Controle e repertório ofensivo: os pilares do bom início do United na Premier League

Com o triunfo por dois a zero sobre o Leicester neste sábado, o Manchester United de José Mourinho chegou aos nove pontos em três rodadas de Premier League. 100% de aproveitamento. Simbólico antes da primeira data FIFA da temporada, que se afunila com aproximação da Copa do Mundo da Rússia e será mais decisiva a cada parada.

Nesses três jogos na Inglaterra, 10 gols marcados e nenhum sofrido. Solidez do sistema que só permitiu cinco chutes a meta do goleiro De Gea em 270 minutos de futebol na terra da rainha. Algo distante do demonstrado contra o Real Madrid na Supercopa Europeia, há pouco mais de um mês. Mas, além de bons números em um início de campeonato pouco definidor, ainda mais depois do que o Chelsea fez no último ano, os Red Devils apresentam um desempenho muito satisfatório.

De volta ao 4-2-3-1, os comandados de José Mourinho tiveram a missão de propor o jogo a todo momento. Porque do outro lado, o Leicester, com oito campeões da temporada 2015/16 em campo e o mesmo 4-4-2 reativo de Ranieri, fechou a frente da sua área e apostou nos contra-ataques de ligação direta, buscando Okazaki, Vardy ou Mahrez da ponta para dentro. Mecânica já conhecida. O que obrigou o United a abrir o campo nos primeiros minutos. Um dos pontas buscando jogo com Pogba e laterais alargando para cruzar em busca da referência Lukaku, na área ou no pivô, um jogo mais físico.

United ocupando campo ofensivo do Leicester com opções. Jogo entrelinhas e laterais abrindo campo.

Mas que também foi combinado com transições de aproximação e tabelas por dentro. Foram mais de 600 passes certos com os quase 70% de posse de bola. Empurrando as linhas do Leicester para dentro de sua área e finalizando de longe. Tônica principalmente do primeiro tempo, com Pogba. Segundo volante de Mourinho, o francês vem de trás, com passadas largas e campo, aproveita seu bom passe e potente chute. Foram seis na etapa inicial. Muito útil para que o time tenha opções, repertório no terço final, e não acabe apenas abrindo e cruzando aleatoriamente com a frente da área fechada.

Pogba avança com a bola e companheiros aparecem para dar opção de passe. Apoio ao portador da posse. Fundamental para jogar.

Apesar do controle da bola e do espaço, dominando totalmente o jogo, o gol tardou em sair. Um problema a ser corrigido por Mourinho. Só na etapa inicial foram 13 finalizações, mas apenas três acertos a meta de Schmeichel. Goleiro que brilhou ao defender o pênalti de Lukaku – terceiro perdido em cinco que bateu no canto esquerdo. Futebol é, também e cada vez mais, estudo.

Foi o único momento de queda mental do United no jogo. Também porque Shakespeare reorganizou o time com King e Gray nas vagas de Okazaki e Albrigthon em um 4-1-4-1 com mais gente fechando a entrada da área. Momento complicado para os Red Devils, que não conseguiram se associar e tinham dificuldades em abrir o campo. Mourinho apostou em Rashford na vaga de Mata e precisou de três minutos para abrir o placar na bola alta com o jovem inglês. Instintivo.

United pressionando o Leicester quando não tinha a bola.

Como foram as entradas de Fellaini e Lingaard nas vagas de Mkhitaryan e Martial, buscando mais compactação e segurança defensiva pelo alto em um 4-1-4-1. De repente, o cabeludo volante, que entrará para fechar espaços e combater o jogo aéreo do Leicester com Slimani na vaga de Vardy, avançou e desviou o chute/cruzamento de Rashford para matar o jogo no Old Trafford. A última das 22 finalizações que os donos da casa tentaram, acertando sete ao gol de Schmeichel.

Vitória de contexto apertado, com gols na reta final do jogo. Mas de futebol bonito e desempenho muito interessante e promissor do United, embora o campeonato esteja apenas começando. Bem distante das atuações modorrentas e improdutivas da última temporada. Contra o Leicester, controle da partida, volume e repertório ofensivo. Pilares da melhor arrancada de um time na sempre dura Premier League.

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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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