As boas perspectivas do Atlético/PR e a dificuldade do Fluminense em propor o jogo

Eduardo Baptista tem pouco mais de duas semanas no comando do furacão, o que torna impossível imaginar que time tenha sua cara e jogue da forma que planeja. Porém, o Atlético Paranaense já começa mostrar os traços do trabalho do comandante.

Como no jogo contra o Fluminense no Maracanã. Linhas próximas e compactas, saindo com a bola no chão, triangulações e apoios para chegar à frente com opções. Como no passe de Lucho Gonzalez para Jonathan, que encontrou Pablo para abrir o placar, logo aos sete minutos.

Com a vantagem, os comandados de Eduardo deram a bola para o Fluminense e fecharam a frente da área. Explorando uma debilidade do time treinado por Abel Braga. Jogar a partir da posse e não da retomada segue sendo muito custoso para o reativo tricolor carioca. No estadual, viveu seus melhores momentos acelerando com os pontas no terço final e vendo Henrique Dourado, artilheiro do time na temporada, definir.

Atlético/PR compacto no 4-1-4-1 – Reprodução: Premiere.

Com a bola, Scarpa fica obrigado a buscar perto dos volantes e sozinho não tem opção de passe que faça o jogo fluir e carregue o time para frente. A saída é pouco qualificada. No terço final, os toques são para trás e para o lado, o que resulta em poucas oportunidades claras de gol, apesar das seis finalizações certas em nove tentativas no primeiro tempo do duelo desta terça. Muitas delas de longe e uma na bola alta, com cruzamento do camisa dez e gol do zagueiro Reginaldo.

O técnico do furacão voltou do intervalo com Douglas Coutinho na direita, o que remanejou Nikão para a ponta esquerda e avançou Pablo na vaga do substituído e pouco ativo Eduardo da Silva. Também Rossetto no lugar de Eduardo Henrique, em busca de mais fluência e velocidade no jogo pelo centro.

Subindo a posse e agredindo os espaços do Fluminense, o Atlético permitiu ao time carioca o contra-ataque, jogo preferido do time de Abel Braga. Porém, a noite ruim de Richarlison e um Scarpa muito isolado e cada vez mais centralizado permitiram muito pouco no jogo em transição.

Scarpa buscando jogo na linha dos volantes, isolado na armação – Reprodução: Premiere

Enquanto Deivid entrou na vaga de Lucho Gonzalez para reforçar o folego do meio, Abel mudou a formatação com Matheus Alessandro na vaga de Lucas, empurrando Renato para lateral e formando um 4-2-3-1 com o camisa dez por trás de Henrique Dourado e Richarlison pelo lado direito.

A lesão de Wanderson deixou o Atlético com um jogador a menos, já que Eduardo tinha feito todas as mudanças e foi a senha para o Fluminense buscar a virada na pressão aleatória. Marcos Junior entrou pela direita na vaga de Luiz Fernando e Pedro se juntou a Henrique Dourado, no lugar de Richarlison, para povoar a área.

Fluminense povoando a área para pressionar nos minutos finais – Reprodução: Premiere

11 acertos em 37 cruzamentos, apenas uma finalização certa em seis na etapa final do Fluminense. Enquanto Atlético teve a bola do jogo no contra-ataque, mas Nikão desperdiçou cara a cara com Júlio César.

Justo pelo que foi o jogo no Maracanã. Domínio ineficiente dos comandados de Abel Braga, que mostrou a dificuldade que o Fluminense tem em propor o jogo. Organização que dá boas perspectivas ao Atlético de Eduardo Baptista.

Dados estatísticos: Footstats.net

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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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