Apesar do embate equilibrado, a vitória do pragmático Real Madrid no Mundial

Conhecido por introduzir a famosa saída de três no futebol e trabalhar bem o pressing, Ricardo La Volpe começou a semifinal do Mundial subindo a marcação e pressionando o Real Madrid em todo campo, obviamente sem abrir mão da transição com passes quando de posse da bola. Sem chutão, tão menos retranca sem sentido. Tentou jogar. 

Pressão do América a saída do Real Madrid – Reprodução: SporTV

Com uma linha defensiva de cinco homens, prendeu os laterais para conter a incisividade de Lucas Vázquez e Cristiano Ronaldo, mas soltou os homens do centro, que sem bola fechavam a transição de Modric e Kroos, para explorarem o espaço de Marcelo e Carvajal pelos lados do campo. 

Porém com a bola nos pés, o América do México era muito pouco efetivo. Velocidade de William e Ibarra pelos lados era uma saída, mas com muito pouco poder de infiltração, deixando Peralta e Romero isolados na frente e sem a chance de levar perigo a Keylor Navas. Apenas uma defesa do costarriquenho em todo o jogo. 
Transição ofensiva do Real Madrid com o América montando seu 5-3-2 – Reprodução: SporTV
Conhecido pelo veloz contra-ataque, o Real Madrid teve que administrar 58% de posse  e tentar criar a partir da bola. Mas, como é tônica, conseguiu chegar quando teve o espaço, nos contra-ataques. Tanto no passe rápido e preciso dos meias, como na progressão de Cristiano da ponta para dentro e de Lucas Vázquez, o melhor em campo, em busca do fundo. Na jogada da dupla, finalização na trave do Bola de Ouro.  

Mesmo com a tendência de chegar no contra-ataque, o time de Zidane soube construir com posse. Na linha de passe de Cristiano, Modric e Kroos, gol de Benzema nos acréscimos da etapa inicial. 

Panorama tático do segundo tempo – Reprodução: Tactical Pad.

Gol que condicionou um segundo tempo de baixo rendimento do time mexicano, sem o mesmo impeto para pressionar, com muita imprecisão na saída de bola, além da mesma dificuldade para criar, com meio campo vazio. La Volpe mexeu e desmontou a linha de cinco com Guerreiro no lugar de Alvarado, tornando Valdez em um lateral direito. Sem resposta, deu espaço por dentro para Real Madrid controlar.  

Então Arroyo e Quintero, homens de lado de campo para reativar a velocidade, entraram com Peralta isolado num 4-3-3. Em busca do gol o América preencheu o centro, mas abriu os lados do campo para que o time espanhol pudesse atacar, tanto na retomada, quanto na saída e progressão de Carvajal e Marcelo, que na etapa final apoiaram mais.

Zidane colocou James no lugar de Kroos e desmontou seu 4-3-3 em duas linhas de quatro para explorar esse espaço. Depois veio Morata na vaga de Benzema, deixando Cristiano Ronaldo mais próximo do gol. Em outro contra-ataque, o português matou o jogo no passe de James, garantindo seu primeiro gol em Mundial com o Real Madrid e assegurando a vaga na final. 

Panorama do segundo tempo – Reprodução: Tactical Pad.

Mais uma vitória pragmática, ok do Real Madrid de Zidane. Já se vão 36 jogos sem perder, com muitos deles sem jogar definitivamente bem. Ainda assim, um time sólido, com um padrão definido e muito próximo de terminar 2016 com mais um troféu na conta. 

Facebook Comments

Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *