A Juve das mutações, de Daniel Alves a Híguain, se aproxima de uma final espetacular

Allegri surpreendeu ao escalar Barzagli na vaga de Cuadrado para o duelo do Principado. O primeiro pensamento era de um time mais marcador contra um potente ataque – dono de 146 gols na temporada -, mas sem o argumento ofensivo que o colombiano oferece com a bola. Haviam dois motivos importantes para a mudança em relação ao time que atropelou o Barcelona. De inicio, o defensor trabalhou como lateral direito. Mais fixo para vigiar as progressões do perigoso Lemar e auxilar o miolo defensivo na marcação ao ótimo Mpabbé com Falcão Garcia na referência. 

 O que fez de Daniel Alves um ponteiro. Mais avançado, o brasileiro teve atuação de gala. Completo. Desarmou e armou, coordenou transições, abriu o campo e confundiu demais o sistema de marcação do técnico Leonardo Jardim. A Juve que começou com bola no pé e pressão sufocante para não permitir o perigoso contra-ataque, marcou a partir dele. Passe magistral do lateral-meia para Híguain desencantar no mata-mata.

Juventus marcando em duas linhas compactas – Reprodução: GE.com

Os donos da casa conseguíram sair mais, mas a noite pouco inspirada de Bakayoko, Fabinho e Bernando Silva permitiu pouco. Sem jogo por dentro, só mesmo a movimentação dos dois atacantes, que até levaram perigo em algumas bolas cruzadas. Faltou o incisivo Mendy, e com Sidibé improvisado na esquerda, o time francês sentiu a falta do constante apoio dos laterais. 

As mutações da Juve seguiam fundamentais. Na transição defensiva, Daniel Alves e Manduzkic por muitas vezes formando até uma última linha de seis. Um verdadeiro muro, intenso, móvel e preciso para conter o impeto do Monaco, que aumentou no segundo tempo. Com a bola, velocidade nas transições e intensidade nas ações ofensivas. Como na pressão de Dybala e Daniel Alves, que acabou no cruzamento para Híguain marcar o segundo.
O muro juventino, com variações que deixaram a última linha com até seis homens. Reprodução: FS1

Leonardo Jardim sacou Bakayoko para colocar João Moutinho, depois Lemar para a entrada de Germain, puxando Mpabbé para o lado do campo e reoxigenando a frente ofensiva. Mais cruzamentos. 38 no total, com dez acertos. Muitos deles até terminaram em finalizações, mas nenhuma das seis que foram a meta de Buffon conseguiram vencer o espetacular goleiro italiano. 

4-2-3-1, duas linhas de quatro, três zagueiros… A Juventus foi mutante na França. Mas sobretudo intensa, veloz, precisa, efetiva! Da atuação que tangenciou a perfeição do ponto de vista tático, com exibição de Daniel Alves e faro de gol de Híguain, a estrada pavimentada ao desafio de Cardiff. Uma final espetacular vem por aí. 

Dados estatísticos: UEFA.com e footstats.net

Panorama final no Principado – Reprodução: Tactical Pad.
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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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