Reativo, Fluminense controla um Flamengo sem ideias, mas só vence nos pênaltis

A promessa de um jogo interessantíssimo na final da Taça Guanabara não demorou para se cumprir. Em menos de dez minutos, o Fluminense já havia aberto o placar um em letal contra-ataque, que teve como plus o desconcertante drible de Wellington Silva em Pará antes da conclusão, e o Flamengo já havia vazado a defesa de Abel pela primeira vez no estadual, após na indecisão entre o goleiro e a zaga que terminou no tento de Arão.

Começo eletrizante que se estendeu por todo o primeiro tempo. Embate muito movimentado, mas longe de ser um jogaço apenas pelo largo placar e as emoções. Foram muitos erros de lado a lado, até naturais em propostas bem desenhadas, mas que ainda não podem deixar tudo. As falhas também foram a cara do jogo no Estádio Nilton Santos.

Como na virada do Flamengo com Everton no lance em que a defesa parou e viu Guerrero cabecear. Ou como na ruína que se tornou o setor defensivo Flamengo no lance do gol de Lucas, já após o empate de Henrique Dourado cobrando pênalti.
Fluminense postado em um 4-1-4-1 – Reprodução: SporTV
Fluminense mais reativo em um 4-1-4-1. Time compacto, próximo para defender, mas que não abdicou de atacar com boas triangulações e velocidade na transição com Wellington e Richarlison abertos, sem o lesionado Scarpa. Doglas deu lugar a Pierre e Orejuela foi jogar próximo a Sornoza. O armador moderno, que sai da linha de quatro para centralizar e conduzir o time, trabalha com passe, inversão e arremate. O venezuelano erá muito útil para o Fluminense que mistura ideias e joga de uma forma bastante moderna.
Triangulações do Fluminense – Reprodução: SporTV
O que não é diferente no Flamengo, mas que não funcionou para o time de Zé Ricardo na grande decisão. Os rubro negros conseguiram repetir pouco as triangulações, os apoios com posse e a pressão sem bola vista na última temporada e nas melhores atuações. Na transição defensiva, Mancuello e Everton deixaram a desejar e Trauco e Pará sentiram o poder da velocidade tricolor pelos lados. Espaços.

Em tarde ruim de seus extremos e sem o brilho de Arão, preocupado com a marcação ao lado de Rômulo, Diego ficou solitário na armação dos lances. E a solução acabou aparecendo na bola cruzada na área.
Panorama do primeiro tempo da decisão – Reprodução: Tactical Pad.
Algo ainda mais presente na etapa final, quando Abel Braga segurou seu time, compactando e buscando controle da partida. Legítimo e inteligente com a vantagem no placar e a evidente “vantagem tática”. Zé Ricardo foi pra aleatoriedade: FelipeVizeu para acompanhar Guerrero, com Gabriel e Berrio abertos. Diego veio trabalhar ainda mais atrás e como no primeiro tempo, ficou sozinho. Sem aproximação, não pôde triangular. Sobrava arriscar ou lançar. 
Flamengo sem a possibilidade de triangular – Reprodução: SporTV
No Flu, as entradas de Marcos Júnior, Marquinho e Calazans trouxeram um novo fôlego para marcar. O gol de Guerrero que decretou os pênaltis não veio de abafa, nem de pressão ou tão menos de bola alta. A linda cobrança de falta do cada vez mais completo atacante peruano salvou a tarde sem brilho, ou melhor: sem ideias do Flamengo.

Dos pés de Rever e Rafael Vaz, o Fluminense viu a Taça Guanabara ficar pelo chute de Wellington Silva. Convertido como o gol do terceiro minuto de jogo, só que do lado oposto do Nilton Santos cheio com duas torcidas.

Depois de um ano as escuras, o Fluminense recupera protagonismo e levanta o primeiro caneco, por mais simbólico que seja, entre os grandes brasileiros. A melhor notícia é que o time de Abel Braga tem um plano de jogo definido e é bem moderno, aproveitando o melhor de cada peça. A derrota do Flamengo não apaga a brilhante campanha e o belo trabalho de Zé Ricardo. Na verdade, as vésperas da estreia na Libertadores, a queda se apresenta como possibilidade de ajustes.
Panorama do segundo tempo – Reprodução: Tactical Pad.
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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

2 comentários em “Reativo, Fluminense controla um Flamengo sem ideias, mas só vence nos pênaltis

  • 8 de março de 2017 em 05:58
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    Entendo a empolgação que traz um FlaFlu, principalmente com 6 gols, mas isso não nos impede de observar a pobreza do jogo em relação aos seus mais simples princípios tanto defensivos como ofensivos, tais como cobertura defensiva que raramente existia, contenção ao portador da bola, que quando feita, ou era feita entre jogadores muito distantes ou até mesmo por dois homens deixando sempre uma ou duas linhas de passes entre eles ou quando existia uma "cobertura" de um jogador. Sem contar com as pessimas decisões tomadas por Sornoza, Richarlison, Pierre (que ja era de se esperar)…Ofensivamente os principios de apoio ao homem da bola, ao equilibrio da equipe, à ocupação dos espaços e a criação de linhas de passe eram momentos raros no jogo fos dois lados. O que me parece é que a maioria dos que estão dentro do campo não entendem o jogo, não têm a menor idéias dos conceitos de espaço. Compactação então, é uma palavra a não ser usada neste jogo de demasiado espaço entre as linhas defensivas e entre setores ofensivamente… Acho um exagero e mero modismo falar em futebol moderno tomando um desses dois times como exemplos…

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