Com intensidade e aplicação, Monaco derruba City e prova: é sempre melhor jogar

Aconteceu com o PSG na última semana e com o Sevilla em Leicester, os favoritos de seus confrontos pelo contexto. Aconteceu com o poderoso Manchester City de Pep Guardiola, em um jogo mais aberto é bem verdade. Porque as grandes noites de Champions League costumam ser implacáveis com quem aposta menos do que tudo na partida – o que pode ser uma postura covarde como a do Paris ou uma sonolenta como foi com espanhóis e ingleses. 
 
Leonardo Jardim ordenou pressão alta, intensa e incessante para roubar a bola perto do gol desde o minuto inicial. Mas, não afrouxou em outros setores. Onde havia um jogador do City com a posse, havia alguém ou alguns do Monaco fechando as linhas de passe, induzindo ao erro e tentando tomar a pelota de volta. 
Monaco pressionando o setor da bola – Reprodução: FS1
Com a posse, transição em alta velocidade! Bernardo Silva e Lemar fechando do lado para dentro e abrindo espaço para o apoio dos laterais, Germain – substituto de Falcão – e o ótimo Mbappé móveis no ataque e Fabinho conduzindo tudo de trás. Volume e chances empilhadas. Fosse na roubada de bola ou a partir da armação das jogadas. City assustado, sem sequência de jogo.  
 
Como nos gols do ótimo Mbappé e do multifuncional Fabinho. Em um primeiro tempo de domínio total do franceses. Mais intensos, mais variantes, mais rápidos e únicos em finalizações: seis a zero. O City de linhas baixas não conseguiu sair, triangular e agredir, ficou preso. Sofreu com o impeto do Monaco, mas poderia mais, igualando no minimo o anímico. Dava a impressão de estar cansado, amarrado. 
As linhas baixas do City na saída do Monaco – Reprodução: FS1
O sacode de Guardiola funcionou na volta do intervalo. Sem mexer nas peças, mas mudando o impeto, o City avançou as linhas, empurrou o Monaco para trás e começou a criar oportunidades. Sané e Sterling mais ativos pelos lados foram a chave do gol que dava a classificação. Finalização do inglês, defesa do goleiro e gol do alemão tudo pelas beiradas. A altura em que as estatísticas mostravam seis a um para os citizens em arremates – na etapa final. Melhora significativa. 
 
Com confronto mais equilibrado, o City sofreu pelo primeiro tempo completamente inerte, sofreu pelo todo, pelo contexto. Sete minutos separaram a euforia da queda, quando a bola cruzada área encontrou Bakayoko livre. Em outro erro de marcação do péssimo sistema defensivo do Manchester de Guardiola. Tônica nos dois jogos das oitavas e em boa parte da temporada.   
 
Havia pouco tempo para um desespero que pudesse acarretar em uma reação. Mais improvável ainda por todo o cenário. Mesmo com uma etapa final abaixo da inicial, o Monaco provou: é sempre melhor jogar do que especular. O sonolento e inerte City foi castigado pela intensidade e a aplicação francesa. 
 
A queda deve servir como reflexão para Guardiola e será fundamental na montagem do próximo elenco, cheio de debilidades. É sempre uma pena ver um técnico de primeira linha caindo tão cedo na Champions, na mesma linha que é ótimo ver o Monaco dos jovens – jogadores e técnico – seguindo. 
 
Dados estatísticos: UEFA.com
 
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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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