Intensidade, fluidez e eficiência na vitória do Real Madrid de Cristiano Ronaldo

Zidane manteve Isco, o melhor jogador do Real Madrid nas últimas semanas, para a primeira decisão contra o Atlético de Simeone. Como no duelo com o Bayern na fase anterior, há duas semanas, um losango no meio-campo. Só que diferente da formação que deu espaços ao time alemão e não conseguiu controlar o jogando Bernabéu, à disposição contra os colchoneros foi outra.

Cholo até tentou subir suas duas linhas de quatro no começo do jogo, com Carrasco a esquerda para cair as costas de Carvajal e Koke do lado oposto ajudando na subida de Marcelo. Porém o time de Zizou encaixotou o rival, com alta intensidade fez da pressão um arrastão e ficou com a bola no pé. Troca de passes com fluidez no meio campo e muita movimentação para confundir as compactas linhas do Atlético. Foram necessários nove minutos para ver um Cristiano Ronaldo, cada vez mais de área, marcar o primeiro. Êxtase que transformou os 20 minutos iniciais em uma blitz irresistível do dono da casa.

Atlético fechado em duas linhas, Real Madrid se movendo para triangular. Modric faz a transição, Isco se move nas entrelinhas e a dupla de ataque na referência.

Sem saída pelos lados, nem velocidade no terço final, o Atléti também não se estabeleceu por dentro, em tarde imprecisa de Koke e Saúl, engolidos pela intensidade e variações do trio Modric, Kroos e Isco. Simeone tentou inverter os pontas, trocas passes, lançar bolas… Mas não conseguiu ser criativo.

Panorama do primeiro tempo, com domínio total do Real Madrid. 66% de posse de bola e 11 finalizações com seis acertos – Reprodução: Tactical Pad.

Por isso Gaitan e Fernando Torres na volta do intervalo. O primeiro entrou na vaga de Saúl e mandou Koke para dentro da segundo linha. O centroavante ficou como Gameiro, isolado e desabastecido. Mais tarde com Correa na vaga de Carrasco, o Atlético que voltou a subir as linhas na etapa final, mas seguiu inativo. Sem criatividade, nem volume, viu o Real Madrid ter o controle do jogo, dosando o ritmo e a intensidade em alguns momentos. Em uma das atuações mais completas da era Zidane.

Completo como Cristiano Ronaldo, que depois de conferir como nove, teve oportunismo para aproveitar a falha de Filipe Luís e fuzilar Oblak. E ainda, com Lucas e Asensio em campo, já como nove, completar o cruzamento do ponta para anotar seu hat-trick. O 103º do insaciável português, que se reinventa a cada ano, em noites de Champions League. Na atual temporada, se poupou para chegar inteiro as decisões e mostrou que a escolha valeu a pena. Oito bolas na rede em três jogos de mata-mata europeu do atacante mais completo da atualidade. Faro de gol absurdo.

Na melhor atuação do pouco consistente Real Madrid, que voltou a sair de um jogo sem ser vazado depois de sete partidas e três meses, a entrada de Isco e a mudança de esquema proporcionou uma maior fluidez de jogo. Pressão e controle. Uma exibição, que somada a intensidade e o faro goleador de seu camisa sete, pode resultar no décimo segundo título continental. Inédito bi da era moderna da Champions. Uma provável decisão contra a sólida Juve ou o veloz e jovem Monaco não será fácil. Mas é melhor não duvidar da força deste Real Madrid.

Panorama tático do segundo tempo no Bernabéu – Reprodução: Tactical Pad.

 

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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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