A incrível solidez do Chelsea e a alta intensidade do Liverpool no jogo com a cara da Premier League

Há um mês você leu aqui: “Intensidade, controle e melhor execução do modelo, os trunfos de Klopp sobre o City“. A vitória do Liverpool baseadas em pilares que se tornaram a cara do time e mostravam um possível perseguidor ao imbatível Chelsea naquele momento da competição.

Porém, passaram-se quatro rodadas e desde então o Liverpool não venceu mais. Dois empates e duas derrotas na Liga, somados a duas eliminações em Copas nacionais, ambas em seus domínios.

Motivos para baquear, mas não para mudar o estilo dos comandados de Klopp. De um nível de entrega e intensidade absurdo desde o início do jogo em Anfield. Pressionando a saída do Chelsea de forma incessante e com o maior número de jogadores próximo ao portador da bola possível, fechando as linhas de passe próximas, para não oferecer o desafogo ou uma possibilidade de saída. O famoso gegenpressing alemão.

Quatro homens pressionando a saída de bola de Matic e outros três fecham as linhas de passe próximas – Reprodução: ESPN +

Com a bola, intensidade mantida para gerir a posse. Laterais dando amplitude, pontas trabalhando por dentro como opções nas entrelinhas e meias apoiando para oferecer o passe, além de uma ou outra infiltração. Porém, mesmo com todo o volume, abrir a defesa de Conte na variação do 3-4-3 pra um linha defensiva de cinco era um desafio cansativo, tanto do ponto de vista físico, quanto mental. Não foi de sucesso na etapa inicial.

Como de costume, as linhas de Conte foram muito bem coordenadas, balançando com perfeição e esperando o erro do adversário, fosse no passe ou na tomada de decisão em romper o muro azul comando por David Luiz na sobra da defesa. Na retomada, transição em bola longa, esperando Willian ou Hazard na velocidade e Diego Costa na força física. Mesmo sem conseguir igualar o jogo os blues abriram o placar na veloz e bonita cobrança de falta do zagueiro brasileiro que morreu no fundo do gol… E pegou todos de surpresa.

Chelsea marcando com suas linhas bem próximas no 5-4-1 e Liverpool se mexendo para conseguir a transição ofensiva. – Reprodução: ESPN +

Desafio ainda maior para um Liverpool que precisava romper, mas não tinha a melhor noite de Lallana e Coutinho. Além da maior comodidade do Chelsea dentro do contexto que se mostrava favorável. Os reds haviam feito Courtois trabalhar apenas uma vez até Firmino perder um gol cara a cara com o goleiro belga, sem a incessante marcação por perto… Parecia a última chance clara. Até que Milner ajeitou um cruzamento para a área e o desvio de Moses matou a zaga. Empate de Wijnaldum!

A partir do empate do Liverpool, os visitantes abriram um pouco sua guarda. Era possível trocar alguns golpes com os reds e se defender de forma sólida, pois a intensidade adversária também não era a mesma. Pelo corredor direito, Moses chegou duas vezes e balançou a trave em uma oportunidade.

Apagados, os protagonistas Coutinho e Hazard deixaram o campo para as entradas de Mané de volta da Copa Africana de Nações e Pedro. Reativar a velocidade pelos lados com diferentes funções era o objetivo de ambos. Ainda assim, a bola longa, marca do Chelsea em muitos momentos da campanha, terminou no pênalti sobre Diego Costa, que acabou defendido por Mignolet.

Com um ritmo bem menor, Conte reforçou o meio com Fabregas e ganhou um argumento na transição. Suficiente para os blues dominarem o jogo nos minutos finais depois de um jogo inteiro de alta intensidade dos mandantes. Que ainda tiveram na cabeça de Firmino a última chance. A terceira finalização certa em sete que o Liverpool tentou. Domínio combinado com intensidade, que rendeu 62% de posse e mais de 630 passes certo. Mas que esbarrou no muro de 24 bolas roubadas e uma solidez impressionante.

Marca deste Chelsea cada vez mais próximo do título da Premier League, no jogo que teve sua cara.

Panorama tático do segundo tempo em Anfield. 
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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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