Atlético/PR 0x0 Botafogo – Muita organização, pouca agressividade!

Em uma rodada onde Grêmio e Santos confirmaram sua ascensão entre os primeiros, o líder tropeçou outra vez, o São Paulo se recuperou, o Galo caiu derrubando Roger e os milionários Palmeiras e Flamengo empataram em um jogo marcado pela desorganização defensiva, o embate entre Atlético Paranaense e Botafogo se apresentava como muito interessante! O furacão pelo bom desempenho e resultado contra o Corinthians em Itaquera na última rodada e o fogão por tudo que já mostrou até aqui. Uma das equipes mais organizadas e competitivas do nosso atual futebol.

Organização aliás é a palavra que ajuda a definir o confronto na gelada Arena da Baixada. Para o time de Jair Ventura, um desenho de confronto bem favorável. Porque fora de casa não precisaria tomar a iniciativa e jogaria de uma forma mais reativa, como gosta. Pra isso, linhas muito próximas e intensas na hora de marcar, como o padrão. Pimpão e Bruno Silva fechando os lados, com Lindoso e Matheus Fernandes por dentro, no 4-2-3-1 que defende em duas linhas, tendo João Paulo mais avançado ao lado de Roger. Variação do losango de meio campo que foi base na campanha de recuperação no último ano.

Organização do Botafogo em seu 4-2-3-1. Linhas bem próximas!

Também foi reagindo que o Atlético viveu bons momentos no brasileiro, como quando venceu quatro jogos seguidos e começou a brigar na parte intermediária para alta da tabela, ainda com Eduardo Baptista. De seu curto trabalho, Fabiano Soares manteve a organização defensiva. Estrutura que adianta seu processo de montagem e adaptação do time ao que pensa. Mas com a necessidade, ao menos nos jogos em casa, de ser protagonista. Algo que não aconteceu com o antecessor.

Propositivo, o furacão fez de seu lado esquerdo, desde o começo, o forte para atacar. Com Sidcley, de bom brasileirão, e Douglas Coutinho. Sempre buscando associações e aproximações para ganhar campo e tentar romper as linhas bem armadas de Jair. Deu certo quando o time se movimentou com toques rápidos. Em uma das incursões do lateral esquerdo por dentro, confusão na marcação e boa finalização. Interessante, mas pouco para quem teve 65% de posse durante todo jogo, porque não se repetiu. Importante também foi não apelar para os chuveirinhos logo de cara. Foram apenas nove no primeiro tempo.

Organização do Atlético, também em um 4-2-3-1.

Sem chances claras no primeiro tempo, a volta do intervalo manteve o panorama. Já com Cascardo na vaga do lesionado Jonathan, o furacão foi empurrando o Botafogo para trás. Linhas cada vez mais dentro do campo adversário, mas falta de criatividade para sair de uma marcação muito compacta e intensa. Dobrando, tendo superioridade numérica no setor da bola, ganhando em embates por alto e baixo… mas sem velocidade na retomada. A bola batia e voltava!

Com o passar do tempo e o volume que não se tornava pressão efetiva, as mudanças. Ederson por Douglas Coutinho e Guilherme por Eduardo Henrique, recuando Lucho, redistribuindo o 4-2-3-1 na fase ofensiva, com um Pablo pouco abastecido, de apenas uma cabeçada ainda no primeiro tempo, na referência.

No Botafogo que “só olhava o jogo” e se defendia bem, era claro que faltava agressividade. Sem pressão do Atlético, o jogo era mais que confortável, apesar da posse contra. O time de Jair controlava os espaços, mas poderia ser mais contundente! Veio Guilherme por Roger, que manteve Pimpão aberto e a opção de velocidade centralizada com João Paulo. Não surtiu efeito.

Marcação intensa do Botafogo, com superioridade no setor de bola.

O ritmo caiu e os cruzamentos dos donos da casa aumentaram. De nove para 27, com 18 erros. Os visitantes desarmaram mais, 16 a 10. E com seus 32% de posse abusaram dos lançamentos: 48 com apenas 13 acertos. O Atlético acertou quatro finalizações em 10, enquanto o Botafogo uma em oito. Muito pouco.

Duelo de boa organização de lado a lado, mas que careceu de agressividade! Os paranaenses de uma pressão mais intensa, os cariocas de mais ímpeto ofensivo. Empate justo pelo jogo no fim das contas. Retrato de um duelo morno na fria Curitiba.

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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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