O jogo de ideias entre Ceni e Diniz e a natural vitória do mais pronto

A chegada de Rogério Ceni ao comando técnico do São Paulo trouxe muita expectativa. Não só pelo que o ex-goleiro e maior ídolo da história do clube representa para o torcedor e a comunidade do futebol, mas também por tudo que propôs desde sua chegada. Modernidade nas ideias de futebol e preparação. Algo muito necessário por aqui. 
 
O agora comandante do time do Morumbi, bebeu na fonte de Osório, um de seus últimos treinadores da carreira e com quem declaradamente avançou seu pensamento sobre futebol, e Sampaoli, com quem passou um período no futebol europeu.
 
De ambos, trouxe ao São Paulo a marcação por pressão incessante e as linhas altas para diminuir o raio de ação oposto, quase que sufocando o adversário para roubar a bola perto do gol e encurtar o caminho a meta adversária. A linha defensiva no meio campo e quatro ou cinco jogadores marcando o portador da bola foi algo muito visto nos primeiros minutos oficiais de Ceni. 
A pressão alta do São Paulo na saída de bola do Audax – Reprodução: Premiere
Porém, do outro lado o Audax de Fernando Diniz não sentiu nem um pouco essa pressão tricolor. Trabalhado em um modelo bem peculiar há pelo menos quatro temporadas, e mesmo sofrendo várias baixas, o atual vice campeão estadual manteve o estilo. Muita movimentação e troca passes para fugir da pressão e criar oportunidades. 
 
Destaque para os “cabeças de área” do 5-4-1 que se transformava com a bola em um esquema com muitas opções de passe. Léo Artur e Pedro Carmona, meio campistas de toque de bola e condução, trabalhando a transição ofensiva desde a defesa. Como no segundo gol, um golaço, marcado pelo camisa 11. Pouco tempo depois que o time de Osasco já vencia após a lambança da defesa tricolor. 
Reprodução: Premiere
Ironicamente o jogo mudou para o time de Ceni a partir da lesão de Wellington Nem, grande contratação para a temporada e jogador com o maior poder de romper linhas com a bola dentro do jogo. Parecia uma baixa quase insuperável dentro do panorama de derrota por dois a zero desde os dez minutos. Cícero entrou e empurrou Cueva do centro para a ponta. O São Paulo ganhou velocidade na troca de passe e a possibilidade de criar chances, o que não acontecia até então. 
 
Mais próximo e intenso nos movimentos e nos passes, o time do Morumbi chegou ao empate com Chavez, duas vezes. A primeira no passe de Cueva e a segunda no toque de Rodrigo Caio, ambas entre as linhas do Audax. Aliás, o zagueiro que voltou a ser volante, comanda a frente da defesa com bom posicionamento e passe, mas que não tem um substituto a sua altura para formar dupla com Maicon. Um pequeno ajuste que Rogério terá de fazer.
Panorama do primeiro tempo em Barueri – Reprodução: Tactical Pad. 
Com o empate e um plus de confiança, o São Paulo voltou a impor pressão alta e incessante. O argentino Chavez retomou duas bolas no terço final, mas desperdiçou a chance de virar e até mesmo colocar os visitantes em boa vantagem. O castigo veio poucos minutos depois, no único escanteio do Audax no jogo. 
 
Atrás no placar, Ceni sacou o hesitante Douglas para dar lugar a João Schmitd, outro volante de muita qualidade no passe para distribuir o jogo. Posicionado como primeiro homem do meio, empurrou Rodrigo Caio, que já formava quase que um trio a alguns minutos, para a defesa de uma vez. Depois, o extenuado Chavez deu lugar a Gilberto, em busca de um novo fôlego na referência.
 
Enquanto o São Paulo se lançava ao ataque, Diniz armava seu contra-ataque em velocidade. Matheus Vargas e Gabriel Leite abertos nas vagas de Ytalo e Denilson, com Hugo então na referência de um Audax que dava a bola ao São Paul, jogava em 30 metros compactos e tentava sair em velocidade. Deu certo quando Buffarini derrubou Gabriel e Pedro Carmona marcou o quarto para matar o jogo. 

Panorama do segundo tempo em Baruei – Reprodução: Tactical Pad.

Com Cícero povoando a área, Ceni tentou uma pressão com cruzamentos para diminuir. Foram 24 centros e apenas 10 acertos, além de 27 finalizações com 10 conclusões a meta de Felipe Alves, contra sete certas em doze do Audax – mais do que o dobro. Porém pouca efetividade para tonar as chances reais em bola na rede. 

O trabalho do agora técnico do São Paulo é complexo. Demanda tempo, pratica e correção dos erros para aperfeiçoar. A vitória de Diniz com seu modelo proposto e executado há alguns anos é natural. No jogo de ideias, venceu o mais pronto. 


Dados estatísticos: Footstats.net
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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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