No Allianz Parque, o deserto de ideias alviverde foi um convite a vitória do sólido Corinthians

Se a temporada do Palmeiras é marcada por oscilações e lampejos, a volta de Guerra, depois do problema com o filho na última semana, era um grande alento para o derby paulista no Allianz Parque. Centralizado no 4-2-3-1 de Cuca, o venezuelano era esperança e tinha nele depositada a expectativa de ser o ponto de desequilíbrio e criatividade contra o sólido Corinthians, em um jogo de panorama desenhado. Em casa, era natural esperar que o alviverde tomasse a iniciativa e o time de Carille se defenderia com concentração, alta intensidade e as rápidas saídas. Uma rota quase que sem possibilidade de mudança.

Para tentar minar a organização defensiva do Corinthians, a pressão para retomar a bola logo quando perdida era grande, executada com alta intensidade. A estratégia era tentar roubar a posse com velocidade e perto da meta de Cássio, para pegar um Corinthians menos organizado do que é o comum. Sem sucesso, porque os alvinegros mantiveram a rápida recomposição, com consistência e concentração, sempre trabalhando o conceito da bola coberta, que é pressionar o portador adversário e fechar seu passe, algo exaustivamente executado pelo líder:

Maycon sai momentaneamente da linha, que não se desorganiza, e pressionar o homem da bola.

Com seus 39% de posse de bola, o Corinthians avançava com associações e proximidade das peças. Sempre com mais de uma opção de passe para ganhar campo e chegar perto da área de Prass. Para aproveitar a marcação individual, movimentação e pouco toques, como na bola de Romero para Guilherme Arana, que acabou no pênalti de Bruno Henrique. O volante chegou atrasado para cobrir Mina, que saiu a caça e abriu a linha defensiva. Efeito dominó. O ônus da marcação homem a homem de Cuca.

A pressão e o nível de intensidade do Palmeiras caíram após o gol dos visitantes e a tentativa de atacar se transformou em volume desorganizado e bolas despejadas na área de Cássio. 28 com 21 erros na etapa inicial. Tudo que a defesa bem montada por Fábio Carille queria. Tensão, nervosismo, desconcentração… Bolas que batiam e voltavam sem perigo.

A linha sustentada de Carille. Laterais e zagueiros trancam a frente da área, pontas fecham os lados.

Com Thiago Santos nulo no jogo, já que seus serviços de cão de guarda eram pouco exigidos, Mina se juntava a Bruno Henrique para ajudar o Palmeiras na transição, como no frame acima. Desorganização e falta de um plano que isolaram Dudu, Guerra e o Willian. Cuca mexeu. Tchê Tchê foi para o meio, Roger Guedes virou uma espécie de falso lateral pela direita. Sem resposta Keno e Borja entraram, no desesperado bumba meu porco já rotineiro, que empilhava atacantes e esvaziava o meio de pés que pudessem pensar.

Veio o Corinthians, de aproximação, poucos toques e progressão. E a marcação individual do Palmeiras, perdida com a tabela de Arana e Romero, que terminou no gol do melhor lateral esquerdo do Brasil em 2017. Selando  vitória de um lúcido e consistente líder!

Porque o segundo tempo do time de Cuca se resumiu aos cruzamentos: 49 (!!!!) com apenas dez acertos. 62% de posse de bola totalmente ineficazes e inócuos, que resultaram em 18 finalizações com apenas quatro acertos, e nenhum que exigisse muito de Cássio.

Um deserto de ideias, um time de roteiro definido, mal trabalhado, sem alternativas… muito pouco pelo investimento e pelo potencial que tem. O alviverde que foi uma ruína em todos os sentidos, viu o sólido e ultra competente Corinthians passear à seu modo no Allianz Parque. Vitória que dá moral na luta pelo título e na manutenção da inimaginável campanha. Tão irreal quanto pensar no momento em que esse Corinthians “anti oscilação” vai tropeçar.

Palmeiras no melhor estilo bumba meu porco na reta final do jogo.

Dados estatísticos: Footstats.net

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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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