Brasil 0x1 Argentina – O bom esboço de Sampaoli e o padrão brasileiro

O ex-técnico do Sevilla teve poucas sessões de treinamento com seus primeiros convocados na era como comandante da albiceleste. Sem dúvida, o trabalho, que tem como base teórica Bielsa e Guardiola, será complexo e exigirá muito exercício campal. Mas também muita conversa para convencer o elenco de suas ideias para triunfar. O que foi fundamental para o primeiro teste. Já na lista, divulgada há algumas semanas, antes mesmo de seu anuncio oficial, algumas mudanças importantes.

Em campo, o começo do amistoso contra o embalado Brasil de Tite foi de linhas altas e pressão intensa na saída de bola canarinho. Sampaoli avançou seu 3-4-2-1 para sufocar a transição brasileira, mas também queria valorização desde trás, com apoios e linhas de passe para progredir com qualidade e opções no campo ofensivo.

Saída de bola da Argentina totalmente apoiada.

Na dinâmica ofensiva, José Gomez, o ala pela direita, segurava mais o posicionamento em relação a Di María, do lado oposto. O meia do PSG avançava chegando ao fundo, se associando por dentro e fazendo as diagonais – em uma delas balançou a trave de Heverton no rápido contra-ataque. Foi a melhor chance da Argentina que foi melhor nos primeiros 15 minutos do primeiro tempo.

Contra-ataque que surgiu porque Tite percebeu que precisaria avançar suas linhas para não ser sufocado. Mas diferente do time de Sampaoli que marcava pressão o campo todo, as linhas mais altas eram vistas apenas o terço final do campo, ou melhor na saída de bola. Paulinho e Renato Augusto travavam a transição de Banega e Biglia com a bola, Messi por trás deles circulava pouco e então a seleção albiceleste perdia dinâmica ofensiva.

Transição do Brasil marcada por pressão pela Argentina

Senha para os líderes das eliminatórias controlarem o jogo e logo em seguida criarem as melhores oportunidades. Coutinho percebeu o espaço que tinha para o mano a mano com Mercado, sem o apoio de Di María na marcação. Então faltou efetividade para colocar para dentro um das várias oportunidades de gol. Veio o castigo no escanteio curto, que mesmo abominado por aqui é importante instrumento estratégico. Mercado marcou no rebote da segunda bola, livre.

O zagueiro goleador voltou do intervalo na lateral, porque Sampaoli reorganizou o time no 4-4-1-1 em busca de mais compactação para defender a vantagem. Tite inverteu os ponteiros, avançou Renato Augusto para gerar jogo por dentro e foi para a pressão. Mais chances criadas e perdidas, como as bolas na trave de Gabriel Jesus e Willian, ambas com o gol livre.

Entrou em campo o show de substituições característico dos amistosos, cada um no sentido que precisava. Guido Rodríguez para ser o homem entre as linhas da Argentina, Mammana para a direta e Tagliafico para a esquerda, Lanzini para o meio e Corrêa para a ponta. 4-1-4-1 com Messi como falso nove, cada vez mais desconectado do jogo.

4-1-4-1 da Argentina.

Tite tentou com Rafinha para ganhar apoio e profundidade pela direita, já que Fagner havia ficado muito mais preocupado com Di María do que com os avanços. Depois Douglas Costa por Renato, o que trouxe Coutinho para jogar por dentro, pela primeira vez com Tite, ao lado de Giuliano para entrou no lugar de Paulinho.

O jogo esfriou, embora a seleção brasileira tentasse pressionar em busca do empate que salvaria a invencibilidade de Tite. Algo irrelevante no contexto de um amistoso com alguns testes e frente há um bom adversário. Apesar do revés, ficou a boa atuação coletiva e o modelo de jogo cada vez mais bem implantado com o grupo que vai a Rússia no próximo ano em busca do Hexa.

Bom também para Sampaoli e a Argentina. Vitória simbólica dentro do que o time apresentou. Mudança drástica em relação ao futebol pobre apresentado por Edgardo Bauza, técnico de características bem opostas. Boa resposta do elenco com pouco tempo de treino. Valorização da bola, intensidade, pressão… O time começa a ter a cara do técnico! Um bom esboço inicial.

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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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