Controle e eficiência na vitória do maduro Palmeiras

A campanha da primeira fase não sugeria dificuldade ao Palmeiras contra o Novorizontino, pior entre os oito qualificados as quartas de final do Paulistão. Porém, a “sensação de facilidade” passou logo nos primeiros minutos. Treinado por Silas, o time de interior apresentou duas linhas de quatro bem compactas e reativas, com Roberto aproveitando, a partir da direita, o jogo em velocidade nas costas de Egídio e Dracena, que se desentenderam na marcação nos primeiros minutos. A chance perdida por Everaldo parecia ser a mais cristalina, como a flecha única que o pequeno teria contra o grande. Até o ponteiro criar outra e finalizar ao invés de servir para colocar o tigre na frente.

Um cenário desfavorável se desenhava. Porque até ali, o Palmeiras não havia se encontrado no jogo. Desfalcado de seus dois laterais e seu meia mais criativo, Eduardo Baptista voltou ao 4-2-3-1. Dono da posse da bola desde o começo, o verdão teve dificuldade na transição ofensiva frente ao fechado Novorizontino. Lenta na saída, distante com Tchê Tchê preocupado com as ações defensivas ao lado de Felipe Melo, o que isolou Dudu, centralizado, em alguns minutos. Willian, escalado para compartilhar da armação com o camisa sete, foi peça nula. O incisivo Roger Guedes também conseguia muito pouco a partir da posse.

Palmeiras se aproximando para trocar passes e fazer a transição. Novorizontino fechado em duas linhas de marcação – Reprodução: SporTV.

Quando conseguiu se aproximar mais e se estabelecer no campo de ataque, o Palmeiras foi soberano. Já com Tchê Tchê mais avançado, Dudu “rodeado” e a bola saindo limpa com Mina ou Felipe Melo, o domínio foi aumentando. Pressão com bola na trave e boas intervenções do goleiro. Até o tento de Dudu no bate rebate. A virada já era questão de tempo e naturalidade pelo comando, em um primeiro tempo com 63% de posse alviverde e 15 finalizações.

Senha para um etapa final muito madura do time de Eduardo Baptista. Ditando o ritmo, mas sabendo dosar dentro do contexto. Com Keno pela esquerda, Dudu ganhou mais uma companhia na armação das jogadas. Na forte bola alta, o time do jogo apoiado e das transições por baixo, virou com Borja. Silas fez menção de avançar o time, primeiro com Henrique Santos ao lado de Doriva, depois com Alexandro ao lado de Everaldo na referência e Caique na ponta. Tentou, mas o jogo era de total controle do Palmeiras.

Com Michel Bastos e Erik nos lugares de Dudu e Borja, os visitantes voltaram ao 4-1-4-1 com Roger Guedes na referência, de onde desviou o cruzamento da direita e sacramentou a virada e a vitória. Expulso de forma inacreditável por comemorar com sua torcida no alambrado. Três bolas na rede das 10 finalizações certas nas 24 que tentou. Quase um gol a cada três chutes certos, uma média e tanto.

Em Novo Horizonte, volume e eficiência marcaram o triunfo de um Palmeiras muito maduro nas mãos de Eduardo Baptista. Linhas próximas, jogo apoiado e um controle muito maior, o que reduz as oscilações. Um ótimo trabalho. O atual campeão nacional só evoluiu desde sua conquista no último mês de dezembro.

Dados estatísticos: Footstats.net

Panorama do segundo tempo em Novo Horizonte – Reprodução: Tactical Pad. 
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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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