Real Madrid 2×3 Barcelona – O clássico de Messi e das escolhas erradas de Zidane

Eliminado da Champions League sem marcar um gol em 180 minutos contra a Juve, sem Neymar suspenso e com as fases inconstantes de Rakitic, Iniesta e Luis Suárez, além do declínio coletivo da equipe. O raio-x do Barcelona que chegava ao Santiago Bernabéu para o superclássico não era dos mais animadores para o torcedor catalão. Ainda mais com um Real Madrid em boa fase do outro lado, animicamente melhor e coletivamente vivendo uma fase superior. 
 
A entrada de Alcácer na vaga de Neymar formou um Barça como Luis Enrique tem gostado de ver, pelo menos em relação a Messi, outra vez mais centralizado. Rakitic foi “sacrificado” na ponta direita e duas linhas de quatro homens formadas por trás do camisa dez e o artilheiro Suárez.
4-4-1-1 do Barcelona no Bernabéu – Reprodução: Sky Sports.
Para o Real de Zidane, o posicionamento de Messi não era lá um problema, porque “bateria” com Casemiro, seu melhor marcador, e ainda daria espaço para Kroos e Modric criarem entre as linhas. Rigorosamente foi o que aconteceu nos primeiros trinta minutos. O Madrid foi o dono da posse e das ações ofensivas, pressionando a saída do Barcelona, mas acelerando a troca de passes no terço final para criar chances de gol, principalmente com Cristiano Ronaldo caindo as costas dos laterais dos dois lados. Foram nove finalizações com sete acertos a meta de Ter Stegen na primeira etapa.
 
Sem a bola, Bale retornava pela esquerda e Modric abria do lado oposto, formando também duas linhas de quatro. Combate intenso e preciso a um Barça que queria se instalar no campo de ataque com longas trocas de passe, mas pouca velocidade e objetividade. Tão menos pressão para retomar perto do gol. 
Pressão do Madrid no campo de ataque – Reprodução: Sky Sports.
Veio o gol de Casemiro para coroar o tempo muito superior do time de Zizou. Vantagem que durou apenas quatro minutos. Até Messi acelerar a insossa troca de passes e como de costume abrir a defesa com dribles rápidos de bola colada ao pé e deixar tudo igual. Senha para minutos seguintes de um Barça mais confiante e um Madrid impreciso na saída. 
 
Já com Asensio na vaga do lesionado Bale, que nem em campo deveria ter entrado por seu estado físico e a sequência ruim na temporada, o time da casa ganhou velocidade e criatividade na saída sobre Jordi Alba. E os primeiros movimentos da etapa final foram frenéticos, com chances claras de lado a lado, muitos espaços nas intermediarias e os goleiros trabalhando de forma árdua e eficiente. Crescia o jogo de Messi entre as linhas do Madrid com um pendurado Casemiro. 
Panorama tático em Madri – Tactical Pad
Com seguidas decisões de alta intensidade nas pernas, o Madrid cansou e as escolhas de Zidane pesaram. A primeira foi boa, de sacar o amarelado Casemiro que estava no combate direto a Messi para renovar o gás com Kovacic. Mas a permanência do extenuado Kroos foi fatal. Sem precisão nos passes, nem pressão na marcação, o alemão assistiu o gol da virada de Rakitic. Quase uma roleta russa em segundo tempo aberto. Quem acertasse primeiro passaria a frente. Questão de efetividade.
 
Ou então de manter Benzema por tanto tempo. O atacante que pouco ajuda nas diversas fases do jogo e soma o mesmo número de gols que seu reserva na temporada. Em outra bola que faltou combate de Kroos, Sergio Ramos matou o lance e acabou expulso. 
 
A tarde parecia perdida no Bernabéu, com um Madrid completamente aleatório e desestruturado. O Barça empilhava chances contra um Nacho quase sozinho na defesa. Entrou James Rodríguez na vaga de Benzema e em um toque completou o cruzamento de Marcelo na desatenção de defesa blaugrana. O gol que dentro de todas as aspas possíveis era do título para o time de Zidane. “Cabeça em campo” pedia o colombiano após balançar a rede. Era necessário…
 
Faltou e veio o erro fatal. Ao invés de administrar a posse ou juntar jogadores para defender, o time de Zidane se lançou ao ataque em busca de um gol possível, dada a desorganização do Barcelona como time. Mas que não veio e na tentativa de marcar alto com um jogadores a menos resultou num contra-ataque e o gol de Lionel Messi. 24º do maior artilheiro da história do maior clássico de futebol do mundo. Um duro golpe.
Com apenas nove na linha, o Madrid colocou seis homens no campo de ataque. Fatal – Reprodução: Sky Sports.
La Liga está viva e mais aberta do que nunca. O Real Madrid ainda tem um jogo a menos é bem verdade, mas também uma tabela mais difícil, as atenções divididas com as semifinais da Champions League e o baque da derrota em um clássico em casa. Administrar tudo será fundamental, como não soube fazer Zidane no clássico de Lionel Messi. 
 
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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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