City e Monaco fizeram o verdadeiro jogaço: com ideias de futebol e emoção!

Já se tornou senso comum e não faz pouco tempo: o jogaço é aquele que tem muitos gols ou lances de perigo. Basicamente emoção. Não precisar ser necessariamente bem jogado, mas tem de ter momentos “divertidos”. É quase consensual. Não são maioria os que se preocupam com a qualidade acima de tudo e veem em placares mais magros – o que não é preponderante para o jogo ser ruim – um embate que sirva de espelho e possa ser lembrado como “modelo”.

Na terceira tarde de oitavas de final da Champions League, Manchester City e Monaco reuniram argumentos para justificar o que pode-se chamar de jogaço: ideias de futebol e muitas emoções.

O Monaco de Leonardo Jardim mostrou o porquê do apelido de sensação da temporada. Dono do melhor ataque entre as ligas europeias e responsável por, até então, desbancar um PSG milionário e que parecia imbatível em sua liga, o time francês teve um início muito interessante em Manchester. Com suas duas linhas de quatro bem definidas, avançou a marcação na saída do City, mas compactou os setores e tirou o espaço quando necessário, sempre atacando o portador da bola para roubar e acelerar: 
Reprodução: FS1

Quando retomava, o jogo reativo que vem encantando: Bernardo Silva e Lemar muito incisivos a partir dos lados, com a armação do agora volante Fabinho de trás e a agressividade do jovem Mbappé. 18 anos de muita explosão e velocidade, com inteligência para participar do jogo o tempo todo e ser a flecha da lança do matador Falcão Garcia.

Sem Gabriel Jesus, Guardiola manteve a estrutura que encontrou depois do momentos turbulentos e a lesão de Gundogan, o responsável pelo andamento do time: Yaya entre as linhas, Sterling e Sané abertos com De Bruyne e Silva por trás de Kun Aguero. Construção com posse e passe, como no “gol dos pontas” que abriu o placar.

O tento não mudou o panorama do jogo que ainda era mais favorável aos visitantes. Com um maior nível de intensidade e mais bem postados, os franceses combinaram as estratégias para virar o jogo em apenas oito minutos. Primeiro Falcão a partir da pressão e do bom posicionamento ofensivo, depois Mbappé com velocidade para vencer Otamendi no jogo reativo. Superioridade em um primeiro tempo com 37% de posse de bola e apenas 92 passes completos, que teve a chance de se traduzir em larga vantagem nos pés do colombiano artilheiro… Que viu seu pênalti para na defesa de Cabalero. 
Reprodução: FS1

Com velocidade pelos flancos e o conhecido jogo de posição com muitas trocas de passe o City chegava, mas atrás tinha de se preocupar com sua transição defensiva. Lenta e que deixava o time sempre exposto. Uma ruína, que não segurou o empate de Sergio Aguero por mais do que três minutos e viu Falcão marcar um golaço sobre o decepcionante Stones. 24ª do atacante na temporada, que indica ter voltado a melhor forma.

Guardiola reagiu tirando o perdido Fernandinho, que variava lateral e centro, para colocar Zabaleta mais fixo pelo lado, algo que deveria ter feito desde o começo. Assim como Leonardo Jardim deveria ter abaixado as linhas de seu time, compactando seus setores e blocando a marcando na pressão do City que nem precisou ser aleatória para conseguir a virada em seis minutos. Duas cobranças de escanteio na área, das quais Guardiola não gosta nem um pouco. Dois gols… E um Monaco que fazia tudo certo, entrando em transe. Acabou o gás de Mbappé, Lemar e Bernardo Silva, os motores do time francês. Assim com o meio forte de Fabinho e Bakayoko cansou. 
Panorama do jogo no Etihad – Reprodução: Tactical Pad.

Senha para o experiente e mais inteiro City sacramentar a vitória ao melhor estilo Guardiola. Movimentação e troca de passes de primeira: gol do ótimo e cada vez mais adaptado Sané.

Sem uma atuação sólida, mas com poder de reação, o City terminou o jogo com 61% de posse de bola e seis finalizações certas em oito, mesmo número de acertos do Monaco, que, porém, tentou 15 vezes acertar a meta de Cabalero.

Diferentes modelos de jogo, mas em comum ideias de futebol para disputar e construir, com emoção e muitos gols, um verdadeiro jogaço. Manchester City e Monaco travaram um duelo de altíssimo nível… Fica a expectativa para mais um jogaço no confronto aberto do jogo de volta.

Dados estatísticos: UEFA.com
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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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