De Roger a Renato, o Grêmio com a mão na taça da Copa do Brasil

Roger Machado fez um grande trabalho em pouco mais de um ano a frente do Grêmio. Inseriu conceitos modernos ao estilo de jogo do time e fez do tricolor gaúcho uma das equipes mais modernas e atuais em plano e desempenho no Brasil – não à toa, é especulado em diversos clubes para o próximo ano. 
 
Mas, mesmo sendo altamente competente e após colocar o time no caminho das vitórias e do bom futebol, pediu para sair em um momento de oscilação, derrotas e atuações ruins. Talvez tenha entendido que não poderia tirar mais do time. Porém, acima de qualquer coisa, deixou uma base de trabalho. 
 
Chegou o ídolo Renato Portaluppi. “Distante dos conceitos modernos”, do estudo tático com intercâmbios e busca por conhecimento, foi inteligente ao manter a base de jogo de seu antecessor. Além da leitura do que estava certo, mexeu. Na zaga que precisava de uma atenção e um melhor trabalho, mesmo que deixando a marcação zonal para trabalhar com os encaixes individuais tidos como mais arcaicos, viu o time se solidificar. 

4-2-3-1 do Grêmio em Belo Horizonte – Reprodução: SporTV.

Não só pelo “miolo” defensivo, com o ótimo Geromel e o bom Kannemann, mas também pelo trabalho do time coletivamente. Na Copa do Brasil, apenas três gols sofridos em cinco jogos contra Palmeiras, Cruzeiro e Atlético/MG. 

No desenho do time, a entrada de Ramiro a direita do 4-2-3-1 foi em busca de um auxílio na marcação pela direita e aos volantes, liberando Pedro Rocha do lado oposto, para incisivas diagonais. Foi assim no primeiro gol em BH, construído a base de troca de passes e infiltração. O que também só foi possível graças ao domínio gaúcho no meio de campo, encurtando o espaço, fechando as linhas de passe e bloqueando a frágil saída de bola do Atlético/MG. Um primeiro tempo de encher os olhos. Domínio total. 

Saída do Atlético bloqueada por dentro. Falta jogo apoiado ao time de Marcelo Oliveira – Reprodução: SporTV

Porque o Galo é um time sem meio campo. Sem Rafael Carioca barrado, Marcelo Oliveira perdeu a saída de três que dá mais opções de passe e possibilidades de construção. Sem um trabalho mais coletivo, escancarou a defesa, que não conta com a recomposição dos homens de frente e deixa por muitas vezes zagueiros e volantes no mano a mano. 

Galo marcando com seis, Grêmio com volume e opções na frente – Reprodução: SporTV. 

Muito espaço, senha para Pedro Rocha ampliar num contra-ataque gigante e cheio de campo. Incredulidade no Mineirão que estava vendo mais do mesmo do time treinado por Marcelo. Responsável por aproximar o Grêmio de um título após 15 anos, o garoto foi garoto. Inexperiente, fez falta boba na lateral e acabou expulso, após duplo amarelo, trazendo o Galo de volta para o jogo.

Hyuri e Clayton ganharam as vagas de Maicosuel e Cazares. Aberto no primeiro tempo, Robinho veio para o centro da linha de três, mas pouco pôde influenciar no jogo. Com Marcos Rocha na vaga de Urso, Marcelo foi em busca de infiltração, velocidade e os laterais batidos na grande área. Foi para o abafa, para o desespero, precisava de gols… Mas manteve Leandro Donizete. O volante que destrói e não constrói. Quase que um paradoxo com Maicon e Walace dominando o meio campo a partir do passe e do movimento do outro lado.

O galo doido conseguiu diminuir com Gabriel e ensaiar uma reação baseada na pressão sem ordem. Senha para o gol de Everton, que entrou no lugar de Douglas para fechar o lado com um a menos. Contra-ataque rápido e finalização mano a mano com o último defensor e o goleiro Victor. O único centro certo do Grêmio em oito tentativas, contra 22 erros de bolas alçadas dos donos da casa. Oito finalizações certas do tricolor em 12, contra apenas dois acertos do Atlético em 15. 

Triunfo do Grêmio que põem uma meia e quatro dedos na taça da Copa do Brasil. Pelo que não jogou nem joga este Galo, mesmo que sem Marcelo Oliveira daqui pra frente. Também pelo que joga este tricolor. Base de Roger, trabalho de Renato Gaúcho. Modernidade e coperismo. Mérito de ambos. 

Panorama do jogo no fim – Reprodução: Tactical Pad.



Dados estatísticos: Footstats.net


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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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