Atl. Nacional 0x3 Kashima – O domínio sem efetividade

Desde a expedição do Corinthians de Tite ao Japão, não havia tanta expectativa por um time da América do Sul no Mundial de Clubes. Porque durante esses três anos que separaram as competições de 2012 e 2016, nenhum sul-americano mostrou um futebol que deixasse a impressão de poder, mesmo que minimamente, competir com os gigantes da Europa. Aconteceu com River e San Lorenzo, além do “Galo doido” que não chegou a decisão. A credencial era grande futebol que ambos jogaram durante suas jornadas, com títulos impecáveis na sempre difícil Libertadores. 
 
O que não evitou o natural nervosismo inicial, que provocou alguns erros de passes na saída e jogadas sem continuidade. Mas, também naturalmente, com o passar do tempo, o time se assentou em campo. Mesmo sem quatro titulares da conquista da Libertadores, os comandados de Reinaldo Rueda não sofreram para impor seu estilo de transição a base do toque de bola e aproximação com movimentação no terço final. Porque manteve o trabalho e o padrão mesmo com outras peças. 
Borja recuando para ajudar na criação e Kashima compacto em duas linhas – Reprodução: SporTV
A base do bom primeiro tempo de Borja e Uribe, o Nacional cresceu. O atacante recuava para fazer o pivô, oferecia opções para os pontas abrindo a frente da área e se movimentava intensamente no terço final. O segundo volante chegava em progressão, aparecendo de área a área para finalizar – três dos 15 chutes dos colombianos foram de Uribe. Desses, sete encontram a meta de Sogahata. Bolas na trave, bolas passando perto e um volume ofensivo muito grande. 
 
Mais reativo, o Kashima também chegou e levou perigo. Com seus 40% de posse, acertou quatro das seis finalizações que tentou na etapa inicial, contando com bom movimento dos ponteiros Nakamura e Endo, além das chegadas de Shoma e Shibasaki do centro. Veloz na chegada ofensiva. No histórico e polêmico pênalti com auxilio das câmeras, saiu na frente quando o Atlético já era melhor. 
Já com Guerra em campo, o Atlético Nacional tentou explorar as entrelinhas e soltou os laterais – Reprodução: SporTV
O bom primeiro tempo, era a esperança para o segundo… Mas, sem resposta imediata, Guerra ganhou o lugar de Arias, recuando Uribe. Depois Dajome entrou no lugar de Mosquera. Explorando as entrelinhas do Kashima, Rueda soltou os laterais para um apoio conjunto e tornou os pontas que eram pouco efetivos, em atacantes próximos a Borja. Menos móvel, o camisa nove se concentrou no espaço da área, brigando com os zagueiros e sendo bem menos útil em qualquer criação como foi na etapa inicial. 

Com a vitória parcial e as investidas do Atlético Nacional, o Kashima foi se fechando, contando com o desespero dos colombianos que pecavam na criação e armando linhas cada vez mais próximas. Neste panorama, Nagaki veio para o lugar de Ogasawara, preenchendo melhor o centro ao lado de Shibasaki. 

Panorama final do jogo em Osaka – Reprodução: Tactical Pad.

Longe de tornar o volume ofensivo em efetivas chances de gol como no primeiro tempo, o sul americanos viram Suzuki – que entrou no lugar de Nakamura – e Endo matarem o jogo em dois contra-ataques cheios de espaço, pegando um Nacional entregue. 

Com 61% de posse de bola, os colombianos terminaram o jogo com 24 finalizações contra apenas 10 dos japoneses. Domínio e volume com pouca efetividade, mas sem abafa. Oito a oito em acertos e três a zero no placar. O resultado pode não dizer o que foi o jogo, mas traduz a noite japonesa em que os colombianos aproveitaram muito pouco tudo que criaram. Mesmo que “sem sinais de vexame”, o sonho de um grande jogo com o Real Madrid não será realizado.

Dados: FIFA.com

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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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