Real Madrid domina o meio-campo e atropela Sevilla de Sampaoli

Credenciado por uma invencibilidade de 37 jogos e três conquistas em 2016, o Real Madrid iniciava o ano sem muitas de suas peças principais para o duelo com o Sevilla na Copa do Rei – algo natural em grande parte das Copas espalhadas pelo velho continente. Keylor Navas, Benzema e Cristiano Ronaldo poupados, Pepe, Sergio Ramos e Bale machucados, além de Kovacic e Lucas Vázquez, não titulares, mas peças muito úteis, fora. 
 
Se apresentava para Jorge Sampaoli uma grande oportunidade. Dono de um belo trabalho na primeira metade da temporada, quando se manteve no G-4 da Liga Espanhola e chegou as oitavas de final da Champions. Não só pelos desfalques do adversário, mas também por suas boas atuações e as não tão boas do Madrid de Zidane. Que apesar da invencibilidade não jogava de fato bem. 
 
A ideia era controlar o meio, por isso N’Zonzi a frente da primeira linha, homem de passe e saída de bola, com Iborra, Ganso, Nasri e Vitolo por trás do móvel Correa. Meio campo que poderia se mexer bem, mas que acabou pouco efetivo na transição ofensiva. A equipe de Sampaoli tentava construir a base do passe, mas sem aproximação dos homens de centro (Nasri-Ganso) não conseguia. Então tentava roubar para criar a partir da recuperação e um possível Madrid bagunçado. 

Porém muito diferente do esperado e do que é tônica na maioria dos jogos do time de Zizou na temporada, seu 4-3-3 clássico defendeu de forma muito compacta. Contando com o apoio de James e Asensio pelos lados para fechar o centro com Modric, Kroos e Casemiro. Quando de posse da bola, padrão: laterais espetados no ataque, pontas trabalhando por dentro nas entrelinhas com o alemão e o croata gerando jogo a partir do centro. Paciência para girar e buscar a melhor oportunidade de infiltrar. Kroos no passe, Modric na progressão. Recital dos meias que comandaram o meio de campo. 


Sem sucesso na sua transição de pé em pé, o Sevilla via o Real Madrid dominar o meio campo. Então a estratégia era jogar a partir da retomada, algo que também não conseguiu, porque o time de Zidane recompunha com muita velocidade, fechando os espaços e negando possibilidades ao adversário. 

Mesmo propositivo, o Real Madrid marcava alto, tentando recuperar a bola no campo adversário e criar chances assim. Foi como nasceu o primeiro gol:

O segundo com Varane e o terceiro, também de James, vieram ao natural. Um Real Madrid muito superior, além de dominar as ações e os espaços, foi bem efetivo nas oportunidades que criou. Três gols em quarenta e cinco minutos, fizeram da etapa final um tempo pra lá de comodo para o time treinado por Zidane.
 
Sampaoli voltou do vestiário sacando um perdido Ganso, que só correu atrás de Marcelo e Kroos, centralizou pouco e ajudou menos ainda nas transições. Com Sarabia, desenhou um 4-2-3-1 mais claro na etapa final, com Iborra, que minutos depois daria lugar a Krannevitter, ao lado de N’Zonzi. 
 
A base da queda do Madrid, que tentou administrar o jogo e deixar o tempo passar, o Sevilla ganhou campo e teve um pouco mais de consistência. Também melhor distribuído. Mas, de difícil julgamento, tendo em vista que seu adversário não manteve o ritmo. 
Real Madrid bem compacto num 4-1-4-1 | Reprodução: Directv Sports 
Aos poucos Zidane também foi mexendo. Isco no lugar de Asensio, Danilo na vaga de um ovacionado James e Mariano no lugar de Morata. Sem nunca desfazer o desenho tático, nem perder o padrão. Um time bem próximo, ditando o ritmo mais lento ao jogo para assegurar o triunfo.
 
Se o contexto de um Real desfalcado e com um acumulo de atuações ruins dava boas possibilidades ao Sevilla muito bem trabalhado por Sampaoli, o jogo mostrou um time que cresce, como é de sua história, em grandes jogos. Foi assim contra Atlético, Barcelona e Borussia na temporada. Não são 38 jogos de invencibilidade a toa. O Madrid de um dominante meio campo começou o ano dando as caras. 
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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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