Neymar, Coutinho e Tite, na fantástica noite do Mineirão

A maiúscula vitória da seleção brasileira sobre a Argentina tem total mérito do time que Tite montou. Time, na explicação mais profunda e coletiva que essa palavra possa ter. Mesmo que para muitos, a ótima geração mal tradada por Dunga, fosse ruim. Porém, além do show coletivo, também teve um destaque especial para a fantástica dupla Neymar e Coutinho, pra lá de importantes com posições e funções definidas e um trabalho que potencializa o que de melhor cada um pode dar. Além, é claro, do comandante que resgatou história, futebol, orgulho e o mais dos brilhantes horizontes. 

Para enfrentar um Brasil embalado, Bauza repetiu a estratégia de alguns enfrentamentos que teve com Tite, por San Lorenzo e São Paulo – período em que conseguiu dois empates em Itaquera. Subindo linhas no início, tudo em bloco para dificultar a transição brasileira, mas sem tanto ímpeto de pressão no homem que portava a bola. Faltou intensidade no cerco e então Renato e Fernandinho tinham as opções pelos lados e também um importante recuo de Neymar até a intermediária para aliviar essa saída e com isso o espaço para jogar entre as linhas de quatro que Patón montou com Messi solto atrás de Higuain. 
Saída do Brasil com auxilio de Neymar. Jogo apoiado em opções para o homem da bola. – Reprodução: SporTV.
Solução quando o jogo parecia complicado e a Argentina era perigosa em arremates de média distância, com mais bola e volume. Coutinho fez como Jadson no Corinthians de Tite, flutuando de um lado para o outro por trás dos volantes. Neymar atraiu e serviu o camisa 11. Movimento natural, importado de Liverpool, para abrir o placar num lindo chute após a diagonal que abriu a defesa. 
A transição Argentina era dura, porque Renato e Paulinho bloqueavam Biglia, Enzo Peréz e Di María, então Messi buscava quase que na linha dos zagueiros, começando uma construção muito longe da meta e com um time bem postado e negando oportunidades de passe pela frente. Marcação compacta e com pressão no portador da bola. Não sobravam opções para jogar. 
4-1-4-1 da seleção brasileira bem compacto com pressão no homem da bola e linha de passe fechadas – Reprodução: SporTV
Enquanto isso, o jogo apoiado do Brasil fazia a troca de passes parecer fácil, com triangulações a partir de superioridade numérica e muita movimentação. Como fez Gabriel Jesus, fora da grande área para servir Neymar como um camisa 10. Gol de número 50 do craque brasileiro que levou o Mineirão ao êxtase e comprovou a efetividade de um Brasil que finalizou quatro vezes, acertou três e viu duas entrarem. Com os 53% de posse, os hermanos trocaram quase 100 passes a mais (258 a 162) e finalizaram seis vezes com dois acertos. 
Argentina marcando em duas linhas, com algum espaço entre as linhas. Coutinho já ensaiava a flutuação – Reprodução: SporTV.
Posse alta, baixa infiltração e profundidade, com um resultado e cenário amplamente negativos. Senha para Bauza colocar Aguero no lugar de Enzo Pérez, atrás de um ponta mais incisivo e até menos marcador. Busca por gols. Bilhete premiado para o Brasil intenso, apoiado e inflamado. Então com espaço. Marcelo e Daniel Alves se tornaram ainda mais ativos no ataque, assim como Renato para o passe e condução e Paulinho na infiltração. Não demorou muito para marcar o terceiro, com o volante “resgatado” por Tite, cara a cara com Romero depois da construção de Marcelo e Renato com erro de Más. Exibição do camisa 15.
Perdida, a Argentina se entregou a desorganização no Mineirão. Tentava avançar e pressionar sem coordenação, resultando num time espaçado e cheio lacunas no setor defensivo, que poderiam ter terminado em uma goleada ainda maior. Além da rispidez nas chegadas, um pouco característica neste tipo de situação. Foram 45 faltas ao fim do jogo. 
Ainda teve tempo para a natural entrada de Roberto Firmino no lugar de Gabriel Jesus, mantendo a tônica de referência móvel, além dos retornos de Douglas Costa e Thiago Silva. Controle total e volta na posse de bola, finalizando o jogo com 51%. Além de 13 finalizações com seis acertos contra nove conclusões com três bolas na meta de Alisson, que quase não trabalhou no segundo tempo.  
Seguem os 100% de aproveitamento de Tite, com 15 gols marcados e apenas um sofrido em cinco partidas. Cada triunfo com uma marca diferente, mas todos eles com alto desempenho coletivo. Como na noite fantástica do Mineirão, onde brilhou o time, brilhou Neymar, brilhou Coutinho e brilhou o comandante que mudou o panorama e o patamar desta seleção. 
Panorama final no Mineirão – Reprodução: Tactical Pad
Dados estatísticos: Footstats.net

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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

Um comentário em “Neymar, Coutinho e Tite, na fantástica noite do Mineirão

  • 11 de novembro de 2016 em 19:26
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    Gostei bastante da análise.
    Acho que podia ter os nomes em todos os jogadores nas imagens de referência, pra nortear melhor.
    Parabéns!

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