Corinthians segue mais pronto, mas falhas individuais condenam São Paulo no clássico

Rogério Ceni mudou a direção para o clássico deste domingo contra o líder e invicto Corinthians, em Itaquera. O comandante manteve os três zagueiros como nos jogos contra Palmeiras, Ponte Preta e Vitória, formação que trouxe mais consistência ao sistema defensivo e ajudou na melhora do desempenho, mas mudou o meio campo. Ao invés de dois homens abertos ao lado de Pratto, Éder Militão, Jucilei e Cícero, numa trinca que junto a Junior Tavares e Marcinho nas alas, tinha como objetivo impedir as transições e associações alvinegras por dentro, com Jadson, Marquinhos Gabriel e Romero. Formação que deixava o time bem mais lento e sugeria domínio da posse de bola.

Durou pouco mais de seis minutos. Porque o início do Corinthians foi de muita pressão, alta intensidade e rotação, com Marquinhos Gabriel aparecendo por dentro e o jogo apoiado, característico, servindo para abrir a frente da defesa, já que os lados eram bem protegidos. Passe por elevação do ponta armador, sistema parado e gol de Romero. Senha para 15 minutos de domínio dos donos da casa, com chances geradas e um São Paulo perdido do outro lado.

São Paulo defendendo com linha de cinco e Corinthians avançando com opções para triangular. Reprodução: Premiere

Chegou o gol de Gilberto na bola alta. Tento que recuperou o time de Ceni, então mais bem postado, retendo a posse e controlando o impeto de um Corinthians que era soberano. Momento de Carille manter as linhas compactas, fechando a frente da área… São Paulo também não conseguiu criar chances de virar e o primeiro tempo se encaminhava para um justo empate pelo que as equipes haviam jogado e criado.

Até o erro de Maicon, que deu a bola no pé de Jô e viu Gabriel marcar no rebote de Renan Ribeiro. Terceira finalização certa do Corinthians entre as seis que tentou em uma etapa inicial com 63% de posse de bola para os donos da casa.

Corinthians compacto em duas linhas – Reprodução: Premiere

Rogério avançou o time na volta do intervalo, a exemplo que fez também nas partidas que venceu contra Palmeiras e Vitória. Com Bruno na vaga de Lucão, formou linha de quatro atrás, com Marcinho aberto no trio de ataque com Gilberto e Pratto. Cresceram as transições a partir da bola e as chances criadas. Porém, sem a defesa mais bem posicionada e o rápido recuo para formar as linhas, o Corinthians ficou com o espaço. Como na jogada que originou o pênalti cometido pelo frágil Douglas e convertido por Jadson. Aproximação, triangulações e toques rápidos para pegar um sistema outra vez mal postado.

Nova falha de uma defesa destinada a errar, fosse pela lentidão de seus integrantes ou pela tomada de decisão, sempre equivocada. Ceni foi para o tudo ou nada com Wellington Nem e Thomaz, armando um 4-2-3-1 com linhas próximas da meta corintiana, que seguiram oferecendo o contra-ataque com espaço para time treinado por Carille. Imprecisão de um lado… veio do gol de Nem do outro, que permitiu ao tricolor uma pressão com bolas altas em busca de um empate salvador nos minutos finais. Com Claysson e Clayton, o comandante alvinegro reoxigenou os lados do campo, para correr atrás do abafa.

Mais uma derrota do São Paulo fora de casa. Os comandados de Ceni não fizeram um mal jogo, analisando todo o contexto é óbvio. Boa postura e algum controle após empate, porém a falta de infiltrações que foram resolvidas só na etapa final. Os erros do trio de defensores foram fatais. Porque o Corinthians segue sendo mais pronto, bem mais completo, e tem ao lado do Grêmio o melhor futebol do Brasil em 2017 – não a toa líder e vice líder da competição nacional. Mudam os jogadores, não muda o sistema. É cedo para pensar no título,  mas o bom desempenho sugere a possibilidade do hepta na favela.

Disposições táticas nos minutos finais em Itaquera – Tactical Pad

 

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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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