São Paulo domina, Corinthians se defende bem e o clássico de propostas definidas termina igual

São pouco mais de dois meses de temporada. Os trabalhos dos técnicos por todo o Brasil começam a caminhar com passos mais largos e firmes, mostrando suas caras e o que devem apresentar no Brasileirão. Estaduais chegando ao fim, Libertadores nas primeiras rodadas e Copa do Brasil chegando a fase mais aguda, apesar de ser uma competição muito longa. Olhando o contexto, é impossível cobrar o desempenho máximo e até por isso ninguém consegue sobrar, ainda. 
 
Mas os times já tem caras, estilos, modelos bem definidos… Sempre com ajustes por fazer. Como o São Paulo de Rogério Ceni. Um time de alta posse de bola, marcação e linhas sempre altas e muita movimentação no terço final, para criar chances de gol envolvendo o adversário. Esse é a ideia, que não garante efetividade em todas as partidas. Mas tem por isso o ataque mais positivo da competição estadual, mas também por sua ideia e algumas falhas individuais, a pior defesa do torneio. Segue em busca de equilíbrio. 
 
E no clássico contra o Corinthians, as faces do time de Ceni apareceram. Desde o começo da partida, linhas altas e muita movimentação para gerir a posse e tentar furar o bom bloqueio do alvinegro. Laterais espetados, Thiago Mendes soltando-se do trio com Cícero e Jucilei, mais preocupados com a saída de bola, ajudando Luiz Araújo e Wellington Nem – o substituto de Cueva -, na armação. Jogo apoiado, dando sempre ao portador da bola mais de uma opção de passe. 
 
Um volume que deu aos donos da casa picos de 65% de posse de bola, mas que não resultou em nenhuma finalização na etapa inicial. Porque o Corinthians de Carrile manteve-se compacto e muito organizado durante todo o tempo. Com Maycon e Pedrinho muito atentos aos avanços de Araruna e, principalmente, Junior Tavares. Com Gabriel ligado as incursões de Nem que tentava emular Cueva. Sem subir as linhas, a marcação baixa e sempre próxima permitia muito pouco a equipe de Ceni. 
Corinthians bem compacto e São Paulo se movimentando. Laterais espetados, Thiago Mendes infiltrando e Luiz Araújo buscando as entrelinhas. Jucilei, com a bola, tem três opção de passe curto. – Reprodução: Globo.
Mas faltava o contra-ataque que pudesse premiar e completar a ótima ação defensiva. Com a bola, alguns lançamentos de Jadson sem destino e um lance de proximidade e rápidas trocas de passe, que terminou no arremate de Rodriguinho – único na meta no primeiro tempo. Cautela compreensível, mas que poderia contrastar com mais momentos ofensivos. 
 
Com mais contra-ataque com o que Wellington Nem armou, colocando como Cueva o jovem Luiz Araújo na cara de Cássio. A melhor chance do jogo antecedeu o gol de Maicon em jogada ensaiada no escanteio. O São Paulo cresceu animicamente, conseguiu ter mais espaços para jogar e finalizar mais vezes – terminando com onze tentativas e seis acertos. Notável melhora em relação a um primeiro tempo que não fez o goleiro do Corinthians trabalhar. 

Carrile se viu na obrigação de avançar o time e em meio a isso sacou Pedrinho para colocar Léo Jabá. Do lado oposto, o centro de Guilherme Arana terminou no gol de Jô, livre no meio da defesa tricolor. O terceiro do contestado atacante em três clássicos. Senha para o Corinthians crescer e dominar os minutos seguintes. 
 
Com Guilherme Arana e Léo Jabá ativos pelos lados, Rodriguinho e Jadson ficaram mais presos, mas ainda assim os visitantes foram criando oportunidades. Dez finalizações no total, com seis acertos – um a mais que o São Paulo. Chances que deixavam cada vez mais clara a sensação de que o Corinthians viraria o jogo no Morumbi. 
 
Porque o São Paulo perdeu a velocidade e intensidade na disputa, o índice de posse caiu e com isso o domínio e o volume também. Rogério tentou reativar o time com Neilton e Chavez, mas seguiu sentindo a falta de um pé que pudesse pensar no centro e também da movimentação que Lucas Pratto trás no comando ofensivo. 
 
O tricolor acabou cruzando demais: 23 tentativas com 19 erros. Mas venceu nos desarmes com 17 a 14 e também nos passes certos com 368 a 319 – taxa de acerto de 91%. 
 
Foi mais uma vez o São Paulo que Rogério tem colocado em campo. Um time que domina maior parte do jogo e se move constantemente para criar oportunidades. Porém, tem falhado demais atrás. O que custou um ponto contra um Corinthians extremamente organizado, que compensa em seu modelo de jogo os desequilíbrios do elenco. Empate justo em um jogo de propostas definidas e executadas, cada uma de seu jeito. 
 
Dados estatísticos: Footstats.net.
Panorama do segundo tempo no Morumbi – Reprodução: Tactical Pad. 
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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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