O incrível Chelsea de Conte e seu poder de remontagem, sólido líder da disputada Premier League

Na Premier League de Pep Guardiola e José Mourinho, a grande história até aqui é a do Chelsea de Antônio Conte. Depois de uma dura derrota contra o Arsenal, que no momento colocava o time de Londres há oito pontos do então líder e invicto Manchester City, o italiano teve lucidez para entender os erros, implantar um sistema de acordo com seu elenco e características, além de trabalhar muito. 
 
O resultado foi uma sequência de sete vitórias em sete jogos, com 19 gols marcados e apenas um sofrido, este no clássico de Londres contra o Tottenham na última rodada. O embate contra o City em Manchester era o mais complicado. Talvez o grande teste para a sólida defesa, que tem com um de seus pilares o contestado David Luiz.

Manchester City pressionando a saída do Chelsea – Sky Sports 
Como esperado, o Manchester City foi para uma pressão alta e intensa desde o início. Linhas avançadas para roubar a bola perto do gol ou sufocar em qualquer parte do campo que não tivesse a posse. Nesse sentido, Guardiola espelhou a formação dos visitantes. Com Sané e Navas para alargar o campo, tentou puxar a marcação dos alas para trabalhar com Gundogan, Fernandinho, Silva e De Bruyne por dentro, nas entrelinhas.

Conte respondeu com intensidade para defender cada palmo de grama. Alternava a marcação a frente de sua área com pressão alta para dificultar a saída dos citizens. Dobrando no setor da bola, trabalhando com superioridade numérica e compactando com alta velocidade, buscando sempre encurtar o raio de ação do City, como mostra o frame abaixo:

City alarga o campo e Chelsea defende com muita compactação – Sky Sports. 
A dificuldade em romper as linhas era tão grande, que a única finalização certa do Manchester City no primeiro tempo foi através de um passe de Kolarov, zagueiro, vindo de trás. Todos os “armadores” dos citizens estiveram bem marcados durante jogo. Não à toa, o tento dos donos da casa foi num erro de Cahill, após um dos vários cruzamentos da direita. 
 
No novo estilo de jogo, o Chelsea de Conte tem uma arma fatal com a bola: o contra-ataque. Seja na retomada em velocidade ou até mesmo atraindo para projetar seus pontas, a ideia é versátil. Hazard e Pedro partem da ponta e rodam por todo ataque, auxiliados por um Diego Costa móvel, mas matador. Como no gol de empate, após lindo lançamento de Fàbregas, o pé que pensa em meio a reatividade do time. 
City defendendo com linha de 5 e City trabalhando com mobilidade no terço final – Reprodução: Sky Sports. 
O jogo mudou a partir de então. Com Willian na vaga de Pedro, Conte foi atrás da mesma incisividade que tinha pela esquerda, na direita. Algo fatal no momento de pressão do City – em que De Bruyne perdeu um gol feito, debaixo das traves de Courtois -, quando Diego Costa projetou o brasileiro na retomada e viu a virada do Chelsea em um contra-ataque de muita velocidade. 
 
Sem resposta, Guardiola mexeu. Clichy na vaga do nulo Sané, Touré no lugar do pouco ativo Gundogan e Iheanacho para o abafa no lugar de Stones. A reposta do Chelsea foi manter-se compacto, fechando os espaços e permitindo muito pouco a posse dos donos da casa. 
City subindo as linhas para tentar pressionar. Chelsea sem perder a organização – Reprodução: Sky Sports
15 finalizações com apenas cinco acertos dos donos da casa. Pouco pelos 60% de posse de bola e volume de jogo. Faltou espaço, mas também criatividade. O Chelsea acertou quatro das 10 que tentou, três nas redes de Cláudio Bravo. A última delas, em outro contra-ataque letal de Hazard. 
 
Vitória sólida de um líder que se remontou durante a competição e conseguiu tirar uma diferença muito grande para chegar a ponta, algo improvável em um campeonato tão disputado. História incrível de um time e seus contestados que hoje brilham, como Hazard e David Luiz. Trabalho que merece todas os elogios e adjetivos possíveis. Gigante jornada de Antônio Conte.
 
Dados estatísticos: Four Four Two e Premier League. 
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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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