porque como há algumas semanas no Camp Nou, a ordem do catalão foi avançar as linhas desde o começo.

Desta vez com Kun Aguero na referência e Kevin de Bruyne aberto, sufocar o Barça até um possível “roubo alto” era a missão. Como no gol inaugural do argentino que já soma sete em três jogos na Champions. Um exuberante contra-ataque, que lembrou o Barça campeão europeu, passando por cima do Bayern do próprio Pep na semifinal. 
Pressão do City no campo de ataque do Barcelona – Reprodução: GE.com
Mesmo assim, a bola foi do Barcelona. Picos de 72% de posse e um bom controle no primeiro tempo, mesmo sem Iniesta e com Busquets longe de sua melhor noite. Paciência para rodar a pelota mesmo com a pressão azul, afim de buscar espaços na troca de passes ou na vertical retomada. 
O City mordeu até conseguir e da falha de Sergi Roberto e Busquets, encontrar o empate com Gundogan na solidariedade de Aguero e Sterling, que como atacantes poderiam ter finalizado na primeira chance. Espaço maior a construção e o conceito de coletivo. Mesmo com uma posse bem inferior, os azuis conseguiram os mesmos cinco chutes do Barça, com também dois acertos a meta de Ter Stegen – a exemplo do ataque blaugrana ao gol de Willy Cabalero. 
Barcelona postado no 4-3-3 – Reprodução: GE.com 
Um reajuste no City foi fatal para um melhor retorno do intervalo. Silva saiu do meio e abriu, se alinhando a Sterling e deixando De Bruyne no centro de um então 4-2-3-1. Mais pressão incessante, que tirou o controle e a rodagem de bola do Barça e de quebra anulou o trio MSN e seus possíveis contra-ataques. Senha para o gol de falta de De Bruyne, que começou com a roubada de bola no setor de Busquets e terminou na bela falta. 
O centro nervoso do jogo Barça (Busquets) não funcionou e então André Gomes e Rakitic sumiram da partida. Os homens de frente abandonaram marcação e construção. Distante, o time catalão foi a lona na pressão do City. Intenso e cada vez mais vertical, tornou rotina roubar a bola no campo ofensivo e chegar de frente para o gol de Ter Stegen. Perdendo as muitas chances de devolver a goleada da última semana. 
City no 4-2-3-1 na etapa final. Pressão alta. Reprodução: BT Sport
Luis Enrique tentou recuperar posse e passe vertical com Arda Turan, mas rapidamente o turco entrou no redemoinho que o jogo havia se tornado para o Barça. Guardiola manteve a velocidade com Navas, que pela direita foi letal na jogada que terminou no terceiro gol, de Gundogan. O meia que pensa, passa, constrói, organiza e finaliza. O que há de mais moderno na posição. 
Panorama do segundo tempo em Manchester – Tactical Pad 
Oito a três em finalizações no segundo tempo ajudam a ilustra o que o foi domínio e a produção ofensiva do City, mesmo com 40% de posse. Alta verticalidade, pressão e intensidade. 
Longe das “maravilhas” de desorganização que vemos por aqui, com comentaristas impressionados com times que despejam bolas na área de forma seguida e desenfreada. Jogaço em conceitos, com ações e reações pensadas e detalhadas. Futebol de alto nível. Do presente. Do futuro.
Dados estatísticos: UEFA.com 

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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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