Intensidade, controle e melhor execução do modelo: os trunfos de Klopp sobre o City

Fechando um ano de muito futebol, nada menos do que um duelo entre Jurgen Klopp e Pep Guardiola. O primeiro depois de épicos e muito táticos encontros na Bundesliga com Dortmund e Bayern. Com dois dos técnicos que encaminharam a revolução pela qual o esporte passa nos últimos anos. 
 
E quem acompanhou de perto a trajetória de ambos, não poderia esperar menos do que um duelo de xadrez. Sem Coutinho, ainda se recuperando de lesão, Klopp apostou em Emre Can. Ao lado de Wijnaldum e a frente de Henderson, para liberar Lallana para jogar aberto no 4-1-4-1, o alemão foi peça chave. 
 
Mas antes mesmo que as cartas estivessem na mesa, o centro de Lallana foi providencial para Wijnaldum abrir o placar. Era apenas o oitavo minuto de jogo. 
 
Mesmo assim, o gol não fez o ritmo dos donos da casa cair. O Liverpool manteve alta intensidade na marcação, pressionando alto quando preciso, mas também fechando os espaços para dificultar a troca de passes e a circulação do City. O jogo encaixou, porque os donos da casa preferem correr com a bola, em retomada, transição. Já os visitantes querem envolver a partir da posse.
Liverpool compactando duas linhas de marcação com Henderson entre elas. Dificuldade para o City trocar passes – Reprodução: ESPN Brasil. 
Com Yaya Touré e Fernandinho a frente da defesa e os meias circulando por dentro, abrindo espaço para a amplitude dos laterais, o City teve muita dificuldade na saída de bola desde seu campo. Silva e De Bruyne não auxiliavam os volantes, que encaixotados pela ótima marcação do meio campo de Klopp, não conseguiam iniciar a transição ofensiva. A bola acabava rifada ou lançada… Devolvida para o time da casa controlar as ações. 
Saída encaixotada do City sempre acabando em lançamentos – Reprodução: ESPN Brasil. 
Com 42% de posse de bola, controle foi a palavra do Liverpool no primeiro tempo. Alternando pressão alta com linhas curtas e próximas, mas sempre visando a retomada para acionar Mané, Lallana ou até mesmo Firmino, muito móvel e útil a partir da referência. Tentando ter superioridade numérica e intensidade em todos os espaços. 16 a 8 em desarmes mostram parte da estratégia e execução mais bem alinhada dos mandantes. 
 
Mesmo com muito pouco de Sterlling nas diagonais e Aguero avançado, além dos nada efetivos Silva e De Bruyne em todas as fases no centro, Guardiola apostou na conversa do vestiário para melhorar o City. Sem alterações. O time de Manchester se distribuiu melhor em campo, deixando apoios mais claros e a possibilidade de uma maior circulação… Mas, também contou com um impeto menor do Liverpool. Menos agressividade para marcar, quase nenhuma pressão alta. Guardando mais sua área e dando jardas para os visitantes trabalharem.
City se movimentando mais, aumentando a circulação da bola – Reprodução: ESPN Brasil 
Mesmo com campo e “espaço” o City esteve longe de relembrar jogos de alta intensidade e criatividade, além de aproveitar muito pouco seu volume ofensivo e as chances que teve. No total, apenas duas finalizações certas em cinco no segundo tempo, contra apenas duas – nenhuma na meta -, do Liverpool. 
 
Com a lesão de Henderson, Klopp trouxe o polivalente Can para o centro, com Lallana por dentro e Origi aberto ao lado de Firmino e Mané. Reoxigenando um time que iria correr atrás do adversário nos minutos finais. Verdade como a certeza de que Guardiola demorou para mexer, sacando o inócuo e pouco intenso Yaya Touré para a entrada do veloz Navas e depois Iheanacho no lugar de Zabaleta. Tentativa reorganizar um time que não passava pela sua melhor noite, já na casa dos 40′ da etapa final. Sem qualquer resposta.
 
2016 acaba com mais dúvidas do que certezas para Guardiola, hoje oito pontos atrás do Chelsea de Conte, cada mais vez imbatível. O catalão se vê num dilema inédito em sua carreira. Caberá, de momento, ao Liverpool correr atrás do título. A vitória sobre o City não foi um espetáculo, mas mostrou um time intenso, que soube controlar e executar seu modelo. Mostrou a ideia e o trabalho de uma equipe que essencialmente pode lutar pelo título, embora neste momento ele pareça distante. 
 
Que 2017 seja mais um ano de muito futebol! 
 
Dados estatísticos: Premier League. 
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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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