Maturidade na execução do modelo de jogo é o grande trunfo do líder Corinthians

O duelo do líder contra o vice-líder, separados por um ponto, repartindo o melhor desempenho no Brasil em 2017, tinha todos os olhos voltados para si na rodada. Sem o ar de jogo vital, até porque falamos de décima rodada de um campeonato de 38, que muda com janelas e oscilações de times ou jogadores. Mas é claro que seguiria apontando para alguma direção.

Expectativa correspondida desde o início do jogo. Grêmio propositivo, soltando os laterais, contando com a chegada de Arthur de trás e o constante movimento de Luan, do centro para todos os lados em busca da bola, e também de Pedro Rocha, peça incisiva do 4-2-3-1 de Renato Gaúcho, partindo sempre da esquerda para dentro. Foi autor da primeira grande chance do tricolor, de longe. A única chance real no primeiro tempo.

Porque infiltrar e estabelecer o jogo entre as linhas de Fábio Carille era uma missão muito difícil. Compactação, intensidade e muita concentração foram algumas das palavras que podem definir a atuação alvinegra do Sul. Sempre com o conceito da “bola coberta”, que é pressionar o portador da posse, fechando seu passe, um possível lançamento ou finalização. Uma barreira!

Grêmio ocupando o campo ofensivo, Corinthians compactando e pressionando o portador da bola. A tal bola coberta. Reprodução: TV Globo.

Com a bola, os comandados de Carille trabalharam uma saída apoiada em passes e triangulações. Sem acelerar tanto, mas progredindo muito bem com os bons passes dos volantes e a movimentação dos três armadores e Jô. Assim Paulo Roberto criou as duas chances do Corinthians no jogo. Se na primeira errou a finalização, na segunda acertou o passe para Jadson abrir o placar. Efetividade!

O Grêmio aumentou o ritmo e a pressão, que já era grande. Posse de bola, linhas altas, volume… Mas poucas chances mais claras, porque romper as linhas ultra concentradas e compactas seguia muito difícil. Conseguiu apenas uma vez, com troca de passes rápidas e infiltração de Pedro Rocha com finalização ruim de Luan.

Panorama tático no Sul. Reprodução: Arena do Grêmio.

Renato sacou Arthur para colocar Fernandinho, recuando Ramiro para a dupla de volantes. Depois, o polivalente meio campista virou lateral, quando Everton entrou no lugar de Edílson. Por último, Gáston Fernandez na vaga de Pedro Rocha. O Grêmio foi para o jogo aleatório, o que foi muito melhor para o Corinthians, mantendo controle, as linhas compactas e concentração nos movimentos para defender a retaguarda de Cássio.

Carille sacou Rodriguinho para colocar Marquinhos Gabriel, centralizando Jadson e ganhando mais fôlego na transição defensiva pelo lado esquerdo, onde o Grêmio ganhou volume com Everton, Gáston e Cortez. Foram 33 cruzamentos, com 28 erros. Em um deles, o pênalti sobre Geromel, mal batido por Luan, defendido pelo goleiro corintiano.

Uma das seis finalizações certas em 13 tentativas do Grêmio no jogo. Nenhuma pôde vencer a meta de Cássio. Do outro lado foram apenas cinco, com três acertos. 46% de posse de bola para o time de Fábio Carille, que desarmou 17 vezes contra 21.

Vitória com a marca da maturidade que o elenco do Corinthians vem demonstrando. Executar bem um modelo de jogo passa pela implementação do técnico e a aceitação dos que vão a campo. Carille têm conseguido de forma quase que incorrigível. E esse é o trunfo do Corinthians, que caminha para ter o melhor início de um Brasileirão em pontos corridos com 20 times – já é igual ao próprio alvinegro em 2011, ano que também foi campeão. Candidato sim ao título!

Panorama do segundo tempo no Sul. Corinthians compacto, Grêmio empilhando homens de frente.
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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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