A “lei do mínimo esforço” na vitória do Flamengo sobre o Coritiba é preocupante!

Ainda sem Diego Alves e poupando Rever, Márcio Araújo, Cuellar, Diego e Everton de olho no jogo da Copa do Brasil, o embate contra o Coritiba na Ilha do Urubu se apresentava como uma boa oportunidade para Zé Ricardo testar algumas variações no ótimo elenco rubro negro. Dupla de zaga reserva, Rômulo de volta ao meio com Arão e Everton Ribeiro centralizado no trio de pontas incisivos. De cara, o Flamengo já tinha outra cara. E o gol logo aos sete minutos, na ótima bola do camisa sete pra Berrío avançar e anotar, desenhava um jogo mais que favorável. Pintava uma noite de bom desempenho do Rio de Janeiro.

Com a vantagem o Flamengo deu a bola ao time paranaense. Estratégia pouco vista na Era Zé Ricardo. Porque o jovem técnico é propositivo, gosta de controlar o jogo e ter a bola nos pés para jogar e agredir o adversário – é bem verdade que tem sido pouco efetivo no plano. Mas com três homens de velocidade mais a chegada de Arão, era inteligente e interessante esperar, retomar e acelerar. Mas o plano foi executado apenas na primeira parte. Os rubro negros marcaram de forma compacta, negaram espaços ao coxa, mas não foram agressivos nas retomadas. Lento, impreciso… saída e transição não eram efetivas, apesar de contar com um passe melhor sem Márcio Araújo.

Flamengo compactando duas linhas de quatro e fechando os espaços para do ataque do Coxa!

Sem a resposta esperada, o jogo caiu na monotonia. Porque ao Coritiba que espera por Marcelo Oliveira, falta uma ideia clara do que fazer com a bola. Toques de um lado para o outro, mas pouca triangulação, infiltração ou um passe que pudesse romper linhas. Tudo muito lento, contido. Nem Matheus Galdezani, destaque das primeiras rodadas, mais centralizado em um 4-2-3-1 que tinha Rildo e Tomas Bastos ao seu lado na linha que teria de cuidar da armação por trás de Henrique Almeida, conseguiu repetir a lucidez e as boas jogadas de exibições anteriores. Em um dos poucos momentos em que se somou um vacilo rubro negro e uma boa jogada coxa branca, Henrique deixou tudo igual e o clima mais tenso na Ilha. Destaque para o passe que abriu a defesa, sem qualquer pressão ao adversário, como aconteceu há uma semana contra o Cruzeiro.

Coritiba fechando os espaços nos poucos momentos em que o Flamengo avançava com a bola.

Tudo porque mais uma vez o Flamengo não teve uma atuação boa, confiável. Que desse ao torcedor à margem para acreditar que a virada aconteceria naturalmente. O time de Zé seguiu tropeçando nas próprias pernas e as mudanças foram deixando a equipe mais ofensiva e menos lúcida. Primeiro Vinicius Júnior, o garoto que deveria ser lançado gradativamente e sempre entra com a responsabilidade de definir, depois Vizeu, para povoar a área em busca de uma blitz aérea, automática. E nem foram tantos cruzamentos assim: 25 com quatro acertos e a melhor oportunidade do jogo, na cabeçada de Juan que bateu na trave. O coxa naturalmente se encolheu, mas não viu seu goleiro praticar uma grande defesa. Porque o volume ofensivo do Flamengo não foi de fato uma pressão.

No apagar das luzes a jogada individual de Vinicius Júnior, algo que tanto faltou durante o jogo, compensou o desequilíbrio coletivo, e resolveu! Pênalti sofrido pelo garoto e convertido por Everton Ribeiro. Vitória, euforia, entusiasmo, Flamengo garantido no G4, vivo na luta pelo título… fatos pontuais, mas que se analisados além da frieza do placar, resultam em poucos motivos para o torcedor rubro negro comemorar! O time segue jogando mal, as principais peças – salvo o bom jogo de Everton Ribeiro, fora de sua posição natural, participativo e decisivo – seguem oscilando. Coletivamente existem problemas.

A vitória contra o Coxa foi mais uma a base do mínimo esforço, que serve pontualmente, mas quando as decisões chegarem, talvez cobre seu preço! O Flamengo deve desempenho e, por tudo que tem e pode, isso é preocupante.

Panorama tático do segundo tempo na Ilha.
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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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