Flamengo e Cruzeiro, na decisão de “jogar bem x ser efetivo”

A grande final da Copa do Brasil colocou frente à frente dois times com modelos de jogo definidos, embora o Flamengo viva a transição de Zé para Rueda e eles pensem futebol de maneira semelhante – não igual!

Já o Cruzeiro de Mano Menezes é, há algum tempo, um time de característica reativa. Aquele que prefere jogar mais tempo sem a bola, controlando os espaços e compactando as linhas para sair em velocidade. Não é retranca, marcar e devolver a posse para o adversário. É uma característica que seu técnico enxergou como melhor para fazer seu time jogar. Ou seja, dentro de sua proposta e ideia, não dá pra esperar do Cruzeiro muitos ataques durante um jogo, posse no campo ofensivo e diversas finalizações, o que para muita gente é jogar bem. Jogar bem não está atrelado a ter a bola e sufocar o adversário. Tudo varia de acordo com o estilo, como o time joga.

Cruzeiro com a bola e o Flamengo fechando os espaços na saída celeste.

E os primeiros minutos no Maraca foi de um Cruzeiro tentando ficar com a bola. Não para agredir, mas para não ser agredido. Retendo a posse, com o objetivo segurar o ímpeto inicial do Flamengo inflamado pelo estádio cheio. O time de Rueda não respondeu com pressão insana, mas sim com bom posicionamento. Fechando as linhas de passe, dificultou a saída de bola celeste. E conseguiu, aos poucos, o comando do embate.

A melhora do Flamengo ficou evidente quando Lucas Paquetá, substituto de Guerrero, começou a se movimentar no comando de ataque. Da referência, o meia recuava para ajudar Diego e Rodinei na armação, permitindo as infiltrações de Berrío e Arão. O camisa cinco, melhor em campo, teve a melhor chance do primeiro tempo assim, infiltrando no espaço vazio deixado por Paquetá.

Porque para um time que joga com a bola no pé e quer propor, movimentação e velocidade na troca de passes é fundamental para abrir linhas fechadas. A falta dessa dinâmica foi o grande problema do final da Era Zé Ricardo: ter a bola, avançar, mas não ter o poder de infiltração.

Lucas Paquetá deixando a referência para ajuda na criação. Opção para triangulação no campo ofensivo.

Assim como no começo do jogo, o Cruzeiro voltou do intervalo querendo ter a bola. Só que ao invés de retenção para não ser pressionado, linhas altas e jogo no campo ofensivo. Foram os melhores minutos do time de Mano, aproveitando a marcação descompacta do time de Rueda. Veio a chance cristalina com Alisson, salva de maneira espetacular por Thiago.

Rueda colocou Vinicius Júnior no lugar de Rodinei, invertendo Pará e abrindo Everton na lateral esquerda. Os rubro negros recuperaram o protagonismo e o volume do jogo. No mesmo momento em que as mudanças de Mano tiraram a velocidade que o time tinha desde a entrada de Raniel na vaga de Rafael Sóbis. Alisson deu lugar a Rafinha e Robinho já não era tão aplicado nas ações sem bola. Paralelo a isso, veio o gol de Paquetá no abafa do escanteio. Parecia o cenário ideal para o Flamengo sair do Maracanã com uma importante vantagem.

Veio Arrascaeta no lugar de Thiago Neves e o Cruzeiro avançando para aproveitar a descompactação rubro negra. Do chute, completamente descoberto, de Hudson, a falha de Thiago e o gol do camisa dez… O erro maior sem dúvida foi do goleiro, mas a falta de pressão no portador da bola também foi fatal.

Tudo igual na primeira decisão. Se o Cruzeiro não leva o gol qualificado em BH, sem dúvida terá mais força após o empate no lotado Maraca. Em um jogo que ilustrou bem a ideia do jogar bem x ser efetivo. O Flamengo foi melhor, o Cruzeiro mais efetivo.

Panorama final no Maraca.
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Raí Monteiro

Jornalista, editor e doente por futebol. Sempre aberto a um bom debate e um copo de cerveja.

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