Luta por espaço marca o Clássico do Rio da Prata

A primeira frase de Jorge Sampaoli em sua entrevista coletiva após o empate em Montevidéo ajuda a explicar, mesmo que minimamente, o que foi o jogo: “Jogamos contra um rival que tentou, a todo momento, fechar os caminhos”.  Até por uma questão característica. Porque o Uruguai de Tabarez é um time que preza por linhas compactas, concentração na hora de defender com alta intensidade e avançar em ataques de transição, buscando Suárez e Cavani na referência. Não fugiu a ideia que tem desde 2010 na África. Dono de um forte jogo mental.

Mas, que nos primeiros minutos do jogo no Centenário, subiu as linhas e tentou jogar com a Argentina. Pressionando alto, dificultando a saída apoiada do time de Sampaoli e aproveitando erros de marcação e passe para criar oportunidades de gol. Nada claro, mas foi expressivo terminar a primeira etapa com três acertos em cinco finalizações, mesmo com apenas 32% de posse de bola. Mesmo número da Argentina, que trocou quase duzentos passes a mais e finalizou uma vez menos a meta.

Uruguai no 4-4-2 compacto em duas linhas.

A única chance clara veio com Messi, que partiu do centro, tabelou com Dybala e chutou para defesa de Muslera. Uma forma de quebrar linhas, mas que não se repetiu durante o jogo. Muito porque a Argentina insistia em se estabelecer e associar, o que é importante para não depender única e somente da individualidade, mas tinha muita dificuldade em vencer as linhas compactas dos donos da casa.

A mecânica de jogo funcionava com a saída feita pelos zagueiros, como nos grandes centros, onde eles jogam, fazem jogar e são construtores. Responsáveis pelo primeiro passe. Sempre com o suporte de Biglia e Pizzaro, também com Di María por perto. Na ala, o jogador do PSG contava com espaço deixado por Dybala para dar amplitude, abrir o campo… mas faltava profundidade. Porque o Uruguai pressionava o setor da bola e impedia progressões.

Saída feita pelos zagueiros, com Dybala centralizando e Di María abrindo o campo.

Briga por espaços que seguiu na etapa final, mas caiu conforte ritmo e intensidade de ambos na disputa diminuiu. Suárez sentiu a lesão recente e isolou Cavani no ataque, até que Stuani entrasse. Na vaga de Acuña, pouco efetivo na etapa inicial, Acosta também não fez do lado direito um lado forte para o Argentina jogar. Como também não mudou Pastore por dentro, ao lado de Messi, mais sumido na etapa final.

Mais pegado, o segundo tempo teve oito a seis em faltas – contra sete a sete no primeiro -, 28 no total. Nada absurdo, considerado que é um clássico de extrema rivalidade e jogo historicamente mais físico. Cada um roubou 17 bolas, e a Argentina finalizou quatro vezes ao gol contra apenas uma. Nada que fosse suficiente para mudar o placar.

O clássico do Rio da Prata foi o da busca por espaço e da dificuldade em encontrá-lo. Natural para quem joga contra o Uruguai, importante para a propositiva Argentina que Sampaoli projeta.

Facebook Comments

Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *