A reafirmação continental do United, com a cara de José Mourinho

O Manchester United chegou a decisão da Europa League com média de 56% de posse de bola. Uma das mudanças no estilo do Mourinho, que sempre prezou pelo jogo mais reativo, desde que chegou ao Old Trafford. Seu United se tornou mais vertical e propositivo ao longo da campanha apenas média para as pretensões do clube na Premier League. Mas não esqueceu os momentos de reatividade, como na espetacular vitória sobre o campeão Chelsea há pouco mais de um mês. Estava ali um possível modelo para a decisão contra o jovem Ajax. 

Que teve sua velocidade travada pela intensidade na marcação de linhas próximas e encaixes individuais na zona por onde a bola transitava. Como fez com Hazard no jogo citado acima, o bloqueio homem a homem em Klaassen, pé pensante do time holandês, tornou a transição dos comandados de Peter Bosz pobre e inócua. Younes e Bertrand Trouré, ponteiros com a missão de alargar e infiltrar não conseguiam sair do bloqueio feito pelos lados, com a dobradinha dos laterais com os pontas. Tão menos apareceu Dolberg, destaque da campanha, que tinha pouca mobilidade por dentro. Os encaixes deixavam a saída no pé de Davinson Sanchez, zagueiro ex-Atlético Nacional, sem qualquer qualidade para o passe mais vertical que o time precisava. 

Flagrante da marcação encaixada do United – Reprodução: Fox Sports. 

Controle total do meio campo, mas poucas transição ofensivas, que mostravam que o United ainda precisava de algo que o aproximasse do gol. Mata e Mkhitaryan, escalados pelos lados do campo, com Fellaini centralizado no 4-2-3-1 do português, deixavam o avançado Rashford muitas vezes solitário para brigar pelos lançamentos. Controle pouco efetivo, até o gol no erro lateral dos holandeses. Chute desviado de Pogba para transformar o domínio territorial em vantagem. 

O que afobou ainda mais o jovem time do Ajax, que junto ao abatimento emocional, sentiu o peso da grande decisão. Questões subjetivas é bem verdade, mas evidentes dentro de campo. Sem opções para sair da intensa marcação de Mourinho, a posse que chegou aos 67% batia e voltava na linha de meio campo, com vigor na marcação e transição rápida de Ander Herrera e Pogba, apoiados com Fellaini, Mkhitaryan e Mata. 

Flagrante do 4-2-3-1 do United, sem pressão na saída – Reprodução: Fox Sports

Vantagem tática, física e psicológica, que foi sacramentada na bola alta com Mkhitaryan, em outro vacilo da defesa, logo aos dois minutos do segundo tempo. Fatal. E roteiro para Mourinho recuar suas linhas e fechar a frente da área com eficiência. O Ajax seguiu com alta posse de bola, mas sem poder de infiltração. As entradas de David Neres e Beek mudaram muito pouco o panorama dos trinta minutos finais em Estocolmo. Foram apenas três acertos em 17 finalizações dos holandeses. Com quatro acertos em seis tentativas do outro lado. Dois gols. 50% de aproveitamento. Espantosamente eficiente. Ainda que bem pouco plastico, quase que pragmático. 

Vitória com título e uma boa atuação dentro do modelo proposto. Mais marcação e reatividade, sem perder a intensidade em nenhum instante. O Manchester United se reafirma no continente e mais do que o título da Europa League, volta a Champions na temporada 2017/18. A identidade perdida com a saída de Sir Alex Fergunson parece retornar ao lado dos vermelhos de Manchester. Desta vez com a cara do multivencedor José Mourinho. 

Dados estatísticos: UEFA.com 

Facebook Comments

Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *